Novas lições francesas

Há 1 ano, escrevi:

Se a sociedade europeia repudia o Islã tal como os americanos repudiam o multiculturalismo europeu, o Estado assim não se comporta, antes servindo como pêndulo e contrapeso de manifestações visíveis na opinião de cada cidadão. O Estado americano tenta introduzir o multiculturalismo, e o Estado francês tenta eliminar a religião. É o Estado que trabalha e induz comportamentos discrepantes ínsitos às sociedades, causando deformidades nos valores que constituem cada nação.

Agora, vejamos:

“A secondary school student near Paris was accused of wearing provocative clothing and sent back home. The school thought her skirt was too long, and conveyed religious values.”

Os julgamentos individuais (e, portanto, justificados) acerca de comportamentos tidos como deletérios à sociedade se converteram no policiamento – devidamente substanciado na lei – acerca de eventuais manifestações religiosas aptas a afrontar o laicismo assim querido pelo estado. Em suma, a lei está sendo cumprida.

A expressão “valores religiosos” merece destaque. A proibição da burca [outrora louvada por cristãos] reverte-se na negação de qualquer que seja a expressão religiosa. O que antes era a mera discriminação individual, plenamente aceita, hoje se travestiu na negativa da religião como ato de extensão das vontades do estado, negativa essa inexistente na “vontade social” à época da produção da famosa Lei da Burca.

Já naqueles ares suscitei que o chamamento ao estado daquilo que era uma manifestação individual poderia causar a extirpação gradativa das manifestações religiosas, ainda que a intenção legislativa inicial fosse de mera reprovação ao primitivismo dos imigrantes islâmicos, os quais não conseguiram se acomodar no costume e higiene europeus.