O natal pobre

A aproximação do Natal faz retumbar perante a esquerda o sentimento de que a pobreza é uma virtude e o pobre, um herói. Nada fora do normal, não fosse a divinização que circunda a emoção dos tais como uma panela de pressão cujo ápice ocorre justamente no dia 25 de dezembro. Os mendigos, monumentos espirituais que ressobram a sobriedade que acompanha o caminho do paraíso, são costumeiramente retratados como um antagonismo à bonança e alegria das celebrações natalinas. Leia-se, fazem não tanto uma crítica ao “consumismo natalismo”, mas sim uma crítica aos cristãos que felizes se reúnem com seus familiares sem chorar pela desgraça do andarilho. Aparentar o choro de ode à pobreza, travestido de homenagem de condolência ao sofrimento, é verdadeiramente um dom inafastável dos socialistas cristianizados. Ocorre que aquele que ama a proximidade com a decadência bajula a teatralidade da observação do pobre, o que instiga a sensibilidade do locutor que deseja sanar os males do mundo com o dedo riste à família ali sentada à mesa, que feliz se farta na ceia natalina. Grave pecado!

O alimento das narrativas natalinas de culto à pobreza, à mendigagem e à decadência possui, em letras pequenas, o rodapé de uma crítica da felicidade cristã aflorada na data festiva. Se os cristãos um dia resolvessem todos chorar pelo embriagado em frente à catedral teriam os socialistas cristianizados que condenar o “excesso de caridade e preocupação” para com os pobres e criar outro modo de condenar a reunião familiar, os agradecimentos e a rememoração do nascimento de Cristo.