Breves dilemas do homicida

Os abortistas vivem um dilema inevitável, que só pode terminar no reconhecimento de que o aborto intrauterino (é bom que se faça essa especificação, considerando as hipóteses do chamado “aborto pós-nascimento”) é assassinato, ainda que fundamentado nas razões consideradas mais nobres. Eis que cresce entre as feministas o elogio à gestação artificial, possibilitada através da “tecnologia da geração do feto em câmaras de gestação”. O ode à independência total da mulher. Contudo, quando será possível assassiná-lo? Quando será possível terminar sua vida em prol de uma justificativa qualquer, pautada na autodeterminação do corpo feminino? Ou estranhamente o feto fora do útero materno teria mais direito à vida que o feto que cresce no útero da mulher, então subjugado à vontade da mãe que por um lapso moral e espiritual decide extirpá-lo? A contradição será suscitada em breve e irá favorecer o abandono teórico e ético de que o aborto, quando realizado, não significa o desrespeito para com o direito inalienável à vida do embrião. Mas não me espantaria se ainda na gestação artificial seja dado por “coisa” o feto até a 12ª semana, quando muito bem poderia ele ser descartado sem ser necessário um funeral adequado. Sou otimista: o reconhecimento de que aborto é homicídio parte da premissa de que o corpo da mulher, já totalmente “libertado da praga da gestação”, em nada corresponde com a vida do feto. A libertação total corroboraria, portanto, a visão de que o início da vida é um mistério que não cabe à lei definir. Tratar-se-ia tudo de um ímpeto deliberado à irresponsabilidade da criação de um novo ser humano mediante a reprovação de uma conduta sanguinária das abortistas. Enquanto irresponsáveis e homicidas, mais válido é que o ser humano em formação seja então considerado vida plena, e não só uma “vida em formação”. Por enquanto, contudo, apenas mantenho as esperanças de que o sentimento abortista seja considerado um problema de conduta, igualmente punível, tal qual qualquer um que atente contra a vida do próximo.