A fome é irrelevante

A grande sina da igreja moderna é evitar que a pobreza real, a fome real e a doença real sejam substituídas pela pobreza, fome e doença enquanto discursos do ativismo evangelista. Outrora assuntos vinculados à missão do Evangelho, hoje é o clamor político mascarado por nuances de evangelismo, porcamente dissimulados por palestrantes em seus atos de clamor popular. O cristianismo tem seu populismo moderno: fale de pobreza, exalte o pobre e terá em mãos a atenção da maioria. A eles, pior que o pecado é a pobreza; pior que a condenação eterna, a fome. A fome é irrelevante e o sofrimento, um detalhe. Aliás, se é pelo sofrimento que muitas vezes nos aproximamos de Deus, que nos dirá aquele que exalta o sofrimento e a pobreza enquanto virtudes inerentes ao cristão? Então, o resto merece a seguinte advertência dos tais: “maior pecado é ter o que comer”. Por isso não rejeito de toda forma as orientações liberais clássicas, donde a pobreza, doença e fome são circunstâncias e condições inerentemente humanas. A situação econômica atual, na qual crianças não trabalham e idosos descansam, é exceção à regra da humanidade. Mas o erro da admissão ponderada da teologia liberal, como vem ocorrendo ano a ano, conduz a denominação aos frangalhos da politização das missões. Os batistas já se foram; estão inundados de jovens sonhadores com o evangelho vermelho. Os presbiterianos dia a dia se curvam ao diálogo irresponsável. O fim do trajeto é a corroboração do evangelho pela caridade que antecede a Cristo. Vão dar primeiro o pão e depois oferecer a mensagem da Graça, não sem antes apresentar as vítimas e opressores de cada esquina e justificar o ódio afeiçoado em palavras mansas e tolerantes.