Tentam extrair a piedade do mundo

C. S. Lewis em O problema do sofrimento:

“Há duas causas principais. Uma é o fato de que, por cerca de cem anos, nos concentramos tanto em uma das virtudes – “benevolência” ou piedade – que a maioria de nós sente que nada é realmente bom, a não ser a benevolência, ou que nada é realmente ruim a não ser a crueldade. Esses tortuosos avanços éticos unilaterais não são incomuns, e outras épocas também tiveram suas virtudes favoritas como também suas curiosas irracionalidades. E se uma deve ser cultivada à custa de todas as outras, nenhuma tem maior apelo que a piedade – pois todo cristão deve rechaçar com repugnância campanhas disfarças a favor da crueldade, que tentam extrair a piedade do mundo, definindo-a por nomes como “Humanitarismo” e “Sentimentalismo”. O problema real é que a “benevolência” é uma qualidade inevitavelmente fácil de atribuir a nós mesmos com parâmetros inteiramente inadequados. Todos se sentem benevolentes quando nada os está aborrecendo.

Dessa forma, o ser humano facilmente vem a se consolar de todos os seus outros vícios com a convicção de que “seu coração está no lugar certo” e de que “ele não faria mal a uma mosca”, embora nunca tenha feito o menor sacrifício pelo próximo. Julgamo-nos benevolentes quando estamos apenas contentes. Não é nada fácil, com os mesmos parâmetros, imaginarmo-nos comedidos, castos ou humildes.”

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“A bicicleta é um ente espiritual” e outras considerações bondosas

O 1º Fórum Mundial da Bicicleta, assim como qualquer movimento vinculado ao ambientalismo, prezou por ovacionar o caráter transcendental desse aparelho hoje não somente irrelevante, mas relíquia apreciada por poucos. Na procura por adeptos da arte de pedalar, eis que os becicleteiros procuram também motivos metafísicos na justificativa do retorno à barbárie e primitivismo, coadunando discursos cômicos que vão da felicidade à opressão dos veículos motorizados. É o retorno aos discursos de divinização de objetos para alguns considerados “a fuga do caos moderno”.

Na proposta dos tais, vemos coisas como “a bicicleta é um símbolo e um instrumento para a busca da felicidade agora”, “a bicicleta é uma forma de participar ativamente da vida da cidade. A democracia direta é um dos pilares que devem guiar todas as decisões que afetam a coletividade”,  “a bicicleta é um símbolo de paz no trânsito” e, como pérola reluzente no bojo do esterco, “a bicicleta tem grande potencial para buscar saúde preventiva da população, através de um estado completo de bem estar físico, mental, espiritual e social”. Nas palestras, dentre outras de menor afirmação categórica, “Nova oficina: Aquecimento global, anticapitalismo e bicicleta com Daniel Cunha“.

Para quem observa o movimento ambientalista, não há novidade: o coletivismo salvacionista reina na tentativa de transferir ao bode expiatório o causador de todos os males. Essa aparente mensagem reveladora e esclarecedora do viés maligno do transporte motorizado acompanha justamente o viés ambientalista em atribuir, seletivamente, a responsabilidade dos males inerentes à condição humana ao ente que proporciona o moderno conforto. Como que seguindo o caminho na mesma esteira, e impelidos no vento da bondade ideológica, os movimentos ambientalistas, insertos sob um mesmo discurso messiânico, assumem o legado de fazer cair dos olhos dos incautos as escamas da ignorância e do consumismo contemporâneo.

Não obstante o discurso, que tem substância para análises infindáveis, tempo após tempo o ambientalismo assume a tendência de regulamentação da vida privada por meio da intromissão do Estado, utilizando-o para fins outrora justificados na metafísica do naturalismo ou, conforme se observa, na bicicleta enquanto ente dotado de inspirações espirituais.

A teta do Estado, então sempre exposta, proporciona a movimentos característicos o alimento diário, sobre o qual ressurgem anualmente o pietismo das calamidades vindouras. Das sacolinhas plásticas aos bicicleteiros conscientizados, a voz uníssona do aquecimento global e da destruição iminente proporcionada pelo consumo faz de tais movimentos o retorno à dissimulação deliberada; a dissimulação que faz do primitivismo o retorno à civilização e à higiene.

São, em síntese, os hippies alfabetizados e que ainda usam sabonetes. Mas não se anime, pois haverá o dia em que será criado o Fórum Mundial do Não Uso do Sabonete Poluidor.

Genésio Darci é um homem puro

Gosto do Leonardo Boff. Uma pessoa boazinha, de bom coração e que quer tão somente nos libertar das algemas do consumo. Em suma, um homem puro. Mas apesar de tamanha pureza e bondade, às vezes escorrega; não sempre, só às vezes, pois não havemos de desconfiar de tamanha benignidade. O erro do Genésio Darci – erro o qual não se assume – é inferir categoricamente que a premissa da produtividade é imaginar que os recursos naturais são infinitos. Dispondo sobre essa fragilidade terrena, Darci nos avisa: “até quando irá essa estultícia?”. Tamanho amadorismo não é proposital, pois não me atrevo a afirmar que esse equívoco parte de alguém de tamanha sabedoria.

Contudo, eis que alguém acusa: “Darci, é o oposto. As relações de produtividade e consumo partem justamente da ideia de que todo e qualquer recurso é finito e, portanto, possui valor”. As reações são imediatas. O que estaria fazendo um consumista no âmbito da pureza darciana? Responde o santo:

“Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva. […] O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo.”

Há 1 ano, escrevi:

“Ocorre que o primitivismo é atualmente um elogio à perversidade humana respaldado no mito do “bom selvagem” – melhor explicado por Rousseau -, tal como no repúdio de técnicas civilizatórias, que afastando o homem do contato direto com a natureza fez dele um animal impossível de conviver harmoniosamente com seus pares. O caos, a discórdia, a pobreza em todos os aspectos são fatores deletérios, mas inevitáveis como sentença da humanidade que escolheu se distanciar da inocência do primitivismo. Pois a civilização e o desenvolvimento de métodos de manipulação ambiental, como a agropecuária e a higiene artificial, seriam em si mesmas antinaturais. O resultado, afirmam, é a degradação humana inevitável.”

A argumentação cíclica de Genésio, desde sempre dizendo o que diz, cansa aos mais tênues ouvidos. O ambientalismo se tornou enfadonho em sua própria retórica, ao ponto de se fazer um caminho dentre muitos na chegada da perfeição das relações humanas. Não obstante sua insistência em se fazer um espelho evolutivo à humanidade, eis que a sustentabilidade é, segundo Genésio, a nova forma de confusão dos incautos. O que seria a “sustentabilidade real” à pureza darciana? É aquela que afasta as relações de consumo para adentrar ao campo da ecologia enquanto método superior de análise das relações humanas (sim, a ecologia na análise do homem).

Explica o bondoso homem, segundo o qual a “minoria” é a humanidade que faz da batata o purê:

“Ambientalmente correto: O atual tipo de desenvolvimento se faz movendo uma guerra irrefreável contra Gaia, arrancando dela tudo o que lhe for útil e objeto de lucro, especialmente, para aquelas minorias que controlam o processo.”

Contra Gaia não há argumentos. Quando citada, saia da frente: a Madrasta Terra não admite contestações.

Estado Confessional e mais coisas

Se não almejo a solução completa do problema ao explicar o Estado Laico, evidente que o mesmo não ocorre com o Estado Confessional. Afinal, garantir o equilíbrio da relação moral existente entre a religião professada e a existência de outras religiões, mesmo que reconhecidamente decadentes, é impossível e muitas vezes incentiva a irreligiosidade no ambiente privado. É de se ver que os países declaradamente confessionais são hoje aqueles que justamente permitem percentuais catastróficos de agnosticismo ou, pior, de ateísmo. Essa incoerência antes segue a destreza da massificação religiosa promovida pelo Estado; o estatismo religioso (aquele que incentiva e afirma a moral e costumes de determinada religião) promove antes a repulsa majoritária à religião professada, fenômeno o qual favorece o abandono crescente da responsabilidade religiosa. Sendo a religião afirmada pelo Estado, eis que essa mesma religião se dissolve e, apesar de encontrada em qualquer espaço público, é esquecida nos templos.

O Estado Teocrático, ainda que bárbaro como o Estado Ateu, evita essa dissolução da religião confessada e incrementa a confusão dos limites entre Governo e religião. Em suma, a teocracia é o estágio próximo do Estado Confessional, quando este é implementado em civilizações imaturas. Ao mesmo tempo, assume a práxis do Estado Ateu ao relegar ao estatismo a intervenção das convicções individuais, forma pela qual a supressão das liberdades se torna o elemento inevitável de seu desfecho.

A solução? Desconheço. É certo que o Estado Laico, encontrado em qualquer esquina, perdura análises mais profundas justamente por sua presença quase universal. Significa afirmar que o laicismo é regra; e não exceção. Que sua implementação é o estágio natural de qualquer Estado moderno que vise estabelecer a ordem mínima sem inicialmente aniquilar a religiosidade privada, a religião professada fora do âmbito público. Contudo, é no laicismo em que se permite quase que com conivência teatral a formação de movimentos perversos. Ao menos nos estados confessionais, certos movimentos recebem a reprovação imediata e, uma vez estabelecidos, posteriormente são coercitivamente extintos de forma tão efusiva que sobram somente os resquícios do mundo virtual.

Parodiando o Charles Gomes: estatistas, façam suas escolhas [rs].

Estado Laico e outras coisas

Neste excelente texto do Charles Gomes retorno à antiga, porém pertinente discussão que envolve a formação do Estado Laico e Confessional. Isso porque existia, ainda que na doutrina mais comum, a ideia central do laicismo enquanto Estado neutro na relação religião-coisa pública, forma pela qual o Estado Confessional era seu antagonista iminente. Eis que o laicismo acomete na inexistência da religião no Estado e o confessionalismo, o contrário. Mas a aproximação constante e inevitável do laicismo contemporâneo para com o Estado Ateu fez do “homem laico” (aquele que anseia incessantemente pelo secularismo, inclusive dentro dos templos) o espectro do Estado não neutro, mas intencionalmente imbuído do sentimento antirreligioso e, portanto, convicto em estabelecer limites ao pleno exercício da religião.

Essa interessante simbiose parte da neutralidade estatal na afirmação da moral ao ponto de, logo em seguida, negá-la ativamente em nome do laicismo. O Estado, quando ainda submetido às rédeas da moral religiosa, faz-se o principal promotor de medidas imorais que estariam por visualizar o neutralismo são somente estatal, mas também moral. Estando o Estado “contaminado pela religião” (o que se afirma geralmente pelo Poder Executivo), é em nome do laicismo pelo qual medidas de contrapeso serão inevitavelmente implementadas, o que significa dizer inclusive a conivência com movimentos reconhecidamente perversos (falo deles em outro momento). Apesar de não sugerir uma garantia eficaz, o Estado Confessional prepara o terreno da coisa pública para o moralismo religioso, com o qual se terá a estrutura basilar da moral cívica.

Significa dizer que o Estado Confessional e o Estado Laico hoje perduram em oposição flagrante: o primeiro assume a moral religiosa na constituição burocrática; o segundo assume a neutralidade moral, contudo impelido em retirar de toda e qualquer esfera governamental qualquer resquício de afirmação religiosa, antes essencial na manutenção moral do próprio Estado.

E, vejam, assumo como laico o Estado que o pretende, assim como reconheço confessional o Estado que dessa forma se declara. É possível que o Estado seja laico e ainda permita certos atos de afirmação religiosa, como uma mera inscrição em dinheiro corrente ou, o que é ainda mais interessante, a citação de Deus no preâmbulo constitucional. É o minus do resto de antes.

“Crucifixos desrespeitam outros credos”, é o que se afirma. Contudo não percebem que o crucifixo não é somente a afirmação da religião professada, mas da moral resguardada pela fé religiosa.  O Estado, quando formado aos pés de determinada religião, e quando ainda não a nega em nome do laicismo, assume sobre si suas características básicas.

É a presença do signo religioso que garantirá no Estado o respeito premeditado a toda e qualquer manifestação religiosa. Não somente como símbolo da própria religião, a presença física de manifestações religiosas no meio público resguarda a neutralidade moral e protege sua remoção justificada “em vista do respeito da religiosidade de todos”. A França, proibindo a burca (fenômeno infelizmente elogiado por vários protestantes), veio então a proibir os crucifixos para, assim, tentar regular inclusive as manifestações religiosas dentro dos templos. O Estado Francês hoje se constitui de elementos um passo atrás do Estado Ateu. É o Estado Laico em sua maturidade plena, não obstante em franca decadência.

Tal como o Charles Gomes, não pretendo dar soluções. Reconheço que o Estado Confessional necessita antes de um preparativo civilizatório, o qual estaria relacionado à religião imediatamente professada. Não existe coincidência nos estados confessionais como Dinamarca, Noruega, Reino Unido, Finlândia, Islândia e outros tais quais Butão, Argélia, Síria, Egito, Irã, estes muitas vezes já tornados estados totalitários. A civilização é moldada pela religião, e a religião corrobora a moralidade cívica. Não se pode esperar muito do Estado se não se espera nada de sua capacidade de organização. Sim, há sociedades mais virtuosas que outras.

Da propriedade, segundo Pio XI

‎Papa Pio XI, 40º aniversário da Rerum novarum, 1931.

“Para vir agora ao particular, começamos pelo direito de propriedade. Sabeis, veneráveis Irmãos e amados Filhos, que Leão XIII de feliz memória defendeu tenazmente o direito de propriedade contra as aberrações dos socialistas do seu tempo, mostrando que a destruição do domínio particular reverteria, não em vantagem, mas em ruína da classe operária. […]

Títulos de aquisição do domínio são a ocupação de coisas sem dono, a indústria ou a chamada especificação, como o demonstram abundantemente a tradição de todos os séculos e a doutrina do Nosso Predecessor Leão XIII. De facto não faz injustiça a ninguém, por mais que alguns digam o contrário, quem se apodera de uma coisa abandonada ou sem dono; de outra parte a indústria que alguém exerce em nome próprio, e com a qual as coisas se transformam ou aumentam de valor, dá-lhe direito sobre os produtos do seu trabalho. […]

É preciso atender também ao empresário e à empresa no determinar a importância dos salários; seria injustiça exigir salários demasiados, que eles não pudessem pagar sem se arruinarem e arruinarem consigo os operários.

Mas se a deficiência dos lucros dependesse da negligência, inércia, ou descuido em procurar o progresso técnico e económico, não seria essa uma causa justa para cercear a paga aos operários.

Se porém a causa de a empresa não render quanto baste para retribuir aos operários equitativamente, são contribuições injustas [impostos injustos] ou o ver-se forçada a vender os artefactos por um preço inferior ao justo, os que assim a vexam, tornam-se réus de culpa grave; pois que privam do justo salário os trabalhadores, que forçados da necessidade se vêem obrigados a aceitar uma paga inferior à devida.

Trabalhem por conseguinte de comum acordo operários e patrões para vencer as dificuldades e obstáculos, e sejam em obra tão salutar ajudados prudente e providamente pela autoridade pública. Mas se apesar de tudo os negócios correrem mal, será então o caso de ver se a empresa poderá continuar, ou se será melhor prover aos operários de outro modo. Nessas gravíssimas conjunturas é, mais que nunca, necessário, que reine e se sinta entre operários e patrões a união e concórdia cristã.”

Os dois lados

O problema da religião é sua objetividade enquanto sistema de atribuições e condenações muitas vezes insuportáveis ao homem. Explico: ora o cristianismo é odiado por sua conivência em questões as quais são consideradas irrelevantes [aos cristãos], ora o cristianismo é repelido por justamente aplicar, conforme sua doutrina, as sentenças inevitáveis àqueles que são, em regra, socialmente menosprezados; a não ser que amparados por medidas de afirmação governamental.

O cristão não se preocupa com o meio ambiente. Calvinista ou vaticanizado, o ambientalismo não raramente é visualizado uma forma menos esperta de fenômenos naturalistas antigos, que alguns insistem em chamar de “paganismo”. Para tanto devemos nos ater ao óbvio: o que é a natureza senão o que deve ser preservado por sua beleza – e por sua utilidade – e não por seu patamar de “vida em tudo”, da Gaia que nos observa e nos julga? Se os países cristãos são hoje justamente aqueles que conseguiram melhor adequar a higiene ao meio ambiente (afinal, o ambientalismo é essencialmente anti-higiênico), evidente que o ambientalismo como ideologia tende a negar, primeiramente, a própria religião.

Isso ocorre por seu viés cientificista, o qual constrange os incautos a relevar os discursos ambientalistas como uma ramificação simplista da biologia. Não raramente, vê-se que em tempo há quem consiga coadunar a ciência com o esoterismo, fazendo com que haja, por fim, verdadeiros teóricos esotérico-cientificistas muitas vezes abraçados no cristianismo. O cristão que se utiliza de jargões e conceitos ambientalistas (exemplo: Gaia ou Mãe-Terra) é tudo, menos cristão. É um embuste, considerado relevante justamente por aqueles que não se consideram cristãos, mas inseridos na terceira-via do cristianismo, o qual chamo de “cristianismo místico”. Hoje, minoria, tendem ao desaparecimento, apesar da insistência.

Mas eis que o cristão é também preconceituoso. Ao apontar que determinado comportamento equivale ao erro da alma, é então repelido enquanto “religião totalitária”, que se respalda em um livro arcaico. Sobre o homossexualismo, no qual existem paixões no mínimo interessantes, é de se entender que o cristão observa não somente conceitos de ordem teológica e doutrinária, todavia também conceitos de preservação da ordem familiar e de estabilidade social.

Se o casamento é uma instituição, e não somente um contrato, e se o casamento é eminentemente religioso, inserto nas culturas por meio da benção do líder espiritual, inviável qualquer separação de sua simbologia daquilo que se pretenda ser uma aceitação religiosa do homossexualismo como conduta reprovável. Não obstante, quer-se que a religião se descaracterize aos fins de permitir o que se repugna e de favorecer aqueles a quem se menospreza.

E nem falo do casamento civil, esse ainda tido como um minus da tentativa de se regular o casamento religioso. Primeiro tivemos a união estável; após, o casamento civil e, por último, a afirmação de que “todo líder religioso que se nega casar homossexuais é um preconceituoso homofóbico”. Homofóbico, não. Afinal, ninguém tem repulsa física a homossexuais; mas, sim, preconceituoso, porque a religião é discriminatória em sua essência, assim como qualquer mente sã que tenha em si o sentido de autopreservação.

Esse raciocínio é impensável [no sentido de que inexiste um padrão moral para tal] a quem observa todo e qualquer comportamento mero resultado do meio, e não da decadência natural e inevitável do homem. Gosto de exemplos: se considero o homossexualismo uma parafilia, há quem negue, pois seria o homossexualismo um fenômeno biológico. Eis então que a pedofilia, coprofagia e a menofilia seriam fenômenos doentios de distúrbios sexuais inaturais ao homem médio, repugnante em sua essência e que fomentaria discriminações inevitáveis.

Mas ninguém ousa dizer “sou um menofílico”, menos ainda “sou um pedófilo”. Certas parafilias são vistas com repugnância pelo homem comum, que faz de piadas a menções de descaso, ao ponto do comportamento ser o estereótipo do homem mais baixo e que necessitaria, finalmente, por medidas de afirmação governamental.