Integralistas

Movimentos de evangelização como a Missão Integral possuem o requinte de santidade por meio da pretensão caridosa, sempre presente, de que o Evangelho não se constrói alheio às ações sociais. De fato, a caridade é tão premente nos evangelhos que houve a construção da chamada “caridade cristã”, aquela que permeou grande parte da história da Igreja. Mas a expressão do sentimento de vingança e das exigências revisionistas permitem uma real identificação do viés político da Missão Integral. Em suma, antiamericanismo, proclamação da esquerda política, condenação à teologia, desistematização da doutrina e orientação social e de classe nos atos de pregação. Não obstante o observável, a ganância pelo mérito da caridade é o que mais me espanta, e é daí que surge o problema essencial dos movimentos de estilo. O anonimato, repito, foi abandonado e em seu lugar reposto o mérito não assumido do ativismo social. Não digo que a Missão Integral esteja mergulhada no discurso socialista. O que se observa é a pretensa ignorância do aspecto político, proposital ou não, mediante a reafirmação da pureza da caridade. Movimentos como esse se debruçam na herança perversa da Teologia da Libertação, apesar de negarem incisivamente. Imputam sobre si as atividades sociais tidas por suficientes e fazem do Evangelho o segundo plano que acompanha o chamado da caridade, este sim o sustento de sua popularidade.

Se a caridade é cristã, e se a cristandade se fortaleceu nas proclamações dos atos gratuitos em benefício do próximo, nunca o fez em detrimento do Evangelho, quando a antecipação das virtudes caritativas estava intimamente ligada à vivência pagã. A caridade como elemento central do Evangelho é sentimento moderno, portanto oriundo do afastamento do homem da Verdade revelada. Tratada enquanto elemento máximo do amor cristão, a caridade foi transformada no alicerce em que se calcula os méritos da atividade missionária. Em tempo, não haverá missão sem caridade e o Evangelho estará encarnado no alimento distribuído.

Não obstante, os missionários integralistas tentam refutar, por exemplo, os centros de recuperação de drogados, geralmente instituídos pelas igrejas tradicionais e outras comandadas pela Santa Sé. Fazem-no por entenderem que a suficiência da recuperação não é medida plausível da caridade que acompanha o discurso político, antiamericano. Inclusive, condenando a medida enquanto de “influência americana”. Meu palpite é de que tal dissabor ressurgiu da reanálise do que seria a ação social “contaminada pela evangelização do norte”, tendo em vista a necessidade de instituição de uma “teologia latina”. Também não nego que o motivo, apesar de perverso, está em total consonância com a idealização média do cristão latino-americano, o qual observa o subdesenvolvimento ou como consequência da exploração alheia, ou como situação que promove as virtudes da pobreza e mendicância.

A advertência de Darwin

A citação a seguir foi aquela pela qual os teóricos nazistas justificaram a depuração racial, subentendida na seleção que se pautou nos critérios científicos. A minha aversão a citações seletivas de personagens universais foi suplantada pela curiosidade de perceber que o darwinismo enquanto teoria científica restou mesclado pelo gerenciamento social, também uma preocupação marxista. Aliás, se o marxismo enquanto desenvolvimento natural das teses de Marx se afastou de seu autor primogênito, de igual sorte que o darwinismo há tempos não mais corresponde a C. Darwin. Por isso a comodidade do darwinista em defender a obra de Darwin, sem nunca tê-la lido. Em verdade, defende-se o personagem, no mesmo resquício suprarracional marxista, na idealização profética de seus escritos e justificação cientificista de qualquer equívoco teórico, fenômenos meticulosamente desvendados por Herald Barbuy.

“At some future period, not very distant as measured by centuries, the civilised races of man will almost certainly exterminate, and replace, the savage races throughout the world. At the same time the anthropomorphous apes, as Professor Schaaffhausen has remarked, will no doubt be exterminated. The break between man and his nearest allies will then be wider, for it will intervene between man in a more civilised state, as we may hope, even than the Caucasian, and some ape as low as a baboon, instead of as now between the negro or Australian and the gorilla. […] a higher eminence, in whatever he takes up, than can women—whether requiring deep thought, reason, or imagination, or merely the use of the senses and hands. If two lists were made of the most eminent men and women in poetry, painting, sculpture, music (inclusive of both composition and performance), history, science, and philosophy, with half-a-dozen names under each subject, the two lists would not bear comparison. We may also infer, from the law of the deviation from averages, so well illustrated by Mr. Galton, in his work on “Hereditary Genius” that … the average of mental power in man must be above that of women.”

DARWIN, Charles (1871), The Descent of Man and Selection in Relation to Sex (New York: The Modern Library, reprint).

O fariseu

A mera associação automática dos movimentos evangelistas liberais com a periferia e pobreza, assim submetidos às ações sociais das mais diversas, conscientizadores contumazes e amantes da simplicidade compulsória, já é motivo para desconfiança. A crescente exposição de seus motivos de piedade tem gerado um desconforto que pareciam desconhecer. É, sim, o desconforto da evangelização que não sobrevive sem o descalabro da autoridade social, das palavras de esclarecimento político e da doutrinação de classe. O evangelho é consequência, parte do “programa”, um dos tópicos da “missão”. Por isso é que o evangelismo em periferias contorna o evangelho para se tornar ativismo social, sem contudo sofrer a represália devida a todo e qualquer movimento que se escora na evangelização para disseminar quaisquer outras pautas. A necessidade de definição da ação social enquanto de sentimento puramente secular é premente e urgente. A urgência que perpassa a histeria dos jovens em sua labuta de adolescência, subindo morros não para evangelizar, mas para distribuir conscientização política. Nem digo comida, porque comida é mais rara em outros locais. O missionário que automaticamente vincula o evangelismo à ação social é ele próprio o agente da deturpação que gerou, também, a descaracterização da doutrina. “Que se ensine qualquer besteira, mas com pão e política”, é o sentimento que se observa. Consideraria ainda mais virtuoso se afirmassem que a ação social, bem como a “conscientização”, foi forjada como estratégia evangelística, mas o tempo agora é outro: o missionário crê que não há Evangelho sem caridade, aquela mesma postulada no livro de Tiago, contudo esquecido da proeminência das palavras de Cristo contra aquele que demonstra o que deveria ser anônimo e intransferível. O evangelizador que se proclama grande por praticar ações sociais é ele próprio a versão moderna do fariseu bíblico, justificado na popularidade da medida.

Introdução a “Marxismo e Religião”, de Heraldo Barbuy

O estudo da abrangência do marxismo na atualidade é geralmente focado em duas vertentes distintas: primeiro, o pensamento de Karl Marx vinculado às ciências econômicas (ou seja, a tentativa de demonstração da viabilidade econômica das proposições de Marx e Engels); segundo, a ideologia marxista na influência sociológica e política das culturas e estados, mediante a expansão “ad infinitum” do materialismo dialético a todo e qualquer fenômeno social. A terceira, não obstante esclarecida por Heraldo Barbuy, é ignorada como quem esquece a novidade insuportável do “materialismo” que se faz religioso em todas as suas estruturas de pensamento. Em Marxismo e Religião, Barbuy explica de maneira sistêmica e quase didática os motivos pelos quais o marxismo não deve ser observado como teoria comum inserta no mundo, sequer a mera utopia que, se desmentida, seria imediatamente esquecida por sua inviabilidade. Com a apresentação de tópicos explicativos complementares, Religião e Marxismo tem sua profundidade atestada nos fatos, ficando a sensação de que nos deparamos com uma novidade sem precedentes – apesar de já explorada por Hannah Arendt e Leszek Kołakowski.

A relutância do tratamento metafísico e supramaterial do marxismo talvez esteja relacionada à relutância na assunção do intelectual nas afirmações eminentemente religiosas. De fato, se o marxismo corrobora a utopia no retorno indefinido de justificativas, causas, efeitos e culpados, em mesma sorte é que qualquer prostração intelectual utilize das técnicas religiosa e filosófica para a convalidação da tese que, a princípio, não possui qualquer fundamento. Aliás, o fundamento mesmo da tese marxista, reexplorada indefinidamente, adulterada ou reinventada, parte da pressuposição da eternidade material e da imputação sintomática das revoluções aos critérios de classe. Por isso, comum a análise do marxista contemporâneo que abrange da dominação indígena à sociedade de consumo, forma pela qual a tese se adapta a qualquer fenômeno que tenha por azo a diletância da culpa e o conforto da vítima. O “sentimento marxista”, portanto, é termo que utilizo recorrentemente, à luz do que Heraldo Barbuy considera ser uma visão profética dos escritos de Marx. A relutância marxista para com a religião segue por justa causa sua característica religiosa; o antagonismo que se completa porquanto o marxismo se alimenta do sentimento religioso. É, assim, a extensão do existentecialismo kierkegaardiano ao materialismo levado aos últimos patamares.

“Marxismo” e Marx não devem ser confundidos. Na magnífica obra Main Currents of Marxism, especificamente em The Breakdown, Kołakowski nos orienta a observar o marxismo como teoria que se distanciou de seu mestre, ao ponto de toda e qualquer nova teoria marxista ser mera reutilização teórica de uma deturpação já superada. O caráter profético de Marx em seus escritos merece a observação isolada se queremos chegar à trilha teórica do marxismo no Século XX. Não obstante essa contradição entre teoria e autor, é certo que o fenômeno não foi ignorado pelos marxistas. Isso porque uma das justificativas basilares de qualquer deturpação teórica marxista é coadunar a deturpação a um erro teórico, irrelevante ou inexistente na obra de Marx, não obstante popular entre acadêmicos. Barbuy conclui que a contradição teórica marxista é ela mesma um fenômeno direto dos escritos de Marx.

Marxismo e Religião é dividida em três partes complementares, sendo elas “Profecia e Dialética”, “Marxismo e Religião” e “Marxismo e Desespero”. Assimilar certas estratégias discursivas de Marx depende da correlação entre sua obra e a profetismo característico das obras utópicas da época. Já na apresentação temos o escopo máximo de Marxismo e Religião: a obra, dizendo sobre Marx, veio para afugentar ou esclarecer os cristãos tendentes a entabular no marxismo os pressupostos cristãos que, apesar de inconciliáveis, tornaram-se de utilidade máxima a quem sobrevive das alegações humanistas. De maneira que Marxismo e Religião, mais ainda que obra de mero esclarecimento teórico, é também a orientação devida ao cristão que anda no caminho dúbio do secularismo.

A. Crippa, intitulado amigo de Barbuy, diz a que veio a obra:

“Ao apresentar este ensaio do caro amigo H. Barbuy, não poderia deixar de lembrar a sua importância para os cristãos. Infelizmente, muitos são aqueles que procuram no marxismo justificações para a ação temporal do cristianismo, sem perceberem o absurdo inerente  a uma tal tentativa. Primeiro, porque o que procuram no marxismo é o que Marx tirou do cristianismo. Segundo, marxismo falsifica todas as posições a partir do momento em que põe o materialismo como suporte do sistema. Seu humanismo é falso, como falsos seus ideais sociais. A ordem econômica e política que propõe, mesmo contendo afirmações válidas, é globalmente falsa e anti-humana. Examinando-se o marxismo como um todo, como o faz o prof. Barbuy, pode-se perceber não só sua falsidade, mas o logro em que caíram, por ingenuidade ou burrice, muitos cristãos.”

Heraldo Barbuy, “ao leitor”, adverte:

“Estas considerações, que demonstram o caráter religioso do marxismo, foram sugeridas antes de mais nada pela firme atitude anti-religiosa dos marxistas. Julgando-se emancipados de toda religião – que consideram como sobrevivência histórica – os portadores do socialismo “científico” querem uma ordem social que supere todas as alienações, e extinga os últimos resquícios da vida religiosa. Procurarei dizer que o cristão não pode ser marxista sem ser herética; e que, por outro lado, a apresentação do marxismo e do cristianismo como dois pólos opostos, só tem razão de ser quando ambos são considerando como produtos da mesma temática – uma temática essencialmente cristã – e oriundos da mesma fonte histórica. Porque o marxismo se revela, desde o primeiro exame, como heresia típica do cristianismo. É, no seu conjunto, a versão herética mais recente dos dogmas básicos do cristianismo, a partir do dogma cristão da existência da Humanidade e da concepção cristão do Homem. O marxismo é um Humanismo. Mas a concepção marxista do Homem não é outra coisa senão a degenerescência da concepção cristã do Homem”.

A religião secular, a culto ao personagem e ao Estado, segue prioritariamente o transcendência da tese marxista, a contraposição do materialismo e imaterialismo, os critérios de justificativa marxista que acompanham o mesmo discurso de fé. Barbuy tentou unificar sua percepção do fenômeno, e o fez com total competência. Muito se tem de interessante a relação íntima entre o secularismo religioso, marxismo, cientificismo e Iluminismo. Apesar de ser assunto de conhecimento pleno há décadas, é sempre satisfatório analisar o caminho pelo qual percorre aquele que deseja anular a religião, contudo submetido ao “espírito religioso”. Após os comentários sobre A Inquisição, de J. e G. Testas, Marxismo e Religião será melhor explorada.

Ainda a caridade

A renúncia papal nos oferta também a reafirmação evangélica das figuras mais comoventes, aquelas com as quais a igreja cristã evangélica se identifica e que pode ser resumida na pândega dos grandes pastores americanos. Se a ICAR possui em seu rol de hereges figuras como Gesézio Darci e Carlos Christo, cultuados pelas razões mais evidentes e que nos direcionam ao caminho mais fácil – o esoterismo naturalista -, de igual forma a comunidade evangélica sustenta o peso de Rick Warren e de movimentos tais quais o Movimento Evangélico Progressista e Missão Integral, estes que vincularam o socialismo ideológico à mensagem salvífica, obviamente que no ardor pop da caridade e do igualitarismo econômico. Da renúncia observam-se várias frentes evangélicas de condenação a Bento XVI, no que a distorção aos feitos da igreja medieval usufruem de sua popularidade, principalmente nas denominações carismáticas. Disso é possível observar a discrepância da maturidade evangélica das denominações brasileiras em comparação às denominações europeias, as quais minguam ano a ano. Não seria a decadência da comunidade protestante europeia justamente o espírito reformado em evitar a inovação desnecessária e destrutiva, ainda que isso incorra na extinção comedida da denominação? Na atualidade, a denominação que preza pela simplicidade está fadada ao descaso.

É certo que o cristão evangélico, imbuído de um senso crítico perante a atual catástrofe teológica reformada, irá se debruçar no movimento que condena não só a teologia, mas a práxis cristã milenar em uma tentativa de inovação da renovação protestante, descaracterizando-a por completo mediante a inserção de elementos sofismáticos.

Movimentos progressistas, que têm sobre si o discurso genérico da caridade e dos feitos da bondade, clamam pela juventude e a juventude, apta a não se caracterizar enquanto apoiadora da distorção teológica, abraça apaixonadamente a causa que tem por alicerce o mesmo erro da chamada “heresia universalista”, melhor lembrada pelas obras da Teologia da Libertação. Que ao menos tenha ciência o cristão evangélico adepto desses movimentos que sua crítica à heresia de católicos é de um contrassenso inevitável. Se ao menos reconhecessem que trilham o caminho mais comum e ordinário de uma “revolta velada” às instituições, os jovens teriam então apenas uma única preocupação: estudar o que lhes indica ser um caminho aparentemente mais cristão, apesar de possuir integralmente o espírito anticristão de seus teóricos mais influentes.

Por isso a leitura de Nietzsche se difunde nesses meios como uma “renovação intelectual” que teria por intenção principal a reflexão anti-ortodoxa da crise evangélica. Em nome da crise, reconhecendo que os movimentos evangélicos caminham para a pulverização inevitável, utilizam-se de certos personagens históricos da filosofia, política ou teologia substabelecidos no discurso de que o oposto é o verdadeiro, e a aberração é a santidade perdida. Não desprezo Nietzsche, o qual possui reflexões interessantíssimas, principalmente porque as suas ideias não seguiram os critérios lineares da filosofia comum – a uma conclusão, ao invés de tomar por superada a questão suscitada, Nietzsche retornava a ela, desmentindo seu próprio raciocínio. Desconsidero sim o jovem cristão que o toma como o maior dos cristãos (“porquanto o seu anticristianismo reflete a hipocrisia religiosa de sua época”, é o que se diz), no que se atesta a leitura parcial de sua obra ou, melhor dizendo, a inexistência de sua leitura senão por aquilo que se propaga pela boca de liberais. O amor dos cristãos liberais a Nietzsche, adeptos de movimentos de influência marxista, tem seu motivo esclarecido justamente no anticristianismo do autor, ou, na melhor das hipóteses, na “denúncia” nietzscheana da “falsidade do cristão como seguidor de Cristo”.O cristão liberal não sobrevive sem o sentimento anti-institucional.

Obviamente que o “cristão” nietzscheano citado não é ele próprio o cristão revolucionário, mas o cristão antigo, ainda adepto da teologia [reformada ou medieval] e que por isso não se compatibiliza ao status quo do perfil elementar do jovem esperançoso nas coisas que não importam, aquele que visitou comunidades carentes somente após se deparar com a sedução do discurso político mesclado e mascarado de Evangelho. Ou seja, a caracterização mais básica da falsificação secular da caridade cristã, a qual admite por vezes a substituição da Fé pela mera exteriorização das obras.

A conclusão que se tem parte do pressuposto de que essa faceta cristã não perdura sem inobservância do anonimato. É a histeria ela mesma o amparo da teologia dissolvida na política, corroborada pelos discursos sociais e que culmina no pietismo palpável, porém irrelevante, não obstante convincente.

“Inquisição”, também segundo Henry Kamen

A quem exigiu por esses dias, peço encarecidas desculpas pela demora na publicação dos estudos sobre “A Inquisição”, de G. Testas e J. Testas, contudo por um motivo nobre: paralelamente ao estudo dos Testas, iniciei “A Inquisição Espanhola”, de Henry Kamen, livro de peso inevitável a quem procura um melhor esclarecimento histórico sobre o tema. Kamen traz uma análise de fato historicista, sem adentrar na validade doutrinária e teológica das proposições inquisitoriais. É, de fato, um livro de esclarecimento e impossível de ser desvinculado da atual visualização incompleta da Inquisição não somente espanhola, mas sul-europeu. A união dos aspectos histórico e doutrinário me parece fundamental. Kamen, por exemplo, explora também a questão judaica e o fenômeno social dos “conversos”, inclusive sobre como a Igreja tratou do assunto na medida em que a Inquisição, autônoma, envidou esforços para se manter financeiramente quando o apoio papal já não mais bastava. É de se entender: a inquisição na Espanha divergia da inquisição portuguesa, esta por ventura divergente da inquisição francesa, ainda mais branda que a inquisição italiana. Qualquer alegação da unicidade inequívoca das “inquisições” merece o desprezo automático do estudioso. O amadorismo no assunto, seja pela dissimulação, seja pela ignorância, parte justamente da unificação temerária entre fenômenos cristãos distintos. É a advertência de Kamen, a qual sigo com cuidado.