Os habituais críticos do cristianismo

G. K. Chesterton:

“Os habituais críticos do cristianismo não estão realmente fora dele. Encontram-se em estado de reacção contra a tradição religiosa. Não conseguem ser cristãos nem deixam de ser cristãos de uma vez por todas. Continuam a viver à sombra da fé, mas perderam a luz da fé. O anti-clericalismo destes homens transformou-se numa atmosfera; uma atmosfera de negação e de hostilidade da qual não conseguem escapar: Queixam-se de que os eclesiásticos andam vestidos de eclesiásticos, como se fôssemos muito mais livres se os polícias que nos seguem ou nos apanhem andassem vestidos à paisana. […]

Ora, a melhor relação que podemos ter com o nosso lar espiritual é vivermos suficientemente perto para o amarmos. A segunda melhor, porém, é vivermos suficientemente longe para não o odiarmos. O melhor juiz do cristianismo é um cristão, o segundo melhor juiz será, por exemplo, um confucionista. O pior juiz é o cristão mal formado, que gradualmente se transforma num agnóstico mal disposto, enredado até ao fim numa batalha cujo começo nunca compreendeu, afectado por um tédio hereditário, já fatigado de ouvir o que nunca ouviu.”