Marco Feliciano, malvado

Eis que, da noite para o dia, todos conhecem o ladrão. É verdade que o descontentamento com Marco Feliciano parte de um sentimento de ingenuidade recorrente; pergunto à multidão quem conhecia uma das figuras mais patéticas do cenário evangélico e meia dúzia levanta a mão, não mais que isso. Ora, a Comissão de Direitos Humanos nasceu morta porque justamente pretende e sempre pretendeu a imputação do humanismo nas características mais legítimas da esquerda latina. O problema é que no imaginativo popular referida Comissão trouxe e é algo de relevante no sentido mais puro da palavra: tendo relevância, seria ela também um indicativo de que a república não sucumbiu ao descaso total, “afinal, temos uma Comissão de Direitos Humanos tal qual o Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Não somos então civilizados?”.

Nisso, Feliciano se adéqua belamente ao “status quo” da comissão mediante discursos que pretendem acomodar do politicamente correto à sandice populista, sempre com o ardor da defesa das minorias legítimas – porque existe a minoria ilegítima, aquela que não se insere nos discursos de vítima.  Marco Feliciano compõe a base aliada ao Governo não por equívoco, mas por uma real identificação com a práxis, mediante uma perspectiva revanchista e de triunfo que nasceu da podridão da Teologia da Prosperidade e da corrupção que reina nas denominações neopentecostais. A briga, portanto, não é sobre o malvado pastor que diz coisas politicamente incorretas sobre assuntos esquecidos, mas do parlamentar que representa um símbolo político combatido por outras figuras patéticas, como o ex-BBB Jean Wyllys. Combatê-lo oficialmente no Congresso é também inserir na pauta da Comissão de Direitos Humanos que a defesa da política homossexualista é irrefutável e inevitável, porquanto ela mesma um fenômeno que emana dos Direitos Humanos e que não pode ser questionada. A tacada é de mestre e somente se safa quem vê na democracia presidencialista uma fraqueza conceitual.