O libertário e os templos

Se o libertarianismo acompanha o discurso vitimista da opressão, naturalmente que a desconfiança para com a religião é automática e obrigatória. Da mesma forma a famigerada tributação sobre templos e movimentações financeiras religiosas, na qual o assunto envereda para a justifica plausível – segundo os próprios libertários – da seguinte contradição: a extinção do Estado depende da revolução; enquanto a mesma não ressurge, é por bem que a religião assuma seu dever nos impostos. Do que se entende que o caráter revolucionário do libertarianismo, em verdade um oposto reluzente na mesma moeda do sentimento revolucionário iluminista, abandona a primazia das trocas voluntárias e destituídas da fiscalização governamental para adentrar no campo da coerção do mesmo Estado que, segundo os libertários, é o único agente passível de influir na eliminação da liberdade. Conquanto em regra a defesa da tributação de templos parte de um ressentimento também de eficiência institucional, tem-se que os anarco-capitalistas subestimam as futuras conquistas da utopia em nome da justiça tributária. Ao que temos uma nova contradição: grandes defensores da ilisão e evasão fiscais (não por mim totalmente desconsideradas, é de se constar), restringir os critérios de “justiça tributária” aos templos não faria sentido se se considero a honestidade intelectual do movimento. Ocorre que não há maior constatação no mundo tributário que a capacidade religiosa de organização de voluntários, em constrangimento evidente da mesma capacidade do cidadão médio em rejeitar impostos. O ressentimento é amplo, ambíguo, mas complementar: libertários e estatistas imaginam a tributação religiosa enquanto dívida social perante a organização dos templos na arrecadação de valores, o primeiro por negar a influência moral da religião na constituição do próprio mercado; o segundo por atribuir à religião a má-fé daqueles que não participam da fortificação do Estado em consonância às denominações que nasceram da popularização das teologias tangentes, subsidiárias, senão deformadas e irreconhecíveis.