Não sou um entusiasta; ou “conservadorismo juvenil”

Escrito em 19 de setembro de 2011.

Já afirmei diversas vezes, e quem me conhece sabe que de fato prezo por esta máxima, que se você deseja a seriedade em qualquer movimento, ainda que seja a reunião de tudo o que há de pior e melhor no mundo político, vá para longe do Brasil. Do liberalismo econômico ao conservadorismo político, a apresentação de novas figuras (dotadas de uma facilidade de acomodação das próprias redes sociais) implica na apresentação de novos problemas, tal como na constatação de novos desafios.

Nelson Rodrigues há décadas já afirmava que aquele que confia no jovem é um louco. Roberto Campos, na década de 80, afirmava que o problema do liberalismo brasileiro é sua inexperiência política (pois que defendida por jovens). O ortodoxo Dostoievski afirmava que os jovens têm a paixão das crianças, e também sua imaturidade. E se há algo que abarrota os meios conservadores atuais são jovens que, se imaturos ou de fato já esquecidos de que conservadorismo significa o estudo filosófico, conseguem antes eliminar de vez qualquer chance de prorrogação daquilo que se observa como um levante conservador, tendente à organização política. Não sou e provavelmente não serei um entusiasta desse ressurgimento. A volúpia das redes sociais, sua facilidade em deturpações e a inexistência de centro de estudos específicos me fazem pensar se a criação dos mesmos seria a criação de clubinhos juvenis, abarrotados de sonhadores que, muitas vezes, possuem o mesmo ímpeto e técnica revolucionários.

“Não gosto de Pedro Sette-Câmara, menos ainda de Leonardo Bruno, estes acomodados”, foi a frase de um jovem que no ativismo tentou explicar sua natureza inquieta. Para o tal – e tenho em mente que outros milhares pensam da mesma forma – a reflexão meramente teórica, justamente a mesma reflexão que descambou na consolidação do conservadorismo americano, faz parte de uma praxis subjetiva, porém essencialmente coletivista. Significa dizer, caros, que as novas bolhas conservadoras recentemente formadas contêm em si a mesma e igual perspectiva dos movimentos de esquerda, tão somente alterada a causa e suas implicações no mundo partidário, mas mantidas as consequências finais no anseio do poder.

Todos os grandes centros conservadores formados a partir da era Reagan foram por duas décadas avessos à politização e partidarização da intelectualidade conservadora. Em outros termos, relata-se que a teorização conservadora, sua concretização filosófica, antecede a uma formação conservadora partidária, que tão somente se alimenta de estruturas teóricas identificáveis e amparadas em estudos previamente analisados, discutidos, relevados, que se de fato incompatíveis com a tese conservadora são, portanto, descartados à luz de posições maturadas. A independência – ou, no máximo, a politização em partidos simbólicos – ressalta a natureza teórica do conservadorismo.

O conservadorismo é teorizador, e escapar desse pressuposto é decretar já de antemão o confinamento de qualquer movimento conservativista à sua diminuição tal qual um movimento de cunho estritamente ideológico, que não observa nada além da própria ambição politizadora. A ideologização do conservadorismo, seu amestramento a uma etapa diminuta e dissimulada da política, exige ao menos a consideração partidária em mesmo norte dos movimentos conservadores ingleses, hoje irrelevantes, hoje engolidos pelos discursos somente aqui e ali válidos na conjuntura política europeia. O afastamento da teorização é a destruição de qualquer pretexto conservador, e Voegelin já na década de 40 nos mostrava que política e intelectualidade somente se demonstram amigáveis se acompanhados de uma maturidade filosófica, escorada antes na maturidade individual.

Anúncios

O que é uma universidade brasileira?

Concordo com Bertrand: a esquerda é gado histérico. A defesa, aliás, dos pontos assumidos por Bertrand fazem todo o sentido: a reforma agrária enquanto movimento político; o assistencialismo que fabrica vagabundos; a República conduz inevitavelmente ao totalitarismo; o ambientalismo é firula da politicalha; comunismo, nazismo e fascismo tem a mesma base ideológica socialista.

Agora vejam o que acontece quando o colocam em meio ao esterco:

http://www.youtube.com/watch?v=gQMRcM766xQ

Não sou um entusiasta; ou “conservadorismo juvenil”

Já afirmei diversas vezes, e quem me conhece sabe que de fato prezo por esta máxima, que se você deseja a seriedade em qualquer movimento, ainda que seja a reunião de tudo o que há de pior e melhor no mundo político, vá para longe do Brasil. Do liberalismo econômico ao conservadorismo político, a apresentação de novas figuras (dotadas de uma facilidade de acomodação das próprias redes sociais) implica na apresentação de novos problemas, tal como na constatação de novos desafios.

Nelson Rodrigues há décadas já afirmava que aquele que confia no jovem é um louco. Roberto Campos, na década de 80, afirmava que o problema do liberalismo brasileiro é sua inexperiência política (pois que defendida por jovens). O ortodoxo Dostoievski afirmava que os jovens têm a paixão das crianças, e também sua imaturidade. E se há algo que abarrota os meios conservadores atuais são jovens que, se imaturos ou de fato já esquecidos de que conservadorismo significa o estudo filosófico, conseguem antes eliminar de vez qualquer chance de prorrogação daquilo que se observa como um levante conservador, tendente à organização política. Não sou e provavelmente não serei um entusiasta desse ressurgimento. A volúpia das redes sociais, sua facilidade em deturpações e a inexistência de centro de estudos específicos me fazem pensar se a criação dos mesmos seria a criação de clubinhos juvenis, abarrotados de sonhadores que, muitas vezes, possuem o mesmo ímpeto e técnica revolucionários.

“Não gosto de Pedro Sette-Câmara, menos ainda de Leonardo Bruno, estes acomodados”, foi a frase de um jovem que no ativismo tentou explicar sua natureza inquieta. Para o tal – e tenho em mente que outros milhares pensam da mesma forma – a reflexão meramente teórica, justamente a mesma reflexão que descambou na consolidação do conservadorismo americano, faz parte de uma praxis subjetiva, porém essencialmente coletivista. Significa dizer, caros, que as novas bolhas conservadoras recentemente formadas contêm em si a mesma e igual perspectiva dos movimentos de esquerda, tão somente alterada a causa e suas implicações no mundo partidário, mas mantidas as consequências finais no anseio do poder.

Todos os grandes centros conservadores formados a partir da era Reagan foram por duas décadas avessos à politização e partidarização da intelectualidade conservadora. Em outros termos, relata-se que a teorização conservadora, sua concretização filosófica, antecede a uma formação conservadora partidária, que tão somente se alimenta de estruturas teóricas identificáveis e amparadas em estudos previamente analisados, discutidos, relevados, que se de fato incompatíveis com a tese conservadora são, portanto, descartados à luz de posições maturadas. A independência – ou, no máximo, a politização em partidos simbólicos – ressalta a natureza teórica do conservadorismo.

O conservadorismo é teorizador, e escapar desse pressuposto é decretar já de antemão o confinamento de qualquer movimento conservativista à sua diminuição tal qual um movimento de cunho estritamente ideológico, que não observa nada além da própria ambição politizadora. A ideologização do conservadorismo, seu amestramento a uma etapa diminuta e dissimulada da política, exige ao menos a consideração partidária em mesmo norte dos movimentos conservadores ingleses, hoje irrelevantes, hoje engolidos pelos discursos somente aqui e ali válidos na conjuntura política europeia. O afastamento da teorização é a destruição de qualquer pretexto conservador, e Voegelin já na década de 40 nos mostrava que política e intelectualidade somente se demonstram amigáveis se acompanhados de uma maturidade filosófica, escorada antes na maturidade individual.

Breivik concede um presente a outros genocidas

Os fatos não importam, e sejam quais forem as conclusões finais, Anders Behring Breivik será contado na história como um cristão fundamentalista, que influenciado pela direita percorre ideias que vão do anti-islamismo à condenação da imigração dos países africanos. Breivik então se tornou mais um cristão fundamentalista na mesma esteira de outros pastores, padres, bispos e presbíteros que pregam do animalismo do Islã à decadência inevitável do multiculturalismo. “São todos iguais”, gritam.

Significa dizer, caros leitores, que alguns dos pontos mais alavancados pela imprensa são de fato assuntos pertinentes, senão já constatados em centenas de obras publicadas. Breivik, tal como qualquer ativista, tão somente seguiu preceitos que, se válidos e inválidos, são defendidos por grandes nomes do conhecimento, nomes estes também odiados por quem necessita construir e fazer do pluralismo a gênese da chamada “nova civilização”.

Se me perguntarem um dia: “você viu aquele louco que falou isso e aquilo?”, não hesitarei em responder que a loucura de Breivik foi ter matado crianças, adultos e idosos como um autêntico revolucionário, mas que suas teorias, bem, nisso podemos ter alguma convergência. Essa é uma questão importante, pois não dou alguns meses para que seu manifesto de mil e quinhentas páginas seja considerado o novo Mein Kampf do Século XXI. E ai de quem tenha interesse em lê-lo.

A situação é instigante. Breivik abriu espaço para que o conservadorismo seja tratado, definitivamente, como uma ideologia que gera caos e loucuras das mais diversas, e não me espanta que já os conservadores sejam equiparados a verdadeiros nazistas (mesmo que suas ideias sejam de fato opostas). Perde também o cristianismo, que será citado. Foi aberto um novo campo de discussão antes inexistente: com Breivik, o Ocidente agora terá seu primeiro terrorista em prol de causas [inicialmente] ocidentais, ainda que o modus operandi seja caracteristicamente revolucionário; ainda que o nazismo seja uma ideologia partidária coletivista e estatizante; ainda que o darwinismo, conforme disse o próprio, seja então sua religião.

Breve resumo do seu conservadorismo segundo a História Tupiniquim

Edmund Burke o primeiro conservador? Somente nos livros de História Tupiniquim.

Se o conservadorismo medievalista se inclinava aos poderes monárquicos e rechaçava qualquer forma de descentralização da influência aristocrática – o que culminou na reprovação total da Revolução Francesa -, no Século XIX o conservadorismo encontrou sua fundamentação nacionalista e constituidora de valores estritamente individuais, os quais não deveriam de se entrelaçar às barbaridades vizinhas. Germânicos não haveriam de estabelecer quaisquer parâmetros de comparação para com os bárbaros britânicos, e Nietzsche seria um conservador à sua época.

Mas os livros de História Tupiniquim também nos ensinam que o conservadorismo da Segunda Guerra Mundial era anticomunista, concepção que inevitável e irrefutavelmente faz dos conservadores fascistas inescrupulosos e ávidos destruidores dos ímpetos sociais. Apesar de contrariar todos os principais estudos estrangeiros acerca do tema, a História Tupiniquim deve ser lida através das lentes da Revolução; e somente um néscio negaria que todo, absolutamente todo conservador é um fascista em potencial.

O filósofo, cientista, matemático, intelectual, pintor, teórico, poeta e ambientalista Emir Sader diz o mesmo.

Já na década de 70 ressurge o conservadorismo que preza pelo legalismo constitucional, baseado em valores familiares cujos alicerces estariam vinculados aos princípios cristãos reformados. Considerada a última faceta conservadora e que melhor expressa todas as antecedentes, o conservadorismo atual é impensável em detrimento de qualquer que seja a concepção anti-religare e está intrigantemente fincada nos argumentos teológicos calvinistas. Individualismo, meritocracia, caridade privada e laissez-faire podem ser considerados adornos da total ausência conscientizadora do Estado, que estaria por definir suas políticas em um campo de meros pragmatismos individualmente irrelevantes.

Escolha o seu conservadorismo.

Do liberalismo econômico em seu animalismo moral

Se os termos políticos “esquerda” e “direita” são considerados ultrapassados, o mesmo não se pode dizer do “liberalismo” e “conservadorismo”. Não se iluda, caro leitor: a liberalização total de todos os atos que envolvem valores morais não é somente uma ansiedade “esquerdista”, mas também a tendência daqueles que, alheios aos princípios cristãos formuladores da cultura ocidental, visam a ausência progressiva de culpa individual aliada ao mercado destituído de qualquer influência do Estado. Podemos dizer que a “direita” tupiniquim (e utilizo tal termo sabido de sua irrelevância política no Brasil) alinha-se ao liberalismo, nunca ao conservadorismo, o qual figura inevitavelmente nas rédeas dos Cristianismo, pelo qual são formados parâmetros essenciais à constituição social.

Assim como o esquerdismo se utiliza do Estado para justificar e legalizar atividades degradantes e animalizantes do indivíduo, o liberalismo se utiliza da ausência de Estado para que retoricamente haja a decorrente ausência de valores morais aptos à estruturação familiar. Enquanto o esquerdismo se apoia na burocracia estatal para aprofundar reformas moralmente anticristãs, o liberalismo se utiliza de argumentos corriqueiros no afastamento de toda e qualquer coerção social ao indivíduo que escolhe exercer determinada atividade moralmente reprovável.