Caderno rabiscado

Talvez seja verdade que a escrita manual habilite ao escritor novas formas criativas, como se a lentidação da formação das palavras desse a oportunidade de prever e estudar o que vem a seguir. Não obstante a preguiça na escrita cursiva, é certo que a rapidez da digitação corrobora erros sucessivos facilmente corrigidos pela “anulação da palavra”, quando o ideal seria refletir se o erro anterior (por exemplo, um diálogo irrelevante) não foi fruto de uma disposição do narrador em trazer à trama algo a ser contado de forma diversa. Não vejo qualquer saudosismo nos cadernos rabiscados, muito embora reconheça que a análise, pelo escritor, de sua própria obra tenha melhor aproveitamento nos erros que podem ser a qualquer momento consultados, ponderados e reestudados. E reecontrar velhos erros é o passo essencial ao escritor que lê coisas antigas e as repele por serem “de outra época”.