Não sou um entusiasta; ou “conservadorismo juvenil”

Já afirmei diversas vezes, e quem me conhece sabe que de fato prezo por esta máxima, que se você deseja a seriedade em qualquer movimento, ainda que seja a reunião de tudo o que há de pior e melhor no mundo político, vá para longe do Brasil. Do liberalismo econômico ao conservadorismo político, a apresentação de novas figuras (dotadas de uma facilidade de acomodação das próprias redes sociais) implica na apresentação de novos problemas, tal como na constatação de novos desafios.

Nelson Rodrigues há décadas já afirmava que aquele que confia no jovem é um louco. Roberto Campos, na década de 80, afirmava que o problema do liberalismo brasileiro é sua inexperiência política (pois que defendida por jovens). O ortodoxo Dostoievski afirmava que os jovens têm a paixão das crianças, e também sua imaturidade. E se há algo que abarrota os meios conservadores atuais são jovens que, se imaturos ou de fato já esquecidos de que conservadorismo significa o estudo filosófico, conseguem antes eliminar de vez qualquer chance de prorrogação daquilo que se observa como um levante conservador, tendente à organização política. Não sou e provavelmente não serei um entusiasta desse ressurgimento. A volúpia das redes sociais, sua facilidade em deturpações e a inexistência de centro de estudos específicos me fazem pensar se a criação dos mesmos seria a criação de clubinhos juvenis, abarrotados de sonhadores que, muitas vezes, possuem o mesmo ímpeto e técnica revolucionários.

“Não gosto de Pedro Sette-Câmara, menos ainda de Leonardo Bruno, estes acomodados”, foi a frase de um jovem que no ativismo tentou explicar sua natureza inquieta. Para o tal – e tenho em mente que outros milhares pensam da mesma forma – a reflexão meramente teórica, justamente a mesma reflexão que descambou na consolidação do conservadorismo americano, faz parte de uma praxis subjetiva, porém essencialmente coletivista. Significa dizer, caros, que as novas bolhas conservadoras recentemente formadas contêm em si a mesma e igual perspectiva dos movimentos de esquerda, tão somente alterada a causa e suas implicações no mundo partidário, mas mantidas as consequências finais no anseio do poder.

Todos os grandes centros conservadores formados a partir da era Reagan foram por duas décadas avessos à politização e partidarização da intelectualidade conservadora. Em outros termos, relata-se que a teorização conservadora, sua concretização filosófica, antecede a uma formação conservadora partidária, que tão somente se alimenta de estruturas teóricas identificáveis e amparadas em estudos previamente analisados, discutidos, relevados, que se de fato incompatíveis com a tese conservadora são, portanto, descartados à luz de posições maturadas. A independência – ou, no máximo, a politização em partidos simbólicos – ressalta a natureza teórica do conservadorismo.

O conservadorismo é teorizador, e escapar desse pressuposto é decretar já de antemão o confinamento de qualquer movimento conservativista à sua diminuição tal qual um movimento de cunho estritamente ideológico, que não observa nada além da própria ambição politizadora. A ideologização do conservadorismo, seu amestramento a uma etapa diminuta e dissimulada da política, exige ao menos a consideração partidária em mesmo norte dos movimentos conservadores ingleses, hoje irrelevantes, hoje engolidos pelos discursos somente aqui e ali válidos na conjuntura política europeia. O afastamento da teorização é a destruição de qualquer pretexto conservador, e Voegelin já na década de 40 nos mostrava que política e intelectualidade somente se demonstram amigáveis se acompanhados de uma maturidade filosófica, escorada antes na maturidade individual.