A mão compreensiva do jurista e jornalista

A vulnerabilidade do Direito está em sua destreza em colocar-se na tangente nos questionamentos que lhe são pertinentes. Ora, a afirmação corriqueira de que “as palavras jurídicas são por demais elitistas” corrobora consequentemente a mediação entre o estudo jurídico e o coloquialismo meramente verborrágico. Explico: o jurista [e quando o cito, falo do jurista nos fatos e não no diploma] que analisa os discursos de ministros enquanto um verdadeiro arcabouço complexo de termos, estruturas e minuciosidades e que, após a leve indagação por uma jornalista acerca da complexidade evidente das palavras utilizadas, releva a ciência jurídica ao patamar da expressão “o Direito deveria ser mais popular”, age como um dissimulado qualquer ou, do contrário, imagina o Direito nas rédeas das conversas de bar. Imagino os motivos para a covardia, uma vez que é chic adentrar no oceano da popularização. Assumir que o Direito se afasta da simplificação é assumir, decorrentemente, que as decisões de ministros em nada interessam ao povaréu, o que não deixa de ser uma advertência também à jornalista: se não entende algumas das palavras proferidas pelos ministros, que vá à biblioteca mais próxima e consulte o melhor dos dicionários. Meus pêsames a você, jornalista, se se declara de tal forma sem saber o significado de palavras como “cotejo”, “bojo”, “exordial”, “petição”. Prefiro acreditar que ambos, jornalista e jurista, dissimulavam uma mão piedosa e compreensiva sobre a cabeça do povo carente de bons livros, porém sempre consciente de política e contra o voto nulo [rs].