Juventude e regresso

A confiança no jovem depende da fragilidade das instituições: a juventude sempre alcança seus fins por meio da pecha revolucionária e dos “sentimentos de mudança”. A fragilidade institucional permeia a decadência moral do Estado, trazendo sobre a histeria juvenil o crédito indevido pela tentativa da sociedade em tomar novos rumos. É o jovem estudante quem melhor apetece toda uma gama de atividades que culminam no desprezo às instituições. A defesa institucional é a crítica à juventude. Não raro que o jovem que siga o trajeto revolucionário estude em áreas humanas as quais, dentro ainda das humanidades, não tem qualquer valor universitário. É ele o estudante de moda, artes, pedagogia e sociologia. É ele o estudante que na inutilidade universitária faz da histeria um fator de conivência entre a ironia política de esquerda e a autodeclaração de um esclarecimento político amador. O desprezo ao conhecimento é até mesmo reconhecido: fruto da ambição, mérito e egoísmo, a perseguição do conhecimento geralmente é tido como uma deficiência de caráter e uma afronta opressora.

Uma vez distante da revolução, a tendência natural do jovem é o amadurecimento que decorre da reflexão das tradições. O jovem que supera a histeria é o jovem que reconhece que conservar as instituições é conservar a civilização; destruí-las, o retorno à revolução degradante e decadente, geradora de distúbios sociais insanáveis. O caminho tem duas vias, sendo mais cômodo o retorno à infantilidade revolucionária. O grito histérico é mais confortável que o silêncio da reflexão. O ativismo ideológico, um ode à justificativa da intelectualidade que se pauta na mudança do que já foi mudado, a reforma do que não entendem.

Muitos questionam o motivo pelo qual os jovens apreciam o discurso revolucionário e marxista. A explicação vem da juventude hegeliana, a qual recomendo sempre revisitar. É característica comum das revoluções (e seus movimentos) o envolvimento direto de jovens excitados pela causa. A causa é ela mesma um fator determinante para a continuidade histérica, conquanto a histeria é sempre contrária a qualquer tradição. A serenidade tradicional é um incômodo à insanidade juvenil, apta a destruir os bons frutos em nome da árvore contaminada, porém chamativa. A tradição civilizacional é oposta às intenções juvenis porque antecede os anseios da imaturidade, baseada na reforma incessante de qualquer traço conservador.

Dizer-se conservador sendo jovem é trabalho árduo no ambiente juvenil e transparece a desconfiança inevitável de qualquer sentimento de bondade política. Ai do jovem que desconfia da justiça social! Porém, o labor da intelectualidade conservadora sempre acomete no jovem a tendência ao isolamento completo. Uma vez percebido acerca da deficiência do pensamento revolucionário, o jovem tende a menosprezar qualquer traço daquilo que outrora significava libertação e progresso. O conservadorismo assumido em meio à juventude é sinal de que nem sempre a bajulação da inconsistência tem peso sobre o indivíduo.

A tendência é idêntica no ambiente religioso. As distorções oriundas dos movimentos liberais foram amplamente contaminadas pela volúpia intelectual do jovem, o qual se via longe e acima das formalidades litúrgicas. Obviamente que para isso tiveram que abandonar doutrinas cristãs básicas, sob pena do retorno iminente à teologia cristã milenar. A juventude em sua revolução eterna também promove e renovação de antigas heresias, tão velhas quanto a própria crítica às instituições religiosas e a igreja constituída. Para perdurar esse trajeto decadente, o agnosticismo e o niilismo espiritual são medidas eficazes, mas praticamente irreversíveis. A correção do erro somente se dá quando o jovem percebe que sua reclamação baseia-se na volúpia das paixões e no menosprezo à seriedade.