O preguiçoso

“Lembremos que o ateísmo e a negação da pessoa humana, de sua liberdade e de seus direitos encontram-se no centro da concepção marxista. Esta contém de fato erros que ameaçam diretamente as verdades de fé sobre o destino eterno das pessoas.” (Libertatis Nuntius – Cardeal Joseph Ratzinger e Arc. Alberto Bovone).

O malefício dos cristãos liberais é secundário à extinção completa da fé, ainda que não extinto o fogo do Espírito; a centelha que incomoda aquele que um dia se deparou com o evangelho. São parte de um cenário irreversível da cristandade, quando a mente se contamina pelo revolucionismo. Mas o incômodo do Espírito não se desfaz e não cessa; perdura sobre a existência do ateu combativo que outrora se debruçou na misericórdia com justiça. Da misericórdia não se esquece. O ateísmo faz parte do liberalismo levado às últimas consequências niilistas, não sobrando outra saída à coerência do liberal senão afastar-se por completo da religião. Não os culpo pela necessidade de isolamento temporário para a reflexão da vida cristã (isolamento que ocorre geralmente na juventude), mesmo que muitas vezes traga consigo o desejo de questionar a fé em favor de um espiritualismo raso. É do cristianismo e dos grandes mártires um período de esquecimento, alheio a qualquer interferência externa e de distração. Podem muitos considerar que tudo não passou de uma revolta temporária, mas em verdade corroborou a maturidade espiritual. Diferente da mera revolta liberal, o isolamento temporário do cristão – por vez alheio ao contato de qualquer comunidade cristã – permite a atenção de um “interlocutor em terceira pessoa”, cuja observação dos demais serve como pêndulo entre a boa e a má conduta. É atitude de resguardo em que o isolado se distancia da balbúrdia. Difere, portanto, do esfriamento da fé que descamba no desprezo de toda forma religiosa.

O germe agnóstico emana da fraqueza da fé, mas nem por isso deixa de ter sua origem nas expressões religiosas mais evidentes. A estranheza do número elevado de agnósticos que outrora afirmavam determinada fé é apenas aparente, pois sinaliza justamente o elemento central do abandono religioso. São os mornos que serão vomitados. Teorizam sobre a opressão religiosa e discursam sobre a falsidade dos líderes. Bajulam o ceticismo amador e desprezam o conhecimento teológico. E por desprezarem a teologia, desprezam também qualquer formação que emane de instituições religiosas.

A denúncia institucional a que fazem agnósticos e liberais é o início da ponte sobre o abismo da negação completa da fé. Pode ser que sossobre a ponte, mas não caia o andarilho. Porém, e se cair? E se se ver ele “olhando no ponto escuro do olho do abismo” ao ponto de não ter mais forças para retornar à sanidade? A força da irresponsabilidade é muito maior que a força do comprometimento, circunstância que luta qualquer cristão. Não é diferente com o agnóstico, que justifica a inércia pela irresiliência premeditada e baseada numa percepção limitada de assuntos nunca antes estudados. Denunciam os rituais e a “religiosidade”. Em verdade, denunciam o comprometimento. O agnosticismo, na história teológica, é o preguiçoso do monastério. Trazem nos discursos a aparência da revolta, cujo início se deu no cansaço das coisas religiosas. A desculpa, por isso, sempre é mais confortável, porque não externa sua índole incipiente, servindo por fim de trampolim para a acídia. O cristão subversivo não escapa desse entrave, ainda que tenha o amparo da comunhão que ele entende ser um fardo. A subversividade (elogiada e incentivada entre liberais) corrobora o menosprezo das coisas religiosas como aquele que sobre o muro observa o andar da carruagem. O subversivo costuma tomar para si a crítica como elogio e o elogio, uma forma de indução moral pretensiosa. No meio cristão a subversividade é acertadamente uma circunstância de contaminação gradativa dos demais.

A subversividade se traveste em “ideias revolucionárias”, tidas como inovações, mas que em verdade são velhas releituras de movimentos já extintos. Achando-se esperto e confortavelmente na mornidão da crença, lança por sobre a comunidade as velhas novidades como quem tenta iluminar insistentemente o que já se conhece e o que já se declarou um erro. Por fim visto como uma problema a ser rejeitado, nega as Escrituras, abandona a fé e amaldiçoa a Cristo para que pareça ser tudo uma convicção intelectualizada, e não um estado simplório de revolta.

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A previsibilidade da escrita pós-moderna

No Right Stuff, apenas dois parágrafos do excelente The Hilarity of Postmodernism:

“Postmodern writing has become so stilted, mechanical, dogmatic and predicable that a man named Andrew C. Bulhak has written a computer program that mimics the language of postmodern critical theory with such effectiveness that many are fooled into thinking it is a real academic paper they are reading at first glance. Another awesome troll of these ridiculously self important intellectuals. Well done Andrew.

It seems strange that a philosophy that is seemingly so absurd could have so much unseen power in today’s culture and could have contributed to the takedown of so many social institutions. The family, masculinity, femininity, capitalism, nationalism, patriarchy and even orthodox Marxist socialism have all been under assault from this school. This illustrates the social power of critical theory and deconstructionism. The theories are prima facie ridiculous, but they slowly and surely chip away at the foundation of a culture as they are intended to do. This is the intentional strategy of critical theory.”

Agora, veja você como um texto fabricado nos requisitos vazios da linguagem pós-moderna consegue expressar aparentemente uma noção de intelectualidade esclarecida, ainda que ausente de qualquer significado minimamente necessário a qualquer entendimento acadêmico. Ou seja, enquanto texto fabricado por um programa [literalmente], a evidência de uma estrutura de linguagem corrobora não somente sua inutilidade, mas também sua perversidade patente. Ao menos como um trato lúdico do assunto, seria interessante levar esse mesmo texto aos mestres pós-modernistas da academia brasileira e observar (como quem aprecia um bom filme) a dissimulação intelectualista patológica dos tais e a pretensão de valorização de uma estética previsível.

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A previsibilidade dessa linguagem sui generis, contudo unânime nas tendências de qualquer movimento desconstrutivista, também se revela na Teologia Liberal em todas as suas vertentes e segue uma padronização estrutural irrefutável. É certo que o desconstrutivismo enquanto estratégia discursiva pode ter utilidade prática também na análise do ideário utópico e materialista, essencial aos teólogos liberais, mas deve ser também vinculado a uma estética que esconde em rodeios intermináveis o cerne da questão. Em outras palavras, é possível dizer que a “escrita pós-moderna” utilizada pelos teólogos liberais corrobora não somente uma identidade grupal, mas também o redescobrimento de técnicas de afastamento da responsabilidade pessoal perante certos assuntos que se escancarados ao público traria descrédito e desconfiança imediatos. Ao dissimular nas palavras o significado real daquilo a que se pretende, geralmente por meio de expressões misteriosas, genéricas e despropositais, os teólogos liberais usufruem da mesma benesse com a qual hoje qualquer desconstrutivista consegue estimular sua aparência intelectualizada e subliminar. É de fato uma artimanha que ampara a irresponsabilidade intelectual no que foi gesticulado.

Esse é o motivo pelo qual os palestrantes de movimentos como o Missão Integral conseguem tantos adeptos sem antes vincular sua imagem a conceitos e ativismos eminentemente políticos, abraçados pelas paixões dissolvidas propositalmente em diversos tópicos que segundo uma perspectiva latina teria relação direta com o Evangelho. Dou como exemplo simplório sua preocupação ambiental e sua ambição com as políticas de Estado de redistribuição da riqueza, ambas a princípio sem grande relação com a mensagem salvífica. Espero que em algum momento futuro tenha eu paciência para escrever mais sobre o assunto.

Releitura teológica, velharias juvenis

A crescente ridicularização dos movimentos teológicos liberais tem na tolerância aos jovens o seu sustento. Lembro-me que em 2004 houve grande explosão, no Brasil, dos famosos fenômenos “libertários”, dos quais ressurgiram das cinzas literaturas americanas já esquecidas e por lá relegadas ao descaso. Era a novel teologia tupiniquim novamente escorada na América protestante, que produz alhos e bugalhos. A Igreja tolerou o relativismo teológico até os limites da mera exegese bíblica, das análises históricas e das discussões acaloradas entre criacionismo e evolucionismo. Mas quando começou a se falar na famosa “ampliação interpretativa” dos pilares do cristianismo o resultado já se mostrava óbvio: seus principais preletores estariam sentenciados às chacotas.

As exceções persistem. É evidente que qualquer movimento teológico, por mais anticristão que seja, tem público e consegue lançar algumas sementes que brotam tortas, porém floreadas. Por exemplo, o Open Theism, traduzido no Brasil como Teologia Aberta, sequer conseguiu fôlego para ser considerado algo de relevante na construção doutrinária; manteve-se, contudo, estagnado na boca daqueles que insistem em professá-lo.

No início, veja, essa teologia apenas abarcava novos conceitos acerca da atuação divina e de sua extensão nos acontecimentos históricos. Nada além disso, a teologia que se pretendia aberta a novas adesões exegéticas calcificou-se em uma única prerrogativa essencial e inafastável: a Bíblia é um documento humano e o futuro é desconhecido. Como qualquer teologia anticristã, as características epicuristas saltavam aos olhos de qualquer religioso, tendo em vista sua beleza inicial para a posterior degradação dos estudos religiosos. O humanismo exalava fortes odores e a pregação da caridade compulsória, como “dever” de todo homem, era fundamental.

Criou-se o embate: os tais afirmando que havia muito estudo literal da Bíblia; os ortodoxos afirmando que a Teologia Aberta era a negação da Bíblia. Movimentos foram criados, dissensões e divisões foram formadas e, ao final, a Teologia Aberta foi escancarada como mais um dos movimentos que tinham em centenas de seus adeptos um agnosticismo velado, raramente assumido senão em reuniões gravadas e que tinham na internet o registro para a eternidade. Com terra na boca, a lápide, porém, ainda não estava assinada.

Vá lá falar no relativismo dos milagres bíblicos. Tolerável dizer que Jesus Cristo era um agente de construção da história em direção ao Reino de Deus instituído pelos homens. Tais afirmações eram discutíveis, mesmo que maciçamente negadas. Mas quando esses movimentos resolveram demonstrar sua índole marxista não houve escapatória. Foram, em definitivo, lançados para o esquecimento doutrinário. Sua seriedade exegética de antes agora pululava de afirmações vitimistas e de uma falsa contrição de seus adeptos nas virtudes da caridade individual e, portanto, nunca obrigatória.

Tal faceta se tornou tão evidente e apelativa que os mesmos movimentos que antes se declaravam materialmente dialéticos, nas barbas do espiritualismo, posteriormente fixaram uma terceira via entre o fundamentalismo religioso e o agnosticismo ridicularizado. A terceira via, por óbvio, descartava a Bíblia como Palavra e a tratava ainda similarmente a um registro histórico. Ausentes relevantes publicações americanas nos assuntos das novas teologias, e ausentes, portanto, quaisquer “revoluções” sob a perspectiva do coitadismo latino, a Teologia Aberta findou, sendo relembrada apenas em círculos diminutos de blogues, revistas e reuniões pastorais.

Porém o fraquejamento de um movimento significa sua acomodação permanente.

A exaltação das “releituras teológicas” dos fenômenos bíblicos é constante e as novas teses baseiam-se essencialmente em um desconstrutivismo menos aprimorado que o desconstrutivismo das universidades europeias. É, assim, regionalmente amador, seguindo as diretrizes de velhos pensamentos importados, mas tidos por inovadores.

Há quem diga que esses movimentos morreram por falta de estudo prévio. Eu, entretanto, afirmo que todo e qualquer movimento que se assuma marxista tem no cristianismo seu descaso inevitável. O vitimismo e o revanchismo dos discursos que abarrotaram templos e seminários têm uma beleza indiscutível, mas cansativa. É passageira, apesar de sempre deixar um rastro característico. Talvez seja esse um dos motivos pelos quais os ícones de antes agora se tornaram personagens políticos, pregando revisionismos que são tão previsíveis quanto a posterior aclamação, pelos jovens, do velho que abandona sua fé de outrora.

A minha tese é esta: se um movimento quer explosão e paixão iniciais, com a degradação inevitável do estudo e da intelectualidade, basta que abrace a juventude, fazendo dela amparo para ativismos barulhentos. Evidentemente imaturos, jovens que tentam revisar na garganta a construção milenar da Teologia Cristã acabam sendo esquecidos, e da mesma forma seus mentores.

Não coincidentemente, as figuras que ainda apreciam o bolor desses movimentos são justamente os jovens que à época das conturbações mais relevantes eram adolescentes ou desconhecedores de qualquer parâmetro mínimo de análise das teses apresentadas.

O movimento de pretensos teólogos

Se o discurso poético preza pela estreita afinidade entre subjetivismo e relativismo, fazendo do poeta aquele que externa na pena as sutilezas da realidade, o discurso teológico pauta-se no objetivismo e fundamentos essenciais à sua caracterização religiosa, que afasta consequentemente quaisquer estilos literários que venham a corroborar confusões conceituais e irrelevâncias teóricas.

A poesia é dispensável, mas nunca irrelevante: seu discurso é utilitarista e baseia-se em uma relação direta entre a mensagem e o interlocutor. Do contrário, a teologia é analítica e proveniente da sistematização de estudos anteriormente refutados e/ou corroborados na mínima aceitação religiosa, que há de alicerçar e reafirmar a validade do estudo. Ora, não se argumenta sobre Deus utilizando-se de premissas esotéricas, porque totalmente antagônicas.

O movimento de pretensos teólogos que “fazem teologia” – que é nada além que o desconstrucionismo sofismático do discurso teológico -, tem perdido força e se relegado ao escárnio não somente pela sua apoteose de grande limitação teórica, mas também porque o discurso teológico anda em oposição ao relativismo.

Não existe Teologia no “decair das flores da manhã no preâmbulo da vida”, sequer nas “borboletas que serpenteiam entre as rosáceas do jardim terreno”; o que há, em tais casos, é tão somente o discurso poético divinizado, ainda que constituído de fraca poesia. Ao observar o pretenso poeta dizer-se teólogo por acreditar que faz Teologia, é ínsita sua ingenuidade ou, senão, sua dissimulação cínica.

Mas para todo palco há plateia. Os tais não são chamados “teólogos” por uma massa minúscula de ignorantes e palpiteiros de bar; são chamados assim por aqueles que, após o estudo devido, relativizam-no por meio do desconstrucionismo sofismático característico da irresponsabilidade intelectual.

Assim como toda Universidade deve afastar o estudante não produtivo, que traz vergonha e decadência meritocrática à Instituição, os seminários teológicos devem afastar o pretenso teólogo que distorce o estudo teológico, submetendo-o aos níveis mais rupestres e animalescos do discurso sistemático. Não se fala aqui de discursos teológicos antagônicos e supostamente heréticos, pois que ainda assim são resultado do estudo teológico; fala-se, além, dos discursos que causam a incapacitação intelectual da Teologia, transformando-a em uma vereda de toda de sorte de aberrações relativistas que sempre abraçam causas político-ideológicas.

A observação do indivíduo que insiste na desconstrução teológica é um dos fatores que evitam a decadência da Teologia e seu descrédito perante a comunidade religiosa. Tal ato significa que os reais teólogos observam as células cancerosas e delimitam sua esfera de atuação. Ultrapassado o limite da responsabilização intelectual, medidas de exclusão são irrefutáveis e justificadas.

A doutrinação cristã

A relativização metodológica, que veio a criar o relativismo como método, insere nos aspectos intelectuais a devida desconsideração do alicerce das estruturas de pensamento. Se está a se falar constantemente que o homem pós-moderno, conquanto coletivista, anseia igualmente reafirmações de teses amplamente massificadas (ou seja, teses sob o domínio comum), contrariamente a tal caráter é o filósofo que, em sendo minoria, estuda e nega as perspectivas coletivistas para afirmar a Filosofia como fenômeno que emana tão somente do indivíduo em sua consciência individualizada.

Ocorre que a massificação intelectual filosófica abrange não somente a Filosofia em seus métodos, mas também a Teologia como a sistematização dos estudos decorrentes da religiosidade; inexiste pior degradação doutrinária que aquela vinculada à pretensa intuição do estudo teológico pelas vias do relativismo metodológico. E se há intelectualidade que não está envolvida no domínio comum é a Teologia Cristã.

Por isso, desde já afirmo que o relativismo conceitual que degrada a todo momento os estudos doutrinários cristãos se respalda e se alimenta da fragilidade e firmeza filosóficas a que abandonaram, diariamente, os grandes doutrinadores cristãos da atualidade. Se a Filosofia traz o esclarecimento, também faz-se as sombras da prostituição dos métodos em suas virtudes e desgraças irrefutáveis.

Ao observar a Teologia em seu atual estágio decadente, soçobrando as migalhas de teses ultrapassadas e arcaicas, constato sua incapacidade rasteira de produzir novidades sem inevitavelmente recostar-se na estrutura do relativismo. Isto porque o relativista promove o inédito pelas veredas do desconstrucionismo, as quais são permeáveis por toda sorte de vício intelectual ao ponto de retirar do indivíduo a responsabilidade pelas palavras proferidas e ativismos defendidos, o que lhe imputa, após, a irresponsabilidade intelectual acovardada, mas não mais denunciada.

Denunciá-la, contudo, indicando-a o fenômeno da decadência civilizacional, é tomar partido de uma minoria silenciosa e estagnada que não consegue por esforços isolados desmitificar a irresponsabilidade intelectual relativista, que é nada além que o retorno aos sofismos em sua estrutura basilar da qual brotam toda sorte de ideias interpostas, mas desconstituídas de substância filosófica. A Doutrina não escapa ao fenômeno. Não se distancia da degradação. Está inevitavelmente forçada a considerar a relevância filosófica, que se não contaminada pelo edema do relativismo sofismático se faz o amparo a métodos que, antes de serem teses, são escalonamentos de aniquilação da intelectualidade basilar.

A doutrinação cristã perde seu caráter plausível no seio religioso se não está apta a afirmar veementemente seus fundamentos mínimos e inasfatáveis, os quais são desprezados pelo relativismo metodológico, mas que permite, ainda, novidades interpretativas de validades litúrgica e teológica. O rito e a sistematização do culto por decorrência de pressupostos teológicos elevados são impossíveis se não há a aproximação entre indivíduo cristão e a individualização doutrinária por meio da Teologia, esta proferida por fontes isoladas e descontaminadas da irresponsabilidade intelectual.

Terminologias coletivistas que inferem na Teologia o âmago de tendências massificantes decorrem da inércia filosófica que, se insistente, perfaz em toda a estrutura da cristandade a ruína gradativa e imperceptível de seus conceitos espirituais essenciais.

E retirada a essência, aniquila-se a Fé.

Pensamentos latinos

A melhor forma de suplantar o desenvolvimento filosófico através da reafirmação constante de chavões niilistas é citar Nietzsche em uma revista filosófica. Se houve a tendência em engrandecer o filósofo como “aquele que destruiu o pietismo”, na atualidade tupiniquim, nas fronteiras onde o filósofo professor universitário é sustentado pelo Estado, nos recônditos da defasagem vergonhosa perante a universalidade estrangeira temos Nietzsche como aquele que “promove o igualitarismo, a justiça, a denúncia da religiosidade da burguesia elitista”.

Reunidos e humilhados pela derrocada da causa relativista como padrão metodológico intelectual, os pensamentos latinos que se denominam filosóficos – dentre os quais se apresentam humildemente sociólogos, psicólogos, juristas e teólogos -, submetem-se e restringem-se a teorizações meramente casuísticas, de cunho medianamente previsível e que tende a aspirações politicamente corretas.

Você não verá, caro leitor, a análise econômica da obras de Ludwig von Mises, sequer ponderações filosóficas dos aspectos anticoletivistas de Milton Friedman ou considerações acerca de Ayn Rand; o que ser-lhe-á ofertado, caro leitor, é a análise e tão somente a análise da “aberração astrológica de Aristóteles” ou, além, a “função libertadora do sadomasoquismo como instrução à repressão sexual conservadora”.