Ativismo animalesco

Existe uma conclusão inevitável àquele que prefere humanos a animais a serem testados em laboratório: mais vale um animal fofinho que o ser humano, o qual “tem destruído a natureza e, por isso, merece o sofrimento decorrente de seus atos”. A correlação dessa tese com outras teses mais absurdas, as quais se baseiam em sentimentos controversos,  segue a loucura ideológica e a insanidade da substituição do homem pelo animal. Nada mais evidente que a animalização do homem nas ciências naturais venha também a equipará-lo a cachorros e macacos de laboratório. Mas somente os animais fofinhos. Ratos, camundongos e animais peçonhentos estão fora da complacência hipócrita do ativismo animalesco, talvez por não corresponderem à idealização do animal enquanto extensão dos direitos humanos. Se há 20 anos soaria ridículo o termo “direito da pessoa animal”, hoje graças a Peter Singer (aquele que falou em “aborto extrauterino”) a expressão tomou a conotação do respeito máximo à vida animal ou humana. Mas não toda vida; somente a vida dos animais fofinhos, inclusive dos periquitos. Singer foi citado por Luiz Flávio Gomes, o qual tem na proporção da excelência didática a arte em proferir besteiras homéricas, aplaudidas pelos mesmos alunos que clamam por mais garantismo penal. Não o culpo.  A repulsa do homem atual pelo sofrimento se confunde com a inevitabilidade do sofrimento, o qual se inevitável merece atenção máxima da comunidade científica para com sua total aniquilação. Aliás, a tratativa atual da comunidade científica não é o afago do sofrimento, mas sua extinção, o que respaldaria a conotação “humanista” da proibição do sofrimento aos animais – não todos, somente aos fofinhos. A situação é perigosíssima. Imputar aos animais uma equiparação ética e legal permite a criação de fundamentos teóricos para que o homem se submeta legalmente a crimes que seriam outrora considerados mera especulação adolescente. A atual reforma do Código Penal segue justamente essa diretriz ao estabelecer pena superior a crimes que envolvam animais, não obstante a discussão doutrinária “importantíssima” se os insetos fazem parte da intenção do legislador. A reflexão deveria portanto ser outra: “até onde se estende a fronteira do sofrimento animal em detrimento do conforto humano?”. Em uma perspectiva cristã, o cordeiro é sacrificado; os porcos, lançados imundos ao desfiladeiro; a pata da ovelha desgarrada quebrada pelo pastor que educa; os gafanhotos, ou praga ou alimento.