Japão, Israel e EUA

Há alguns meses, escrevi:

“Se, como revelou o Charles Gomes, os samurais cristãos foram disseminados pelo absolutismo monárquico, que instaurou por quatro séculos a barbárie e incivilização, é certo que a Constituição Japonesa de 1947 definiu o início da monarquia nos moldes ingleses e a implementação de valores cristãos em uma sociedade assolada pela decadência das religiões orientais. A Constituição Japonesa se mantém inerte, com seus pontos fundamentais inalterados e recostados na reverência de uma nação à magnitude de princípios inafastáveis, pois que evidentemente superiores.

Eis o que separa o Japão que apoiou nazistas do Japão que apoia Israel.”

Explica novamente o Charles:

“O caso se aplica? Para quem não entende de história sim. Na Batalha de Saipan, segundo o historiador Herbert Bix, o Imperador Hirohito ordenou que todos os civis cometessem suicídio, e cerca de 22 mil civis, dos 25 mil que viviam na ilha, obedeceram. Em Okinawa, 1/3 da população da ilha cometeu suicídio (algumas vezes em ataques suicidas comandados por militares). Isso sem contar as baixas só do exército, onde muito poucos de milhares sobreviviam, para se ter idéia em Iwo Jima, de 19 mil soldados japoneses, apenas 200 sobreviveram, e em Saipan, dos 31 mil, 921 mantiveram a vida.¹

A linha entre militar e civil era embaçada devido a religião e código militar dos japoneses, uma invasão poderia causar um grande genocídio, além claro, de baixas americanas. Aliás, é complicado achar um inimigo de guerra que após a derrota do outro, ajudou o seu inimigo a se recuperar, é talvez por isso, que o anti-americanismo nesse caso é mais forte aqui que no Japão, que hoje é um aliado americano.

A vida de milhares em Hiroshima e Nagasaki ajudou a salvar milhares de outras e até o Japão. Foi um sacrifício heróico e eficiente e uma decisão muito difícil que quem critica muitas vezes não percebe (e não quer perceber) as nuances, afinal, se quer ser popular entre os intelectuais brasileiros seja como o professor Carlão, que é mais um comediante stand-up que um professor.”