Confusão

O folclore universal do agnosticismo tem sua relação íntima com a crença espírita, esta que é uma manifestação essencialmente latinizada, com suas peculiaridades regionais, nas quais é possível delinear também um certo “brasileirismo”. Ainda que o conhecimento gnóstico seja o conhecimento mágico e místico (portanto, contrário à teologia cristã medieval), oriundo das superstições pagãs que denegriram três séculos de Cristianismo, é plenamente possível afirmar que o agnosticismo contemporâneo se limita à religião por mera displicência. O sujeito que afirma ser agnóstico e ao mesmo tempo um ansioso pelo conhecimento (à luz do que se lê em vários artigos agnósticos americanos) ignora e abdica do estudo que decorre do entendimento da cosmovisão a que se proclama. Ora, pode mesmo o sujeito afirmar que “seu agnosticismo” não se reconhece no passado e que é uma invenção moderna, um jargão, um apelido deformado sem qualquer fundamento. Contudo, mais interessante é observar que esse mesmo agnosticismo irreconhecível emana do sentimento espírita do mundo, o qual tenta ser religião sem Religião mediante a crença destituída de Fé naquilo que se limita à CaritatisÉ possível dizer que no espiritismo restou o que há de menos cristão e o que há de mais moderno: a caridade pela indulgência e a negação da religião por meio da neutralidade espiritual e, portanto, sem qualquer responsabilidade teórica. Mas se a caridade por si só não basta para a manutenção da fé cristã, no quê se dizem cristãos os espíritas também declarados agnósticos? Ora, se o espiritismo segue toda a estrutura espiritualista pós-moderna (como acontece com o esoterismo ocidental), não é de espantar que também coadunem conceitos antagônicos e contraditórios. A confusão é o germe do niilismo, e não há nada mais moderno que a confusão espiritual.