Os pais da igualdade

Orlando Fedeli:

“Luiz XV e Luiz XVI fizeram o mesmo, mas, arruinando a Nobreza, eles destruíram a própria Monarquia. Luiz XIV não quis ser como S. Luiz, um rei de príncipes e se tornou um rei de lacaios. Luiz XV, por sua vida corrupta, acabou sendo desprezado por esses mesmos lacaios. E Luiz XVI, por fim, foi guilhotinado.

E depois vieram os ambiciosos frustrados, os que sonhavam com os títulos e não os alcançaram, e, por isso passaram a odiá-lo.

Assim, Marat — o infame , o fanático e criminoso revolucionário Marat, ao pretender entrar para o serviço do Conde de Artois, irmão do Rei, redigiu o seguinte requerimento:

‘Espero que não recusareis meus brasões, vendo como está assegurada a nobreza de minha família nas Espanha, como na França. A posição que ocupo agora, e que só pode crescer pela confiança que me concede Monsenhor, coloca esse assunto no interesse da sociedade. É honroso para o Estado que a origem de um servidor dos Príncipes seja estabelecida por documentos certos como não deixei de fornecer’ .(J. Castelneau, Marat-l’Ami du Peuple, Hachette, Paris, 1935 – pg.35 -).

A republicaníssima Madame Roland, antes da Revolução, andou pelas repartições da Monarquia, rogando a concessão de cartas de nobreza a seu marido, ‘Roland de la Platière. (Miss Wilcocks- Mme. Roland-pp.99-100).

E quantos não assinavam o nome com o famoso ‘de’ nobiliárquico, mais tarde proibido pela Revolução !

O democrático girondino Brissot assinava-se Brissot de Warville por ter nascido na fazenda de Warville, onde seu pai tinha o humilde mister de cozinheiro (Daniel Marnet -op. cit. pg. 406) ( J.B. Weiss, História Universal, vol. XVI, pg. 2 )

Danton chegou a assinar seu nome como D’ Anton, para fazer acreditar que ele era nobre, e Robespierre, antes de 1789 era Maximilien de Robespierre. Os tempos mudam…Marnet

Não exprime bem profundo orgulho ferido, o ódio que Brissot contava ter pelo rei e pela desigualdade ao escrever:

‘Eu detestei os reis muito cedo; desde minha mais tenra juventude eu me deleitava com a história de Cromwell; eu pensava que tinha a mesma idade que o rei (isto é, o Delfim), e nos meus sonhos de criança eu não via porque ele estava no trono, enquanto eu tinha nascido filho de um cozinheiro. Eu previa com alguma complacência que eu poderia vê-lo cair do trono, e que eu poderia contribuir para isso’ (Daniel Marnet, op. cit. – pg. 408).

O orgulho e a inveja, eis os pais da igualdade revolucionária.”