Do “direito reprodutivo” masculino

Pedro Sette-Câmara:

“Devo recordar que eu mesmo sou violentamente contra o aborto, mas isso não me impede de observar a tremenda incoerência naquilo que se propõe. Se a mulher puder abortar, o homem também tem de poder. Não ficam dizendo (acho que até em alguma das encíclicas publicadas por algum ministro do STF) que se homem ficasse grávido haveria clínicas de aborto em cada esquina? Então por que a lei desse país machista patriarcal patriarqueiro falocêntrico capitalista selvagem opressor fica obrigando os homens a reconhecer a paternidade de crianças que eles abandonaram quando elas ainda não passavam de montes de células sem vida indistinguíveis de um tumor?

Em suma: não dá para defender que a maternidade é opcional sem que a paternidade seja opcional também. Se a sociedade adota o caminho da ausência de responsabilidade individual, propondo até que “ausência de condições psicológicas” seja razão para uma mulher justificar o aborto, eu não sei porque é que um homem não poderia alegar a mesma coisa.”