Eleições

A selvageria do cidadão médio brasileiro e sua impetuosa perseguição à rudeza de costumes me leva a pensar que qualquer eleição presidencial será marcada pela truculência de quem dá mais com a mãos do Estado. Se o brasileiro médio, ou seja, majoritariamente suburbano e culturalmente limitado aos aspectos mais baixos da moral (de fato, um carnavalesco), não repudia os trejeitos afeminados da politicagem regional, inclusive mediante os gritinhos histéricos de “igualdade e concentração de renda”, não há mais a quem recorrer. Se o país enquanto nação se forma e se revela na média do cidadão apto ao voto, e se o voto brasileiro é uma imposição, então não há o que fazer: o voto enquanto direito transformou-se no voto enquanto prerrogativa de exercício da cidadania. E ai daquele que nega a cidadania! Na outra ponta desse meu leve sentimento aristocrático encontro porventura em não muitos números aqueles poucos que, influenciados pelo conservadorismo inglês, tentam explicar à maioria as consequências da servidão ao Estado moderno, servidão que leva à decadência lenta e constante da sensibilidade individual. Sim, agora o cidadão é a multidão e o voto, uma “consciência”. Recorro portanto à sentença já tão antiga quanto essa indignação despretensiosa: o teatro da democracia brasileira decaiu sob chavões dos benefícios genéricos, diluídos em direitos infinitamente proclamados pelos candidatos que aí estão. Vence aquele que melhor convencer o eleitor sobre como o seu dinheiro, via impostos, será repassado a terceiros.