“Inquisição”, também segundo Henry Kamen

A quem exigiu por esses dias, peço encarecidas desculpas pela demora na publicação dos estudos sobre “A Inquisição”, de G. Testas e J. Testas, contudo por um motivo nobre: paralelamente ao estudo dos Testas, iniciei “A Inquisição Espanhola”, de Henry Kamen, livro de peso inevitável a quem procura um melhor esclarecimento histórico sobre o tema. Kamen traz uma análise de fato historicista, sem adentrar na validade doutrinária e teológica das proposições inquisitoriais. É, de fato, um livro de esclarecimento e impossível de ser desvinculado da atual visualização incompleta da Inquisição não somente espanhola, mas sul-europeu. A união dos aspectos histórico e doutrinário me parece fundamental. Kamen, por exemplo, explora também a questão judaica e o fenômeno social dos “conversos”, inclusive sobre como a Igreja tratou do assunto na medida em que a Inquisição, autônoma, envidou esforços para se manter financeiramente quando o apoio papal já não mais bastava. É de se entender: a inquisição na Espanha divergia da inquisição portuguesa, esta por ventura divergente da inquisição francesa, ainda mais branda que a inquisição italiana. Qualquer alegação da unicidade inequívoca das “inquisições” merece o desprezo automático do estudioso. O amadorismo no assunto, seja pela dissimulação, seja pela ignorância, parte justamente da unificação temerária entre fenômenos cristãos distintos. É a advertência de Kamen, a qual sigo com cuidado.