Da crescente ridicularização do Nada

Escrito em 11 de fevereiro de 2011, após breve conversa com os incrédulos [rs].

Em uma conversa sobre a decadência intelectual da mentalização positiva o assunto enveredou para a seguinte questão: qual é a razão da crescente [e exponencial] ridicularização do esoterismo? Na roda composta por uma maioria de ateus era evidente que a resposta se daria no aspecto resumidamente material, que abrangeria desde o caráter anti-intelectualizado do fenômeno esotérico até sua previsibilidade moderna. Enganei-me. Ateus, então sabidos de minha condição como cristão, falaram com todas as letras que a ridicularização do esoterismo precede de sua própria falácia retórica, travestida de um aspecto espiritual.

Apesar da pertinência, era certo que o esoterismo também continha em si o amadorismo de todo movimento ocidental, mas que absorvia em si filosofias orientais. Pois que, com o advento de métodos ditos racionais, o esoterismo espirituoso tenta agora ser o esoterismo científico, este que comprova “pela ciência” teorias metafísicas e utilitárias à “alma daqueles que estão ligados a um Ser Superior”. Vou mais além: não à toa que o esoterismo é ridicularizado não somente no ocidente, onde encontra seu maior público cativo, mas também no próprio oriente, que vê no discurso esotérico o empobrecimento das virtudes lecionadas por budistas e hindus. É dessas terras inclusive que se encontram os melhores pensamentos sobre a irrelevância do esoterismo no oriente, tal qual a deturpação das religiões orientais, no ocidente, pelo esoterismo.

Arrisco ir mais além, se me permitem. A tentativa do esoterismo em sempre se acoplar a fenômenos históricos de outras religiões era no início aceitável por sua novidade. Toda novidade tem seu tempo ao glamour. Contudo, hoje tais afirmações são motivos de leves risos, quase imperceptíveis, revelando sua depreciação até mesmo entre as camadas intelectuais mais baixas. Dos faraós aos maias, de Jesus Cristo a Maomé, o esoterismo tenta se infiltrar, mediante concepções já ultrapassadas, em todos os grandes nomes da História, no esbravejo de que eles foram [ou são] conhecedores dos mistérios esotéricos ainda não totalmente revelados. Não ouso afirmar que dessa investida esotérica haja má-fé, dissimulação ou outras adjetivações.

Limito-me, todavia, a dizer que a ingenuidade da mente esotérica é ela mesma um de seus grandes pilares, que por fim sustentam toda sorte de argumentações dotadas de um estigma ideológico facilmente identificável. Isso fica mais evidente quando estudiosos dos astros afirmam que o esoterismo representa a decadência máxima da astrologia, ou quando o ocultista diz que o estudo esotérico é uma representação deturpada e falsificada das chamadas “ciências ocultas”. Ou seja, aqueles que os esotéricos mais apreciam ao final são os mesmos que repudiam e depreciam a mentalidade esotérica.

Enquanto o esoterismo tentou contaminar toda forma de pensamento espiritual, ao mesmo tempo em que trouxe uma justificatica científica, foi ele próprio excluído e rebaixado, de “terceira via”, a um subproduto do discurso espiritual. E por subprodução leia “aquilo que persiste no tempo, mas não na seriedade”.

É evidente que os próprios esotéricos perceberam que a credibilidade de seu movimento depende de uma retórica cientificista, que comprovaria, mediante a experimentação metodológica, os motivos que transcendem o conhecimento humano. Para tal será necessário abandonar determinados conceitos já ameninados, como o naturalismo ambientalista e a exaltação dos primitivos incivilizados.

Questão de sobrevivência.