Voto Nulo e a Pérola aos Porcos

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“Nossa cultura nada mais é do que a verdadeira imagem das ovelhas voluntariamente subjulgadas por lobos, descaradamente em pele não de ovelha, mas de porcos. Não voto nulo por algum tipo de protesto, por alguma razão política, ou por qualquer outra razão que não minha liberdade. Voto nulo pela profunda intimidade que tenho com minha própria consciência e o compromisso exclusivo com minha livre vontade. Quando está em jogo esse tipo de decisão, nada pode determinar a liberdade da minha consciência.

Como já não bastasse a obrigatoriedade do voto, símbolo máximo de uma democracia tirânica, a crítica ao voto nulo é demonstração medonha do estado atual da pouca vergonha sistêmica da nossa canhota política.

Onde não há uma medida real de diferenciação do que é o Bem e o Justo, tudo é válido e permitido, nesse sentido, a nulidade é tão valiosa quanto à suposta plenitude de um aparente direito de liberdade, contraditoriamente obrigatório. O primado do poder da maioria absoluta é proporcional ao primado do terror absoluto de uma minoria no poder.

Nossa democracia é tão impregnada por uma única fantasia ideológica, ou melhor, toda ela vive tão mergulhada na sombra da sombra da realidade, que todas e quaisquer tentativas de discussões objetivas e verdadeiramente críticas a respeito dos fundamentos dos princípios que orientam a vida e a consciência política estão desde o começo condenadas ao fracasso. Ir obrigatoriamente às urnas é, literalmente, exercer um direito natimorto.

Nesse sentido sim, votar nulo é jogar o voto no lixo, afinal, quem vive submerso nas ideologias não vê outra opção a não ser comemorar o naufrágio da própria realidade. Para os porcos já não há diferença entre lixo e pérolas, para os porcos meu voto nulo não poderia ser outra coisa senão lixo.”