“Civilização galáctica”

Mas o Mensageiro Sideral prefere pensar que todo o conceito da escala de Kardashev é, em si, meio ultrapassado. Ele vem de uma época em que só se pensava em aumentar o consumo e a oferta de energia, numa escalada incontornável. Hoje a tal civilização 0,7, portanto modesta em termos de dispêndio energético, discute com afinco o conceito de desenvolvimento sustentável, que se resume basicamente a fazer mais com menos. […] De toda forma, é sempre divertido ver os cientistas pensando fora da caixinha para responder a essas questões. No fundo, a discussão é sobre nós mesmos e nosso futuro. Pode a humanidade eventualmente se tornar a civilização galáctica da Via Láctea? Estamos condenados à auto-destruição? Ou chegamos tarde para a festa e outra civilização já tomou conta do nosso canto do Universo?“.

Quando contaminados pelo ridículo, os argumentos aparentemente científicos fazem a conversão sem retorno às conjecturas mais infantis. Ainda que permeada pela autoridade do “estudo científico”, a retórica cientificista abraça o absurdo da “verificação de argumento” (campo intrinsecamente filosófico), totalmente oposta à verificação metodológica. Pretendem eles que o argumento por si só seja tese e, como tese, também seja contemplada pela seriedade que permeiam as refutações do método, prova e conclusão. É nada além que trazer ao achismo o pressuposto da verificação tanto prezada, por exemplo, pela química clássica, cujo abandono foi gradual na medida em que o cientista original se tornou “aquele que gosta de ciências”, e cujo gosto lhe dá credenciais também para tentar filosofar.

O cientificista crê piamente ser um filósofo.

Esse cenário foi favorecido no entorno da histeria política de figuras como Richard Dawkins, que trouxeram ao público médio o vislumbre deficiente de uma ciência que não é ciência, mas propaganda ideológica temperada de neutralidade metodológica. Qualquer absurdo fica acobertado pela tentativa da “descoberta da verdade científica” e qualquer questionamento é categorizado como uma tentativa de negar a seriedade do método cientifico apresentado. Ou seja, a “civilização galáctica” se torna, por fim, uma possibilidade “verificável”.