O Brasil deles

Apurados os votos, 91% dos votantes em Washington D.C. apoiaram Obama, contra 7% de Mitt Romney. Ao menos podemos dizer que o rei não vai nu e o almoço, continua garantido.

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A preocupação de Blinder, e também latina

Caio Blinder reside e vive do conforto americano, mas não abandona sua condição meramente latina. Dentre outros textos de cunho mais econômico, contudo em mesmo norte, abre ele caminho para os questionamentos eminentemente latinos, nos quais quer-se a popularização do voto americano e, melhor ainda, o fim dos colégios eleitorais. Indiretamente, e como sempre sem imputar a si mesmo a responsabilidade de tamanha aberração teórica, Blinder nos brinda com o óbvio do que espera de um brasileiro de alma brasileira.

Em 2012, afirmei:

“Dê-lhes o pão e terás o voto. Dê-lhes a República e terás o sufrágio como direito sacrossanto de eleger, talvez por um período caótico, aquele que pode manipular as instituições republicanas para sua perpetuação no Poder Executivo e aparelhamento das demais esferas de Poder. Dê-lhes o Brasil e terá o voto republicano obrigatório, que faz do inapto o mais feliz dos cidadãos, porquanto se antes era descartável politicamente hoje se transformou no principal e inevitável caminho de “seleção democrática”, de “exercício amplo da cidadania”, da “garantia da continuidade democrática da República moderna”.

É inegável que são existentes métodos e instituições que visam suprimir a falha irrefutável do voto republicano: chama-se, caros, Colégio Eleitoral; ou, mais precisamente, a institucionalização do voto indireto, que inibe consequentemente as regalias do assistencialismo e demais atividades perpetradas pelo presidencialismo.”

A obrigatoriedade do voto sequer é cogitada naquelas terras, o que não impede a perplexidade dos latinos que veem o sistema dos colégios eleitorais, justamente fundamentados no antipopulismo dos votos e do assistencialismo, uma forma de ilegitimação da vontade popular. Ignorantes da própria história de negação americana do povo enquanto coletividade apta a eleger um presidente, os latinos efusivamente imputam nos Colégios Eleitorais a conotação do “golpe”, do “desrespeito aos interesses do povo”.

Bem dizem que a imigração constante de latinos serviu para que o americano médio percebesse que o assistencialismo rege os tais, inclusive na oferta de votos de muleta, aqueles pelos quais é possível perceber no que se sustenta determinado candidato. Por óbvio, Obama está de mãos dadas com a minoria negra e latina, estes de fato a verdadeira preocupação no conjunto peculiar que envolve indiretamente o aumento exponencial dos gastos de Estado. A lição decorre do prisma das relações populistas que não encontram na América Latina nenhuma repressão, sendo certo ao homem político de que o Estado pode ou deve perpetrar o assistencialismo que, por fim, garante o ciclo pútrido do republicanismo.

O que me lembra o sensacional Latino Law Review, jornal estudantil de Harvard diretamente interessado na proliferação teórica do coitadismo. Em épocas passadas, era possível ter contato com artigos de ode a Fidel Castro, Che Guevara e Hugo Cháves. Estudos seríssimos sobre os benefícios do stalinismo na cultura latina e o motivo pelo qual o socialismo deveria ser cogitado enquanto sistema econômico viável aos EUA. Hoje, após deletados em massa os artigos mais condenatórios, pouco restou daquilo que no passado bem caracterizava a horda dos latinos em Harvard, claramente influenciados pela práxis ordinária de suas origens. A lista, contudo, ainda contém a resenha da evidência:

Are Your Papers in Order?: Racial Profiling, Vigilantes, and “America’s Toughest Sheriff”

Deporting Dominicans: Some Preliminary Findings

Arizona’s Desire to Eliminate Ethnic Studies Programs: A Time to Take the “Pill” and to Engage Latino Students in Critical Education About Their History

The Latina/o Academy of Arts and Sciences: Decolonizing Knowledge and Society in the Context of Neo- Apartheid

Comment: The Future of the Equal Educational Opportunities Act § 1703(f) After Horne v. Flores: Using No Child Left Behind Proficiency Levels to Define Appropriate Action Towards Meaningful Educational Opportunity

Note: Reciprocity Interest in Political Affiliation: Redefining the Political Community to Attain Just Principles in Immigration Reform

Comment:Latinos and S.B. 1070: Demonization, Dehumanization, and Disenfranchisement

De brinde, três estudos integrais:

“BRISAS DEL MAR”: JUDICIAL AND POLITICAL OUTCOMES OF THE CUBAN RAFTER CRISIS IN GUANTANAMO

THE “ARIZONIFICATION” OF IMMIGRATION LAW: IMPLICATIONS OF CHAMBER OF COMMERCE V. WHITING FOR STATE AND LOCAL IMMIGRATION LEGISLATION

REGROUPING AMERICA: IMMIGRATION POLICIES AND THE REDUCTION OF PREJUDICE

É certo que Blinder não ignora esses fenômenos, mas os investe na medida em que tem interesse político irrefutável em Barack Obama. Outrora declarado esquerdista, ler Caio Blinder é se inteirar dos sentimentos mais naturais do mundo latino que deleita nos discursos de minoria, contudo amplificados pela tendência crescente de justificar as regalias de Estado numa responsabilidade teórica que aparentemente afasta a selvageria dos países subdesenvolvidos. Em época de eleição americana, e sem culpa em cartório, vale tudo para reafirmar por lá o que faz do mundo latino a rabeira dos populistas da década de 30.

Lições de civilização

Na GloboNews, a hilária relação entre o massacre de Colorado e a posse de armas pelos civis proporciona os risos não dos brasileiros, mas de americanos. Segundo a reportagem, a facilidade com que o jovem adquiriu munição e armas é algo inconcebível a nós, humanistas latinos e referência civilizatória. De uma forma mais branda, diz o circense que o caminho inevitável para menos criminalidade nos EUA é a proibição das armas de fogo e, pasmem, citando o Brasil como exemplo. Digamos que os números sejam sensatos: 200 milhões de habitantes e 50 mil mortes (desconsidero as últimas denúncias de falsificação das estatísticas de homicídio em alguns estados) contra 310 milhões de habitantes e 15 mil mortes (nos índices, constam inclusive as mortes culposas). Brasil, sempre na rabeira dos conselhos jornalísticos.

Vagabundo carioca faz revolução em New York

Em Dos vagabundos de Wall Street tentei relacionar uma foto emblemática à natureza dissimulada das manifestações presentes, ao menos achando inicialmente que de fato fossem elas irrelevantes, como os hippies da atualidade que pregam o fim do Cristianismo. Mas a força dos acontecimentos me impeliram a considerar a natureza latinizada da pretensa revolução, afinal o discurso é o mesmo. Como que se revelando o inevitável, eis que tomo conhecimento de um vagabundo carioca, médico, que aos 28 anos foi para New York fazer mestrado em “Saúde Pública Global”.

Acompanhado de outros milhares de vagabundos, pregam o fim da opressão de Wall Street, a “socialização” da saúde americana e o fim das corporações e conglomerados tecnológicos. São, em suma, latinos de coração e alma. Mas a culpa é também dos americanos. Se universidades de renome promovem palestras sob as encenações ameninadas de Slavoj Zizek, nada mais natural que haja, em seu solo, a formação de toda sorte de projetos e produtos que almejam a disseminação da cultura do subdesenvolvimento, caracteristicamente esquerdista.

“É a esquerdização dos EUA”, dizem alguns. Eu, porém, tendo a analisar quais são os danos morais, irreversíveis, da passagem pela presidência de um sujeito como Obama, o qual já declarou apoio às manifestações mencionadas.

Agora, se o leitor quer assunto de verdade, longe do amestramento meramente ativista, leia então estes texto aqui, aqui e aqui.

Japão, Israel e EUA

Há alguns meses, escrevi:

“Se, como revelou o Charles Gomes, os samurais cristãos foram disseminados pelo absolutismo monárquico, que instaurou por quatro séculos a barbárie e incivilização, é certo que a Constituição Japonesa de 1947 definiu o início da monarquia nos moldes ingleses e a implementação de valores cristãos em uma sociedade assolada pela decadência das religiões orientais. A Constituição Japonesa se mantém inerte, com seus pontos fundamentais inalterados e recostados na reverência de uma nação à magnitude de princípios inafastáveis, pois que evidentemente superiores.

Eis o que separa o Japão que apoiou nazistas do Japão que apoia Israel.”

Explica novamente o Charles:

“O caso se aplica? Para quem não entende de história sim. Na Batalha de Saipan, segundo o historiador Herbert Bix, o Imperador Hirohito ordenou que todos os civis cometessem suicídio, e cerca de 22 mil civis, dos 25 mil que viviam na ilha, obedeceram. Em Okinawa, 1/3 da população da ilha cometeu suicídio (algumas vezes em ataques suicidas comandados por militares). Isso sem contar as baixas só do exército, onde muito poucos de milhares sobreviviam, para se ter idéia em Iwo Jima, de 19 mil soldados japoneses, apenas 200 sobreviveram, e em Saipan, dos 31 mil, 921 mantiveram a vida.¹

A linha entre militar e civil era embaçada devido a religião e código militar dos japoneses, uma invasão poderia causar um grande genocídio, além claro, de baixas americanas. Aliás, é complicado achar um inimigo de guerra que após a derrota do outro, ajudou o seu inimigo a se recuperar, é talvez por isso, que o anti-americanismo nesse caso é mais forte aqui que no Japão, que hoje é um aliado americano.

A vida de milhares em Hiroshima e Nagasaki ajudou a salvar milhares de outras e até o Japão. Foi um sacrifício heróico e eficiente e uma decisão muito difícil que quem critica muitas vezes não percebe (e não quer perceber) as nuances, afinal, se quer ser popular entre os intelectuais brasileiros seja como o professor Carlão, que é mais um comediante stand-up que um professor.”

11 de Setembro, há dez anos

Na escola, em plena aula de Geografia Nacional, estava eu sentado quando outro professor aterrorizado nos avisa, ofegante, escancarando a porta: “os Estados Unidos estão sendo atacados!”. Se naquela época, influenciado por poucas mentes, já tinha a leve noção das sutilezas do esquerdismo enquanto fomentador de culturalismos (conceito contudo que ainda não conseguia definir), foi no instante posterior, minutos após, em que se clareou acerca da efetividade de uma educação escolar que abrangia da demonização do mérito à exaltação de Mao enquanto pacificador político. Crianças, corremos todos à sala central, onde estava ligada uma TV. O choque era total, e atemorizados estavam todos perante as cenas que muitos julgavam ser mera fantasia – e, veja, já à época, uma manipulação propagandística e ideológica americana. Os professores estavam evidentemente sorridentes, como que presentes em um espetáculo que, se gratuito, proporcionava grandes emoções dignas de serem eternamente relembradas. Choca-se o segundo avião. Os mestres, em contraste aos alunos ali presentes, gritam adolescentemente, aplaudem e, não menos que em segundos, fazem piadas sobre como e em quais circunstâncias esse ato poderia se dar como “uma primeira derrota estadunidense”, para se usar as palavras opulentas.

Tal comportamento resplandecia entretanto uma característica essencial de povos assumidamente oprimidos, segundo critérios que se elencados poderiam compor teses e prosas. Os jornais mostravam, eis que perfidamente, palestinos, islâmicos, franceses, bolivianos, chineses, peruanos e outros povos em verdadeira comemoração daquilo que se viu. Churrascos eram promovidos nos diretórios acadêmicos e em sedes de partidos. Palestinos saltavam às ruas, conclamando o fim da era de opressão. Bolivianos, magros e esfomeados, aparentemente decadentes à frente de ruas destruídas e de aparência fétida, gritavam com felicidade talvez a mesma mensagem de esperança.

A beleza de não entender certas coisas quando se é menor é ter a imagem como que fincada na memória, o que nos permite uma análise posterior talvez mais acurada. Hoje, a observação do “11 de setembro” como o dia em que se almejou a derrocada americana não passa de vislumbres irrelevantes, cujos detalhes se inclinam a novos atentados que, por fim, proporcionarão novos espetáculos. Por meio das redes sociais tenho contato com alguns daqueles professores. E tenho assegurado que a perversidade comemorativa de antes é atualmente a vergonha que desmascara a retórica do humanismo enquanto afirmação política, os quais são adeptos em massa.

Os atentados de 11 de setembro é a pura expressão da batalha e do abismo que existe entre a civilização e os bárbaros, entre a consagração da moral ocidental e a subjugação do animalismo ao exercício de atos homicidas. Se houve revelações, revelou-se então a sordidez e os limites que delimitam os motivos pelos quais o ocidentalismo é menosprezado enquanto afirmação de valores incompatíveis com determinados credos, dos quais incluo aqui o esquerdismo. A esquerda louvou os atentados terroristas e continua a reverenciar seus mentores, mas esqueceu que veio dos atentados a derrota virtual, mas gradativa e inevitável, do socialismo europeu. Foi com a visualização dos limites civilizatórios que em discussões parlamentares foram reconhecidos os erros de políticas de controle de natalidade fomentadas pelo Estado, dentre os quais as últimas reformas da chamada “baixa Europa”.

Quem diria que, após 10 anos da proclamação pela esquerda do fim dos valores ocidentais, viriam alguns países declarar como crime a negação do genocídio comunista? Ou que o multiculturalismo, amado desde sempre pela esquerda, viria a ser negado pela maior autoridade política europeia da atualidade? A dança continua, mas os aplausos à barbárie serão mais uma vez ouvidos. Disso, tenha certeza.