É fácil ser louco; é fácil ser herege

A Igreja em seus primeiros dias correu violenta e velozmente com qualquer cavalo de batalha; no entanto, é totalmente anti-histórico dizer que ela apenas cometeu loucuras apegando-se a uma única idéia, como um fanatismo vulgar. Ela curvou-se para a esquerda e para a direita, na medida exata a fim de evitar enormes obstáculos. Num dado momento ela abandonou o enorme vulto do arianismo, apoiado por todos os poderes deste mundo para fazer o cristianismo mundano demais. No instante seguinte ela estava se curvando para evitar o orientalismo, que o teria espiritualizado demais.

A Igreja ortodoxa nunca tornou a rota fácil ou aceitou as convenções; a Igreja ortodoxa nunca foi respeitável. Teria sido mais fácil ter aceitado o poder terreno dos arianos. Teria sido mais fácil, durante o calvinista século XVII, cair no abismo infinito da predestinação. É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha história do cristianismo – isso teria sido de fato simples. 

É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levantar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos têm sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé.

Chesterton em Ortodoxia

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Ambientalistas e escatológicos juntos, de mãos dadas

O mês de maio de 2011 será lembrado como o mês em que o arrebatamento não aconteceu. Evidentemente, pulula aos quatro cantos o clamor de que a previsão de Harold Camping não foi em vão: “o arrebatamento seria um estado de espírito”. A irrelevância ao cristianismo dessas pérolas é tamanha que a piada nasce pronta e morre para virar estatística de profetas que insistem em negar a Palavra. A ridicularização iminente, contudo, não é uma exclusividade religiosa e profecia não é status somente apreciado pelos crédulos em catastrofismos sectários e – por que não? – heréticos.

Mas sigamos aos fatos, longe da credulidade, dessas besteiras da religião. Falemos de Ciência!

É um fato, dizem os ambientalistas, que não haverá calotas polares em 2020. É fatológico que em 2050 o nível dos oceanos estará insustentável, e cidades como New York terão de construir, vejam, barricadas de contenção marítima. Al Gore, Profeta, afirma contundentemente que o aquecimento global será responsável, em 2100, pela aniquilação de metade da raça humana se essa devastação terrível, oriunda obviamente da ganância humana, não for interrompida.

Não preciso aqui estabelecer grandes paralelos entre a imbecilização escatológica das predições apocalípticas oriundas de cientistas, políticos e homens de bom coração. Ridículo foi aquele que pensou ser a arrebatamento algo inevitável neste dia de maio, mas esperto, virtuoso, cheio de piedade e amigo da humanidade é aquele que crê fervorosamente no futuro ditado por outros profetas menores, porém não menos infantis.

Al Gore é o Camping dos ambientalistas, e estarão em um futuro próximo todos com as mãos levantadas no anúncio de catástrofes que nunca se revelam. Contudo, fique sabendo, a estupidez de cientistas é menos estúpida que a estupidez de um religioso qualquer, ainda que contrário à religião que professa e que, assim, nega-a para a própria perdição.

Das lições que nunca se perdem

Ao menos o homossexual sabe que sua condição é anômala. Quando inquirido acerca de seu comportamento, e quando enfrentado por uma análise moral da situação, o homossexual tende a se debruçar no perigoso e mais falacioso dos conceitos filosóficos: “o que importa é a felicidade”, sentenciando a si próprio. Em nome dela – e, veja, ainda que reconhecendo seu estado de degradação – o indivíduo gay convalesce certa tendência em negar todo e qualquer fenômeno que venha a suprimir seu estado de felicidade, o qual chamo aqui de “estado de satisfação passageira”.

A felicidade para o gay é então uma forma de afastar, por exemplo, qualquer rejeição social, pelo qual se implora pela tolerância. “Quem irá dizer como devo ser feliz?”, perguntam. Contudo, a aceitação do homossexualismo, que não envolve necessariamente religião, desperta certa repulsa social que deve ser domesticada, negando eles a reconhecerem que a aversão social ao homossexualismo é antes uma aversão moral e que antecede meras opiniões formadas pelo consentimento à felicidade, tolerância e fraternidade.

É evidente que o homossexualismo é tão antigo quanto a própria civilização, assim como as prostitutas, mas a afirmação do homossexualismo pelo Estado, mediante medidas coercitivas, é fenômeno novo e que transcende historicamente a repulsa social que antes sufocava ativismos irrelevantes. Assim, qualquer comparação com o homossexualismo babilônico e romano não encontra na atualidade seu amparo fundamental, que é a tentativa do gay em impor condutas pelas vias da burocracia e da educação escolar.

Do contrário, o Estado historicamente convulsionou o homossexualismo à marginalidade e, posteriormente, à forca. Confiar que outros queiram a sua felicidade é tão ingênuo quanto crer que o Estado não tenha em si o resquício daquilo que praticou por séculos.

Brasil e aquele outro

Mais aqui.

Eu creio que podemos ter uma bela ideia de qual foi a contribuição bilionária de todos os erros. O Brasil tem coisa de 190 milhões de pessoas, não é mesmo? Dixit Censo 2010. Não consegui encontrar o número de pessoas com nível superior, mas diz o Guia do Estudante que em 2010 tínhamos 5,8 milhões de pessoas matriculadas na universidade. As universidades particulares proliferam, aumentam seus corpos discentes. E ainda teríamos de ver quantas pessoas completaram o segundo grau, ou ensino médio, ou o que for o nome atual daquilo que nos EUA há bastante tempo se chama high school. Diante dessas brevíssimas considerações, qual o resultado do Kulturkampf de décadas do nosso Ministério? Que o brasileiro nunca jamais se habituou a procurar livros como fontes de entretenimento ou de informação. Se você estiver disposto a ficar deprimido, convido-o a conhecer o mercado editorial brasileiro visitando a lista semanal de mais vendidos da Publishnews, que nem traz números de livros para concursos, religiosos cristãos, e espíritas. É verdade que, na lista mais recente, o primeiríssimo lugar é um livro religioso, do Pe. Marcelo Rossi, mas na verdade é um livro de uma celebridade, cuja fama vai muito além do mercado editorial, e que o volume é vendido fora de livrarias. Veja a diferença para o segundo lugar. Agora vou contar uma coisa: eu já vi uma semana em que o livro mais vendido do Brasil ficou em 853 exemplares. Isso, não faltou nenhum zero não. 853. Medite: 190 milhões de pessoas, 5,8 milhões de universitários, 853 livros.

Agora eu vou recomendar vivamente que você feche a janela e chame alguém para ficar por perto, com um leque, com um copo d’água. Os Estados Unidos têm 309 milhões de pessoas, pouco mais do que um Brasil e meio. Os universitários matriculados eram 14,3 milhões segundo o censo americano de 2009, ou pouco menos do que 2,5 vezes o número de universitários brasileiros. Vamos ver os números do mercado editorial? Tudo bem, eles vão assustar também porque vêm em dados anuais, mas veja só o quanto venderam em 2010 os livros de capa dura, os livros de capa mole, os e-books e os livros infantis. Eu nem vou colocar os dados aqui, porque comentá-los demandaria muito tempo.

Islã condena o sepultamento de um irmão

A Irmandade Islâmica dos EUA nos exorta que um corpo jogado ao mar desrespeitaria o princípio natural e fundamental do islamismo em enterrá-lo com a cabeça voltada a Meca. Segundos tais santos, nem o mais perverso dos homens merece tamanho desrespeito e injúria a algo que envolve também questões espirituais. Tal comunidade é a mesma que diz com todas as letras que Osama Bin Laden não representa o Islã; do contrário, afirmam, Osama é anti-islâmico por atuar contra os princípios d’O Grande Profeta e fazer do islamismo uma religião caracteristicamente bárbara.

Uma a uma, as manifestações de líderes islâmicos parabenizam comedidamente a morte do terrorista, mas condenam veementemente a forma com a qual o irmão foi sepultado. Ao tempo em que se condena o morto por aquilo que fez em vida, louva-se o corpo que, para qualquer muçulmano, seria um ícone a ser rememorado, para o bem ou para o mal.

Assim como acredito na função civilizatória do cristianismo, é certo que o Islã, no mundo cristão, está sendo relativamente domado. O discurso islâmico informa novos paradigmas de exaltação dissimulada de personagens tidos como escória na civilização, discurso este travestido em máximas universais a todo homem.

Mestres islâmicos nos informam que devemos separar a atuação em vida, e suas consequências, do julgamento divino conforme preceitua a religião. Em suma, tentam veladamente instituir ao ocidente como e onde se deve sepultar seus inimigos declarados.