Do ex-cristão

O “Deus títere, controlador da história” é a condenação do marxista cristão (nessa ordem) que imputa à dialética materialista a real detentora do poder sobre a História. A tentativa da Teologia Liberal em retirar de Deus sua soberania sobre os acontecimentos históricos profetizados anda na tangente do determinismo histórico marxista. Ambos não se misturam e não permitem convergências. Por isso, Ricardo Gondim é coerente com sua visão de mundo e apenas se contradiz no “Soli Deo gloria” por ele assinado em cada texto. Ricardo Gondim é a expressão mais pura do movimento teológico liberal e no resquício do protestantismo ainda não se declara agnóstico pela conveniência das repercussões. Quando deixar de lado o “Soli Deo gloria” terei por ele mais respeito, pois estarei diante de alguém que não dissimula a própria fé cambaleante entre o niilismo pós-moderno e o vitimismo ideológico. De igual forma o título de “pastor”; pode um ex-católico ainda se dizer Cardeal? Assumindo sua real condição espiritual, ao menos os teólogos liberais teriam seu espaço reservado ao público que já se declara ex-cristão. Mascarado e fantasiado de uma união sincera de ação social e Evangelho, o liberalismo teológico incorre na negação pormenorizada dos fundamentos cristãos e descamba na negação da Cruz. Por isso, totalmente justo e compreensível que os antigos cristãos liberais hoje se declarem ex-cristãos, como os são a maioria dos antigos missionários que na África afirmavam que o Evangelho não se sustenta sem reformas políticas profundas. A frustração que decorre da decepção criada na própria mente, mediante a visualização de um mundo perfeito, permite seja Cristo elencado enquanto reformador político. E de política entende bem o marxista que somente um cristianismo novo, erigido sobre a subjetividade, sem amparo teológico, ou seja, um outro cristianismo que se faz anticristão, pode fazer do liberalismo teológico um fenômeno aceitável e plausível.