Victor Hugo

Setembro, 2016.

Após o término da minha quarta leitura de Os Irmãos Karamazov – convenço-me de que o lerei novamente -, passei à leitura mais atenta de Os Miseráveis de Victor Hugo. É necessário dizer: a chamada “prosa poética”, característica marcante do estilo de escrita de V. Hugo, não me agrada tanto quanto o estilo do russo.

Não só não me agrada como considero irritante, artificial. Considero-a cansativa e “muito piedosa”, embora reconheça o mérito pelas construções de enredo que prende a atenção justamente pela singeleza da descrição.

A contraposição a Dostoiésvki é evidente: em sendo energético e muitas vezes histérico, transpondo aos diálogos a aflição dos personagens e a aflição do ambiente, Dostoiésvki não economiza palavras quando necessita demonstrar ao leitor a que veio determinada cena, ou a que não vieram as reações esperadas e óbvias.

Prefiro o russo. Se quiser enredo retilíneo, parto para Tolkien.

Infelizmente não tenho mais paciência para Os Miseráveis e me arrependo ainda mais de ter adquirido a horrenda edição da Cosac Naify, tão conhecida por sua boa qualidade, mas que em Os Miseráveis resolveu economizar alguns trocados.