“Aqueles que nos tempos modernos tentaram destruir a religião”

Completo aqui.

G. K. Chesterton* 1874 / + 1936:

“É comumente notado, e em geral de forma suficientemente verdadeira, que o Bolchevismo está necessariamente ligado ao ateísmo. Não é tão percebido, talvez, que o ateísmo está agora sob uma crescente necessidade de se ligar ao Bolchevismo. Pois o Bolchevismo é ao menos em parte positivo, mesmo que seja grandemente destrutivo. E a história da noção puramente negativa de ataque abstrato à religião, tem sido a esse respeito uma história realmente curiosa. Tomada como um todo, de fato ela é ao mesmo tempo melancólica e cômica. Aqueles que nos tempos modernos tentaram destruir a religião popular, ou uma fé tradicional, sempre sentiram a necessidade de oferecer algo sólido como substituto. A parte estranha disso é que eles ofereceram cerca de uma dúzia de coisas totalmente diferentes; algumas delas completamente contraditórias; de modo que as promessas variaram perpetuamente.

[…]

Dois Paraísos Terrenos desmoronaram. O primeiro foi o paraíso natural de Rousseau; o segundo o paraíso econômico de Ricardo. O homem não se tornou perfeito tendo sido livre para viver e amar; o homem não se tornou perfeito tendo sido livre para comprar e vender. Obviamente era hora de os ateus encontrarem um terceiro imediato e inevitável ideal. Eles o encontraram no Comunismo. E não os preocupa que seja bem diferente do primeiro ideal e bastante contrário ao segundo. Tudo que eles querem é um suposto aperfeiçoamento da humanidade que será um suborno para privar a humanidade da divindade. Leia as entrelinhas de meia centena de livros novos – esboços de ciência popular e publicações educacionais sobre história e filosofia – e você verá que o único sentimento fundamental neles é o ódio pela religião. A única coisa positiva é negativa. Mas eles são forçados mais e mais a idealizar o Bolchevismo, simplesmente porque é a única coisa que sobrou que ainda é nova o suficiente para ser oferecida como uma esperança, quando cada uma das esperanças revolucionárias que eles mesmos ofereceram se tornaram, cada uma em sua vez, desesperadas.”