Ambientalistas e escatológicos juntos, de mãos dadas

O mês de maio de 2011 será lembrado como o mês em que o arrebatamento não aconteceu. Evidentemente, pulula aos quatro cantos o clamor de que a previsão de Harold Camping não foi em vão: “o arrebatamento seria um estado de espírito”. A irrelevância ao cristianismo dessas pérolas é tamanha que a piada nasce pronta e morre para virar estatística de profetas que insistem em negar a Palavra. A ridicularização iminente, contudo, não é uma exclusividade religiosa e profecia não é status somente apreciado pelos crédulos em catastrofismos sectários e – por que não? – heréticos.

Mas sigamos aos fatos, longe da credulidade, dessas besteiras da religião. Falemos de Ciência!

É um fato, dizem os ambientalistas, que não haverá calotas polares em 2020. É fatológico que em 2050 o nível dos oceanos estará insustentável, e cidades como New York terão de construir, vejam, barricadas de contenção marítima. Al Gore, Profeta, afirma contundentemente que o aquecimento global será responsável, em 2100, pela aniquilação de metade da raça humana se essa devastação terrível, oriunda obviamente da ganância humana, não for interrompida.

Não preciso aqui estabelecer grandes paralelos entre a imbecilização escatológica das predições apocalípticas oriundas de cientistas, políticos e homens de bom coração. Ridículo foi aquele que pensou ser a arrebatamento algo inevitável neste dia de maio, mas esperto, virtuoso, cheio de piedade e amigo da humanidade é aquele que crê fervorosamente no futuro ditado por outros profetas menores, porém não menos infantis.

Al Gore é o Camping dos ambientalistas, e estarão em um futuro próximo todos com as mãos levantadas no anúncio de catástrofes que nunca se revelam. Contudo, fique sabendo, a estupidez de cientistas é menos estúpida que a estupidez de um religioso qualquer, ainda que contrário à religião que professa e que, assim, nega-a para a própria perdição.