Mixarias

O mesmo Estado que retirou da religião a função de mantenedora do casamento institucional, mediante a codificação de um fenômeno familiar sob a alegação da segurança jurídica, hoje fomenta o divórcio – outra instituição também religiosa, mas deturpada pela perversidade iluminista que contaminou os governos. Este relato é a união inevitável entre ociosidade, assistencialismo e as deturpações; não se pode esperar outro desfecho senão a decadência contínua, apesar de lenta, de toda a estrutura social da região. Dos relatos e das motivações é possível concluir que o futuro dessa gente descamba no caos e no animalismo existencial. Se a relação parasitária pode ser justificada pela ignorância e por uma lacuna moral que provavelmente nunca será suprida, da mesma maneira o assistencialismo suplanta o trabalho, sem o qual é impossível haver caridade. O assistencialismo de Estado sobrevive da decadência criada pelo próprio Estado e promove, em nome da caridade, a redução do homem a cativo de mixarias consideradas grandes fortunas. Opostamente à miséria real, que decorre da subsistência fisiológica mais básica e elementar, a miséria dos assistenciados é a miséria da alma cujo fim é a degradação da mente que contamina o ambiente que os circunda e que influencia gerações. A degradação momentânea promovida pelo Estado assistencialista levará décadas para ser sanada; e quando assim ocorrer, outra década será necessária para que seja retirada do rol de virtudes a indigência oficializada na burocracia.