Denúncia ao consumismo

O boicote, essa autoafirmação ascética presente nas mentes mais convictas, apenas referencia a causa da revolta a uma epidemia de consumo que não pode ser desmembrada pelas vias intelectuais. Quando se denota pedidos e insistências na deliberada negação coletiva, como indivíduos persuadidos os quais não podem vislumbrar o contraditório, há ali a concretização do mínimo esforço, da mínima capacidade de aceitação; a máxima tendência à coisificação intelectual, alimentada pelos excrementos da privação de uma reflexão mais apurada da própria realidade. Ou seja, ativismo. Nisso está toda a base da denúncia atual ao consumismo, denúncia que não se sustenta nos produtos mais básicos da vivência. Um homem não denuncia o consumismo desenfreado de desodorantes e a mulher, de absorventes.