Sobre o inocente ilustrador, em sua inocente ilustração

A poder da ilustração e o poder ilustrativo das cartilhas tem seu espaço geralmente na simplificação intencional dos fatos para o convencimento despretensioso de crianças e jovens. A reeducação esclarecedora não teria seu potencial de convencimento sem a fatídica releitura dos acontecimentos; uma reformulação modesta cuja forma jocosa tem por finalidade aproximar a inocência infantil da intenção do autor, seja ela qual for. Desse modo, a evidente imaturidade das ilustrações deve ser vista como isca ao jovem desatento à finalidade dessa “renegociação histórica”, ainda que sem base documental alguma e contrária à historicidade.

Essa despretensão investe o autor da inocência perante o erro, absolvendo-o sobre o equívoco proposital. Dir-se-ia, certamente, que a ilustração não partiu de uma leitura histórica fidedigna, mas de uma desconstrução meramente informativa sobre uma análise subjetiva e, portanto, sanável diante da informalidade do ensino ali contido. Qualquer erro e qualquer absurdo não teria peso à descredibilização da ilustração, porquanto a irresponsabilidade intencional viabiliza (como em qualquer área) o descrédito. O autor, não obstante a “clareza de uma ideia aparentemente inovadora”, não obstante demonstrando certa superação em revelar ao jovem o real intento do que se acobertava, consegue expor o erro de maneira que todo aquele que vê o erro é ele próprio alguém que não conseguiu absorver a ironia da situação.

Se há algo básico no mundo editorial é isto: para se afastar a ignorância ou desconhecimento completo, basta que se ponha na conta das piadas.