A previsibilidade da escrita pós-moderna

No Right Stuff, apenas dois parágrafos do excelente The Hilarity of Postmodernism:

“Postmodern writing has become so stilted, mechanical, dogmatic and predicable that a man named Andrew C. Bulhak has written a computer program that mimics the language of postmodern critical theory with such effectiveness that many are fooled into thinking it is a real academic paper they are reading at first glance. Another awesome troll of these ridiculously self important intellectuals. Well done Andrew.

It seems strange that a philosophy that is seemingly so absurd could have so much unseen power in today’s culture and could have contributed to the takedown of so many social institutions. The family, masculinity, femininity, capitalism, nationalism, patriarchy and even orthodox Marxist socialism have all been under assault from this school. This illustrates the social power of critical theory and deconstructionism. The theories are prima facie ridiculous, but they slowly and surely chip away at the foundation of a culture as they are intended to do. This is the intentional strategy of critical theory.”

Agora, veja você como um texto fabricado nos requisitos vazios da linguagem pós-moderna consegue expressar aparentemente uma noção de intelectualidade esclarecida, ainda que ausente de qualquer significado minimamente necessário a qualquer entendimento acadêmico. Ou seja, enquanto texto fabricado por um programa [literalmente], a evidência de uma estrutura de linguagem corrobora não somente sua inutilidade, mas também sua perversidade patente. Ao menos como um trato lúdico do assunto, seria interessante levar esse mesmo texto aos mestres pós-modernistas da academia brasileira e observar (como quem aprecia um bom filme) a dissimulação intelectualista patológica dos tais e a pretensão de valorização de uma estética previsível.

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A previsibilidade dessa linguagem sui generis, contudo unânime nas tendências de qualquer movimento desconstrutivista, também se revela na Teologia Liberal em todas as suas vertentes e segue uma padronização estrutural irrefutável. É certo que o desconstrutivismo enquanto estratégia discursiva pode ter utilidade prática também na análise do ideário utópico e materialista, essencial aos teólogos liberais, mas deve ser também vinculado a uma estética que esconde em rodeios intermináveis o cerne da questão. Em outras palavras, é possível dizer que a “escrita pós-moderna” utilizada pelos teólogos liberais corrobora não somente uma identidade grupal, mas também o redescobrimento de técnicas de afastamento da responsabilidade pessoal perante certos assuntos que se escancarados ao público traria descrédito e desconfiança imediatos. Ao dissimular nas palavras o significado real daquilo a que se pretende, geralmente por meio de expressões misteriosas, genéricas e despropositais, os teólogos liberais usufruem da mesma benesse com a qual hoje qualquer desconstrutivista consegue estimular sua aparência intelectualizada e subliminar. É de fato uma artimanha que ampara a irresponsabilidade intelectual no que foi gesticulado.

Esse é o motivo pelo qual os palestrantes de movimentos como o Missão Integral conseguem tantos adeptos sem antes vincular sua imagem a conceitos e ativismos eminentemente políticos, abraçados pelas paixões dissolvidas propositalmente em diversos tópicos que segundo uma perspectiva latina teria relação direta com o Evangelho. Dou como exemplo simplório sua preocupação ambiental e sua ambição com as políticas de Estado de redistribuição da riqueza, ambas a princípio sem grande relação com a mensagem salvífica. Espero que em algum momento futuro tenha eu paciência para escrever mais sobre o assunto.