Começarei aqui uma série que visa, em alguns textos, investigar de forma crítica o livro “Ensaios Céticos”, escrito por Bertrand Russell em 1928. Entendo que essa investigação é importante pois conseguimos ali mapear a essência de vários truques atuais da maioria dos humanistas. Para se ter uma idéia, livros como “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, e “A Morte da Fé”, de Sam Harris, não são nada mais que releituras de “Ensaios Céticos”.

Ao mesmo tempo em que refuto Russell, mostrarei as diferenças que o meu paradigma oposto provê. Você poderá notar, por exemplo, que a diferença que faz toda a diferença é o axioma de partida, e Russell toma como ponto de partida que “o homem é perfectível”, enquanto eu vejo pelo contrário, entendendo que o homem é falível e não poderá mudar esta contingência por sua ação. Minha constatação, cada vez mais endossada pela ciência, contrasta-se com a…

Ver o post original 3.070 mais palavras

Anúncios

A Santa Inquisição e a civilização europeia

Completo aqui.

[…]

We should also remember that the famed University of Salamanca (one of the best and oldest in Europe), was created by an Inquisitor, and that the conversation about the rights of American Indians took place under the aegis of the Spanish Holy Inquisition. In this, we could even say that the Holy Inquisition was one of sources of modern day international human rights.

To understand how the Spanish Inquisition developed we have to understand Spanish history. In 1492 that country had just completed its national Reconquista, after eight centuries of occupation of a large part of its territory by the Moors. It thus had two really powerful national minorities in it: one of the biggest Jewish communities in the world as well as the Muslims. The first group had managed to concentrate a major part of the financial power in its hands, while the second, did not hide its dreams of vengeance.

The “Marranos” and the “Moriscos” were two in-between categories, made up of pseudo-Christians, meaning Jews and Muslims, who had – only in name – been converted to Christianity. Many of these had managed to occupy high offices in the Spanish hierarchy, both secular and ecclesiastic. This situation was full of danger, threatening the submission of the country to those hostile minorities, as well as causing intense friction and clashes with the real Christians, who saw that those pseudo-Christians were not only using their networks to control positions and offices, but were also taking economic advantage of them. Because of this, the country was in danger of civil war.

[…]

Before we finish, a small mention of the Galileo Galilei case. The Catholic Church supported the Aristotelian – Ptolemaic earth-centered theory for the movement of the celestial bodies, while Gallilei believed in the Copernican heliocentric theory. The Holy Inquisition, did not call Gallilei to condemn him, but asked him to prove his theory, and if he did the church would accept it. What happened, and was kept in silence for many years, was that Gallilei could not give irresistible scientific proof. Today every scientist knows that. This is not the right place to present the whole case. It is enough to read what Arthur Koestler, a Jew himself and thus no fan of the Catholic Church, writes about Gallilei:

“There is no doubt that the theory of tides by Gallilei was based on an unconscious fraud. But there is no doubt that the theory of tides, by Gallilei was a deliberate effort to confuse and deceive… As we have seen, academics are always prone to manias and obsessions and tend to falsify details. But fraudsters like Gallilei are rare in the chronicles of science…”

(Arthur Koestler, The Sleepwalkers, New York, 1959).

A Ancine e o Caos

O Caos, do History Channel, faz parte do rol de programas inseridos na grade da TV paga por meio de uma imposição da Ancine, também conhecida por “democratização da informação”, não obstante os discursos de valorização da cultura nacional e outras balelas essencialmente subdesenvolvidas. Por óbvio, segue o padrão do conhecido Pawn Stars e terá por isso sua sentença. A safadeza do dito Caos em sobreviver com dinheiro de impostos é diretamente proporcional à malandragem demonstrada no programa, ao que a comparação com a produção americana é inevitável, senão obrigatória diante de um programa televisivo que não sobreviveria com as próprias pernas não fosse sua relação parasitária com o Estado. De maneira que, de certo, Caos é reconhecido um orgulho nacional, principalmente por ser coercitivamente alocado nos horários de grande ibope, horários antes disputados por programas de qualidade intelectual incomparável. Mas não há crise diante da circunstância que faz dessa programação brasileira um problema também de comparação moral: a malandragem dos negociantes do Caos é explícita, por vez de uma corrupção fundamentalmente brasileira e que segue o estigma do negociante brasileiro enquanto proclamador de uma cultura de vagabundos, espertos e pobres ressentidos. Alterações posteriores de preços ao se deparar com um “rico comprador” é a praxe a que se tem notícia diária, conquanto o Caos bem consegue explicitar e referendar essa artimanha a qual considero um germe da delinquência. Citar todo o trejeito marginal é desnecessário, mas a efusividade dos aplausos ao novo programa finalmente nacional parte também dos resquícios do telespectador brasileiro em se deparar com os fundamentos morais mais elementares da estirpe. Ouso afirmar que o brasileiro que se delicia com a malandragem de Caos é o mesmo que não se importa em observar na sua tela um programa imposto pelo Estado. Caos será definitivamente um programa de sucesso.

A preocupação de Blinder, e também latina

Caio Blinder reside e vive do conforto americano, mas não abandona sua condição meramente latina. Dentre outros textos de cunho mais econômico, contudo em mesmo norte, abre ele caminho para os questionamentos eminentemente latinos, nos quais quer-se a popularização do voto americano e, melhor ainda, o fim dos colégios eleitorais. Indiretamente, e como sempre sem imputar a si mesmo a responsabilidade de tamanha aberração teórica, Blinder nos brinda com o óbvio do que espera de um brasileiro de alma brasileira.

Em 2012, afirmei:

“Dê-lhes o pão e terás o voto. Dê-lhes a República e terás o sufrágio como direito sacrossanto de eleger, talvez por um período caótico, aquele que pode manipular as instituições republicanas para sua perpetuação no Poder Executivo e aparelhamento das demais esferas de Poder. Dê-lhes o Brasil e terá o voto republicano obrigatório, que faz do inapto o mais feliz dos cidadãos, porquanto se antes era descartável politicamente hoje se transformou no principal e inevitável caminho de “seleção democrática”, de “exercício amplo da cidadania”, da “garantia da continuidade democrática da República moderna”.

É inegável que são existentes métodos e instituições que visam suprimir a falha irrefutável do voto republicano: chama-se, caros, Colégio Eleitoral; ou, mais precisamente, a institucionalização do voto indireto, que inibe consequentemente as regalias do assistencialismo e demais atividades perpetradas pelo presidencialismo.”

A obrigatoriedade do voto sequer é cogitada naquelas terras, o que não impede a perplexidade dos latinos que veem o sistema dos colégios eleitorais, justamente fundamentados no antipopulismo dos votos e do assistencialismo, uma forma de ilegitimação da vontade popular. Ignorantes da própria história de negação americana do povo enquanto coletividade apta a eleger um presidente, os latinos efusivamente imputam nos Colégios Eleitorais a conotação do “golpe”, do “desrespeito aos interesses do povo”.

Bem dizem que a imigração constante de latinos serviu para que o americano médio percebesse que o assistencialismo rege os tais, inclusive na oferta de votos de muleta, aqueles pelos quais é possível perceber no que se sustenta determinado candidato. Por óbvio, Obama está de mãos dadas com a minoria negra e latina, estes de fato a verdadeira preocupação no conjunto peculiar que envolve indiretamente o aumento exponencial dos gastos de Estado. A lição decorre do prisma das relações populistas que não encontram na América Latina nenhuma repressão, sendo certo ao homem político de que o Estado pode ou deve perpetrar o assistencialismo que, por fim, garante o ciclo pútrido do republicanismo.

O que me lembra o sensacional Latino Law Review, jornal estudantil de Harvard diretamente interessado na proliferação teórica do coitadismo. Em épocas passadas, era possível ter contato com artigos de ode a Fidel Castro, Che Guevara e Hugo Cháves. Estudos seríssimos sobre os benefícios do stalinismo na cultura latina e o motivo pelo qual o socialismo deveria ser cogitado enquanto sistema econômico viável aos EUA. Hoje, após deletados em massa os artigos mais condenatórios, pouco restou daquilo que no passado bem caracterizava a horda dos latinos em Harvard, claramente influenciados pela práxis ordinária de suas origens. A lista, contudo, ainda contém a resenha da evidência:

Are Your Papers in Order?: Racial Profiling, Vigilantes, and “America’s Toughest Sheriff”

Deporting Dominicans: Some Preliminary Findings

Arizona’s Desire to Eliminate Ethnic Studies Programs: A Time to Take the “Pill” and to Engage Latino Students in Critical Education About Their History

The Latina/o Academy of Arts and Sciences: Decolonizing Knowledge and Society in the Context of Neo- Apartheid

Comment: The Future of the Equal Educational Opportunities Act § 1703(f) After Horne v. Flores: Using No Child Left Behind Proficiency Levels to Define Appropriate Action Towards Meaningful Educational Opportunity

Note: Reciprocity Interest in Political Affiliation: Redefining the Political Community to Attain Just Principles in Immigration Reform

Comment:Latinos and S.B. 1070: Demonization, Dehumanization, and Disenfranchisement

De brinde, três estudos integrais:

“BRISAS DEL MAR”: JUDICIAL AND POLITICAL OUTCOMES OF THE CUBAN RAFTER CRISIS IN GUANTANAMO

THE “ARIZONIFICATION” OF IMMIGRATION LAW: IMPLICATIONS OF CHAMBER OF COMMERCE V. WHITING FOR STATE AND LOCAL IMMIGRATION LEGISLATION

REGROUPING AMERICA: IMMIGRATION POLICIES AND THE REDUCTION OF PREJUDICE

É certo que Blinder não ignora esses fenômenos, mas os investe na medida em que tem interesse político irrefutável em Barack Obama. Outrora declarado esquerdista, ler Caio Blinder é se inteirar dos sentimentos mais naturais do mundo latino que deleita nos discursos de minoria, contudo amplificados pela tendência crescente de justificar as regalias de Estado numa responsabilidade teórica que aparentemente afasta a selvageria dos países subdesenvolvidos. Em época de eleição americana, e sem culpa em cartório, vale tudo para reafirmar por lá o que faz do mundo latino a rabeira dos populistas da década de 30.

Das virtudes elencadas pelo bom cidadão

Como que acalentados pela nobreza da serviência eleitoreira, eis que de poucos leitores recebo alguns pares de indagações acerca das minhas preocupações antecedentes. De fato, o contato via Facebook facilita por demais uma proximidade deletéria entre escritor e leitor, ao ponto de tornar insuportável a relação atual que, nos idos do Blogspot, era impossível de ser concebida. Isso porque, se o questionamento é dado em vista do texto, o questionador questiona em acesso ridículo ao seu perfil. Ao enviar seu palavrório, conquanto se digna de grande importância a mim, quer-se entender que é de obrigatoriedade ética a resposta a que lhe devo, ao ponto de cobrar efusivamente as minhas ponderações. Porquanto não dou a mínima para quase a totalidade das mensagens a mim dirigidas, respostas são dadas seletivamente e devem ser consideradas, quid pro quo, um prêmio.

Disso se tem que um dos leitores questiona a minha incredulidade democrática: “não existe comprovação maior de cidadania que uma pessoa se disponibilizar para ser mesário nas eleições”. Donde se tem que o leitor pretende imputar nesse exercício as virtudes de apoio à democracia e às essencialidades mais elevadas do bureaucrate homme. Contudo, ainda que não tenha eu correspondido em nenhuma ocasião, é patente que todo e qualquer mesário esconde, em vista de uma superioridade moral, as consequências e benefícios concedidos pelo mesmo Estado que o estupra diariamente. Ato contínuo: referido leitor [certo eu que representante da maioria] esconde sordidamente os motivos pelos quais ele, nas virtudes do Bem, em verdade assume esse papel indisputável e, não fosse a obrigatoriedade do voto, faria rir meio mundo de frequentadores de churrasco em dia de eleição.

A tentativa é falha, uma vez que os benefícios são de conhecimento universal de quem está inserto nas paredes do funcionarismo público. Para não citar as vantagens impostas em lei federal, como a pretensão de prioridades amesquinhadas para fins de promoção em cargo público, eis que o pretendente a mesário soma às suas virtudes e nobreza a concessão de folga em dobro dos dias por ele suadamente ofertados ao Estado, incluídos os de treinamento, também conhecidos “dia do lanche gratuito’.

De maneira que o sujeito mesário, não obstante cheio de virtudes, e sabido eu que o questionador supracitado é um deles, convém a si a beleza cívica do bem-servir cidadão, mas sempre resvalado pelas benesses que acompanham o ofício. Diria eu que, não fossem os benefícios técnicos e de ordem trabalhista, mas não somente aqueles de saciamento da fome temporária, mesário seria cargo a ser disputado por moradores de rua e viciados em metanfetamina.

Ao que, num levante de lucidez perante as frases cheias de responsabilidade cidadã, exploro os benefícios do diálogo em pleno Facebook para atestar o óbvio: o indivíduo é funcionário público federal. Ora, o fato inegável de que praticamente todos os mesários orgulhosos do trato são funcionários públicos tem seu motivo premente: a que importa ao funcionário privado beneficiar-se pelo ócio que tende inevitavelmente a prejudicá-lo na vida empresarial? O que importa à empresa se o sujeito, pretendendo a promoção de cargo, resolveu em ato de amor patriótico beneficiar-se de folgas que custaram à empresa prejuízos antes não calculados?

Sabidos todos os funcionários públicos de que o Estado não se rege pelo mérito, consequentemente imaginam ser meritocrático, por pura e eficiente prestação de serviços públicos, que lhe seja cedida por lei a contraprestação daquilo outrora assumido uma virtude.

Concluo, portanto: a única maneira de um mesário visualizar o escopo de suas virtudes proclamadas é se, após, negar-se a usufruir das vantagens vinculadas ao ato patriótico e se, por fim, ignorar por completo tamanha virtude no momento em que pleitear a promoção de cargo. Ou, ainda, se assumir que é mesário somente para que consiga elencar em seu currículo os benefícios da lei, cumulados os bons dias de viagem na fruição da folga legal.

Virtuosos, decidam-se.