Ensinamento pascal

Na Páscoa, o não religioso lança ao vento, como quem nada quer, suas eventuais justificativas sobre o motivo pelo qual comemora uma data que não deve ser comemorada. Ao ver religiosos relembrando a data festiva, cujo motivo é tão óbvio, prontamente o não religioso se antecipa: “não fui manipulado pelo seu deus”. Justifica-se com motivos tais apenas suficientes para ressaltar aquele velho sorriso de canto-de-boca, daquele que se faz de convencido diante de um escárnio amador. A verdade é uma, apenas: comemora porque a seriedade da data não o afasta do conforto da festividade. Ao denunciar aquela “frivolidade dos religiosos”, nada mais faz que antecipar desculpas sempre presentes e sempre ditas, uma vez que não deve ele, o não religioso, ir de encontro ao conforto dos feriados religiosos ou de uma boa comida. Não. Deve ele esbaldar-se com dedo riste, iluminando a todos sobre os erros da festa. Com a barriga cheia e convencido de que não é parte da festa religiosa, retorna ao afazeres e às críticas à fé no dia seguinte, sabido de que terá um novo infortúnio numa data futura cujas justificativas deverão ser outras, sem o pecado de repetir a retórica já outrora utilizada.