Estado Confessional e mais coisas

Se não almejo a solução completa do problema ao explicar o Estado Laico, evidente que o mesmo não ocorre com o Estado Confessional. Afinal, garantir o equilíbrio da relação moral existente entre a religião professada e a existência de outras religiões, mesmo que reconhecidamente decadentes, é impossível e muitas vezes incentiva a irreligiosidade no ambiente privado. É de se ver que os países declaradamente confessionais são hoje aqueles que justamente permitem percentuais catastróficos de agnosticismo ou, pior, de ateísmo. Essa incoerência antes segue a destreza da massificação religiosa promovida pelo Estado; o estatismo religioso (aquele que incentiva e afirma a moral e costumes de determinada religião) promove antes a repulsa majoritária à religião professada, fenômeno o qual favorece o abandono crescente da responsabilidade religiosa. Sendo a religião afirmada pelo Estado, eis que essa mesma religião se dissolve e, apesar de encontrada em qualquer espaço público, é esquecida nos templos.

O Estado Teocrático, ainda que bárbaro como o Estado Ateu, evita essa dissolução da religião confessada e incrementa a confusão dos limites entre Governo e religião. Em suma, a teocracia é o estágio próximo do Estado Confessional, quando este é implementado em civilizações imaturas. Ao mesmo tempo, assume a práxis do Estado Ateu ao relegar ao estatismo a intervenção das convicções individuais, forma pela qual a supressão das liberdades se torna o elemento inevitável de seu desfecho.

A solução? Desconheço. É certo que o Estado Laico, encontrado em qualquer esquina, perdura análises mais profundas justamente por sua presença quase universal. Significa afirmar que o laicismo é regra; e não exceção. Que sua implementação é o estágio natural de qualquer Estado moderno que vise estabelecer a ordem mínima sem inicialmente aniquilar a religiosidade privada, a religião professada fora do âmbito público. Contudo, é no laicismo em que se permite quase que com conivência teatral a formação de movimentos perversos. Ao menos nos estados confessionais, certos movimentos recebem a reprovação imediata e, uma vez estabelecidos, posteriormente são coercitivamente extintos de forma tão efusiva que sobram somente os resquícios do mundo virtual.

Parodiando o Charles Gomes: estatistas, façam suas escolhas [rs].