A medalha masculina de Caitlyn Jenner

Bruce Jenner se tornou Caitlyn Jenner. A reação feminista natural ao caso foi de ode à revelação já esperada; o anúncio sempre aguardado da mulher em corpo de homem. “Caitlyn Jenner sempre foi uma mulher”, é o que se diz. Desesperadamente afirmam que Jenner fora, sempre, biologicamente uma mulher. Enfim revelada transsexual, em verdade tratar-se-ia de uma mulher ainda que não aceita pela sociedade e pela mídia. Enfim, disse Jenner indo ao encontro de seus pares: “por todas as intenções e motivos, eu sou uma mulher”.

Discute-se se o problema é biológico, psicológico ou ontológico. A questão remanescente é, porém: Caitlyn Jenner irá devolver a medalha olímpica de 1976? Terá a Comissão Olímpica Internacional coragem de revogar os resultados da época, quanto então Caitlyn Jenner teria dissimulado sua condição de real mulher? Ou à época (pressuponho), a questão biológica ainda não perfazia a dubiedade psicológica do [antigo] Bruce Jenner, não sendo motivo específico para uma petição por fraude? Ou não se fala em fraude na dubiedade sexual através da certeza biológica, porquanto à época Bruce Jenner era impelido a aceitar uma condição humana que não correspondia aos seus anseios mais íntimos e inexprimíveis?

Vejamos a quais consequências nos levam a nova sexualidade do século.