Discurseira

Se você sabe escrever e não tirou boa nota no Enem 2015, não fique triste: você foi diminuído pela concorrência de ex-adolescentes agora já conscientizados de todos, absolutamente todos os problemas do mundo. Os exemplos desta matéria beiram o ridículo, mas ao menos traz aos olhos de qualquer um que o Enem é ferramenta de doutrinação. É possível uma redação tirar nota máxima com erros de concordância? Sim, é possível. É plenamente possível que ocorram erros grotescos de posição de oração pelo simples motivo de que as ideias anteriores não foram concatenadas, mas sim jogadas ao vento? É possível. Trata-se de um discurso montado em cursinhos, pautado nas orientações animalizadas de professores cujas técnicas primárias de redação expõem a deficiência literária nacional.

A debilidade de determinada estrutura gramatical vai muito além da imputação de regras específicas. Dou um exemplo: o gerundismo é gramaticalmente justificável, porém não passa de um resquício de falhas de leitura e não só de escrita. Trata-se de característica do leitor de evento, passageiro, que de fato não lê o suficiente para perceber as estruturas que substituiriam essa “técnica”. Uma das vantagens palpáveis dessa debilidade é transpor uma ideia sem trazê-la ao campo dos erros reprováveis, como se fosse um artifício às crianças em processo de alfabetização. Os professores, é óbvio, sabem disso. É muito fácil identificar textos de maus leitores.

Eles não escreveram em blogs. 

Implore por mais Estado e garanta sua vaga.


Amanda Carvalho Maia Castro:

“Dessa forma, os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, pois estavam dentro da construção social advinda da ditadura do patriarcado. […] Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino.

Anna Beatriz Alvares Simões Wreden:

“Ao longo da formação do território brasileiro, o patriarcalismo sempre esteve presente, como por exemplo na posição do ‘Senhor do Engenho’, consequentemente foi criada uma noção de inferioridade da mulher em relação ao homem. […] Nessa perspectiva, muitos indivíduos ao verem essa ineficiência continuam violentando as mulheres e não são punidos. Assim, essas são alvos de torturas psicológicas e abusos sexuais em diversos locais, como em casa e no trabalho.”

Caio Nobuyoshi Koga:

“O pensamento conservador, machista e misógino é fruto do patriarcalismo e deve ser combatido a fim de impedir a violência contra aquelas que historicamente sofreram e foram oprimidas. Para esse fim, é necessário que o Estado aplique corretamente a lei, acolhendo e atendendo a vítima e punindo o violentador, além de promover a conscientização nas escolas sobre a igualdade de gênero e sobre a violência contra a mulher. Cabe à sociedade civil, o apoio às mulheres e aos movimentos feministas que protegem as mulheres e defendem os seus direitos, expondo a postura machista da sociedade. Dessa maneira, com apoio do Estado e da sociedade, aliado ao debate sobre a igualdade de gênero, é possível acabar com a violência contra a mulher.”

José Miguel Zanetti Trigueiros:

“Também é alarmante os casos que envolvem turismo sexual. Durante a Copa do Mundo de 2014, houve um grande fluxo de estrangeiros para o Brasil. Muitos vêm apenas para se relacionar com as mulheres brasileiras, algo ilegal, que que prostituição é crime. Não bastasse, o pior é o envolvimento de menores de idade. Inúmeros motivos colocam crianças e adolescentes nessa vida, como o abandono familiar, o aliciamento por terceiros e até sequestros.”

Sofia Dolabela Cunha Saúde Belém:

“Tendo em vista as causas dos altos índices de violência contra a mulher no Brasil, é necessário que haja intervenção governamental para aprimorar os órgãos de defesa contra tais crimes, de modo a tornar o atendimento mais rápido e atencioso. O mais importante, no entanto, é atingir a origem do problema e instituir em escolas aulas obrigatórias sobre igualdade de gênero, apresentando de forma mais simples conceitos desenvolvidos, por exemplo, por Simone de Beauvoir, de modo a desconstruir desde cedo ideias preconceituosas que são potenciais estimulantes para futuros comportamentos violentos.”

Valéria da Silva Alves:

“Diante disso, as famílias brasileiras com acesso restrito à informação globalizada ou desavisadas a respeito dos direitos humanos continuam a pôr em prática atos atrozes em direção àquela que deveria ser o centro de gravitação do lar. […] Desde os primórdios, nas primeiras sociedades formadas na Antiguidade até hoje, a mulher luta por liberdade, representatividade e respeito. O Estado pode contribuir nessa conquista ao investir em ONGs voltadas à defesa dos direitos femininos e ao mobilizar campanhas e palestras públicas em escolas, comunidades e na mídia, objetivando a exposição da problemática e o debate acerca do respeito aos direitos femininos. É importante também a criação de um projeto visando a distribuição de histórias em quadrinhos e livros nas escolas, conscientizando as crianças e jovens sobre a ‘igualdade de gênero’ de forma interativa e divertida.”

Izadora Peter Furtado:

“No entanto, o que se observa em diversas partes do país, é a gritante diferença entre os salários de homens e mulheres, principalmente se estas foram negras. Esse fato causa extrema decepção e constrangimento a elas, as quais sentem-se inseguras e sem ter a quem recorrer. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para solucionar a problemática.”