Sobre lavar pratos

Rogério Pettro, do Rio de Janeiro, me envia:

“Apesar de considerar exagerada, por exemplo, a proibição do voto pelo simples imoralismo (afinal, um magistrado corrupto e vagabundo poderia ou não votar?), a proibição dos assistenciados me parece válida. Me lembro muito bem quando fiz minha primeiras viagens a Fortaleza, quando se via nos bairros mais carentes pessoas fazendo artesanato e vendendo seus produtos a quem interessava. Hoje estão pendurados em redes e nesses mesmos bairros a criminalidade aumentou grandemente. Perguntei o motivo disso e me falaram que era “porque a bolsa-família acomodou todos eles”. Antes, geravam riqueza, tinham patrimônio e vendiam seus produtos. Hoje são literalmente vagabundos sustentados pelo meu dinheiro. Foi após essa viagem que entendi os motivos do nordeste amar o assistencialismo do Estado.

Outro fato intrigante é o culto brasileiro ao funcionarismo público. Não nego eles sejam necessários, afinal os países mais desenvolvidos possuem em média 10% de população trabalhando para o Estado e sem constrangimentos sociais. A questão principal é a eficiência e a reprovação da população sobre aqueles que prestam um desserviço. Minha tese é de que eles são assim, endeusados, por simplesmente terem o emprego garantido. Ora, em qualquer outro país o funcionário público pode ser exonerado a qualquer momento; no Brasil, o cargo é eterno ainda que inútil à sociedade já que na verdade é peixada de burocratas que na iniciativa privada não saberiam sequer em como lavar pratos”.