Das amizades

Desconheço os limites de qualquer pessoa em instigar outros a valorizá-la. Se o desprezo é inevitável em determinadas situações, para determinadas pessoas o desprezo é algo inexorável, comum à própria existência, como falar e comer diariamente. Significa dizer que não há espaço [ao menos na juventude] para o que chamo de “caridade sentimental”, quando a observação do próximo o leva sempre a evitá-lo. Obviamente que estou incluído nessa perspectiva. Incontestáveis são as razões pelas quais é mais confortável o relacionamento com certos indivíduos que ofertam, digamos, um ar de companheirismo mais efusivo. Essa é a noção principal e fundamental a que se expõem os limites da amizade: a tolerância dos amigos é um dom de muitos, mas não o meu.

Dessa forma, a amizade que faz grupelhos se reunirem constantemente, como se não houvesse o amanhã, como se a confiança exalasse automaticamente certa maturidade, em verdade deve ser vista tal qual um resquício dos sentimentos adolescentes, estes sim dados ao companheirismo ao ponto de negarem a própria educação. Se perguntarem minha opinião sobre os tais que veem as amizades acima tudo e de todo o resto, não exito em responder que o conforto da adolescência às vezes perdura até a velhice.

Não significa dizer que não acredito em verdadeiras amizades. Existem, mas são tão raras que sequer valem qualquer comentário relevante, devendo elas serem guardadas, memorizadas, sem menções. Por vezes nunca ocorrem, e por vezes ocorrem sem que percebamos até o momento em que se revela uma circunstância específica, na qual o grupo – aqueles que gostam das boas conversas – não estaria apto a se manifestar pela incapacidade natural em atentar para algo além do próprio companheirismo.

Já me avisaram que essa indiferença para com aquilo que se chama de “amizade” é na verdade uma tentativa pessoal de não me decepcionar. Mas vou além: é uma tentativa de não criar vínculos que necessitem de sacrifícios desproporcionais à realidade. É fato que boas conversas aparentam boas amizades, mas mais verdadeiro é entender que não vale o esforço na criação de vínculos que sabemos serem supérfluos, momentâneos e, a longo prazo, irrelevantes.

Goebbels explica as mazelas do capitalismo

Extraído do grupo Filosofia.

Democrática província do dinheiro

15 de julho de 1929.

Joseph Goebbels, O ataque – Extratos da época de luta, 1935, p. 188-190

“Capitalismo não é uma coisa, mas sim uma relação para com ela. Não são as minas, fábricas, imóveis e terrenos, instalações ferroviárias, dinheiro e ações, as causas de nossa necessidade social, mas sim o abuso destes bens do povo. O capitalismo não é nada mais que a usurpação do capital do povo e, de fato, esta definição não encontra sua definição na limitação da pura economia. Ela tem sua validade ampla em todas as áreas da vida pública. Ela representa um princípio. Capitalismo é, sobretudo, o uso abusivo dos bens comuns, e a pessoa, que comete este abuso, é um capitalista.”

Uma mina existe para fornecer carvão ao povo, para que ele tenha luz e calor. Fábricas, casas, propriedades e terrenos, dinheiro e ações, existem para estar a serviço do povo, e não para tornar escravo um povo. A posse destes bens não proporciona somente direitos, mas deveres. Propriedade significa responsabilidade, e não apenas com seu próprio bolso, mas perante o povo e seu bem-estar. No início, as minas estavam lá para servir à produção, e a produção existe para servir ao povo. Não foi o dinheiro que descobriu as pessoas, mas sim as pessoas que inventaram o dinheiro, e para que ele lhes sirva, e não para que as subjugue.

Se eu abuso dos bens econômicos para torturar e fazer sofrer o meu povo, então eu não sou digno da posse destes bens. Então eu inverto o sentido da vida no seu oposto, eu sou um capitalista da economia. Se eu promovo abuso de bens culturais, por exemplo, eu aproveito da religião para motivos econômicos ou políticos, então eu sou um mau administrador do bem a mim confiado, um capitalista cultural. O capitalismo se transforma num instante nas mais intragáveis formas, onde os motivos pessoais, para quais ele serve, se sobrepõem ao interesse de todo o povo. Parte-se então das coisas e não das pessoas. O dinheiro torna-se então o eixo, em torno do qual tudo gira.

No Socialismo é o contrário. A cosmovisão socialista começa no povo e então avança sobre as coisas. As coisas se submetem ao povo; o socialista coloca o povo sobre tudo, e as coisas são só meios para se atingir os fins.

Apliquemos esta premissa na vida econômica, então resulta a seguinte situação:

Em um sistema capitalista, o povo serve à produção, e esta é dependente por sua vez do poder do dinheiro. O fantasma do dinheiro triunfa sobre a presença viva do povo. Em um sistema socialista, o dinheiro serve à produção, e a produção serve ao povo. O fantasma dinheiro se submete à comunidade orgânica de sangue – povo. O Estado pode ter nestas coisas somente um papel regulador. Ele revela os eternos conflitos entre capital e trabalho, seu caráter destrutivo. Ele é o juiz entre ambos, mas que age implacavelmente quando o povo está ameaçado. Existe para ele somente uma clara decisão, seja como for. Se ele se coloca numa disputa econômica ao lado hostil ao povo – pode ser tão nacional como quiser – então ele é capitalista. Ao contrário, caso ele sirva à justiça, e que é análogo à necessidade estatal, então ele é socialista.

Tão claras e transparentes possam parecer estes fundamentos da teoria, tão difíceis e complicados eles são na prática política. Eles dependem de milhares de questões individuais de caráter técnico ou comercial, de condições macro-econômicas globais e embaraços políticos mundiais. Mas esses problemas são insolúveis para um povo que interiormente não tenha caráter e seja exteriormente um escravo. Este é o caso hoje da Alemanha. Para nós não é colocado o debate, se Socialismo ou Capitalismo. Nós precisamos trabalhar para nossos opressores e não temos tempo para pensar em Socialismo, para não mencionar que mesmo que tivéssemos também a modesta possibilidade, seria difícil colocá-lo em prática.

Este foi o erro crucial do proletariado alemão naquele infeliz 18 de novembro de 1918: pode se perder uma guerra, deixar acontecer uma revolução, e apesar disso pode-se derrubar um Estado capitalista e erigir em seu lugar um Estado socialista. Isso só foi possível com as armas. Ninguém conseguiu na história mundial estabelecer uma nova cosmovisão – e o Socialismo é uma – através de uma capitulação, mas somente com resistência e ataque. 1918 apresentou aos socialistas alemães somente uma missão: manter as armas e defender o Socialismo alemão. Isso não foi feito. Conversa-se e realizam-se revoluções, mas o trabalhador alemão não nota que com isso ele apenas segura o cabide para seu pior inimigo, o capital internacional.

O resultado desta tolice é a anarquia de hoje. No papel uma Democracia social; na prática uma plantação do capital internacional. Ao contrário, nós nos posicionamos para a defesa. Como somos socialistas, queremos que o dinheiro sirva ao povo, por isso nos rebelamos contra esta situação, preparem a vontade para romper com um sistema insuportável, que dos escombros da democrática província do dinheiro, levante o Estado nacional alemão.”