Caio Blinder nos ensina do proletariado em pleno Moscow Connection

Laura Castro Santos, de Belém-PA, me envia:

“Sinceramente, acho que se tomarmos ao pé da letra não temos muito em nossas mãos. O assistencialismo é a nova regra da atualidade e quem o combate é chamado de “inimigo da sociedade”, “inimigo do público”, “patrão” e “burguês”. É o velho retorno à guerra entre o rico e o pobre, o empregador e o empregado. Coisa de país subdesenvolvido.

Mas gostamos de exportar essa mentalidade até às nações que tentam se manter sadia em seus fundamentos morais. Não sei se você chegou a assistir, mas no último programa do Manhattan Connection (que daqui a pouco se chamará Moscow Connection), Caio Blinder, velho socialista das antigas e que fala na base da decoreba googliana, se classificou um “proletariado”. Sim, ele que vive na redoma do desenvolvimento capitalista diz, ao vivo, que é um “proletariado”.

Não é àtoa que ele é um dos que mais gostam das firulas de Obama como ao pão e circo aos pobres latinos, mais conhecidos como “cânceres latinos”. É ele também que adora ver uma empresa estatal comprando uma empresa privada que “oprime o bom trabalhador”.

Sinceramente não vejo como uma pessoa como ele, renomado jornalista, consegue se curvar ao assistencialismo e propagá-lo na terra onde o que vale são os negócios, o mérito e as virtudes cristãs. Já me disseram que por incrível que pareça é crescente o número de judeus marxistas nos EUA. Talvez eles não tenham lido nos livros de história básica que Stálin foi quem forneceu a tecnologia dos campos de extermínio. Talvez tenham esquecido que o comunismo é inimigo das religiões e dos religiosos, inclusos aí os judiados judeus.

Desista, sempre haverá quem ama viver do estatismo ainda que isso lhe vala a cabeça rolando”.

Sobre lavar pratos

Rogério Pettro, do Rio de Janeiro, me envia:

“Apesar de considerar exagerada, por exemplo, a proibição do voto pelo simples imoralismo (afinal, um magistrado corrupto e vagabundo poderia ou não votar?), a proibição dos assistenciados me parece válida. Me lembro muito bem quando fiz minha primeiras viagens a Fortaleza, quando se via nos bairros mais carentes pessoas fazendo artesanato e vendendo seus produtos a quem interessava. Hoje estão pendurados em redes e nesses mesmos bairros a criminalidade aumentou grandemente. Perguntei o motivo disso e me falaram que era “porque a bolsa-família acomodou todos eles”. Antes, geravam riqueza, tinham patrimônio e vendiam seus produtos. Hoje são literalmente vagabundos sustentados pelo meu dinheiro. Foi após essa viagem que entendi os motivos do nordeste amar o assistencialismo do Estado.

Outro fato intrigante é o culto brasileiro ao funcionarismo público. Não nego eles sejam necessários, afinal os países mais desenvolvidos possuem em média 10% de população trabalhando para o Estado e sem constrangimentos sociais. A questão principal é a eficiência e a reprovação da população sobre aqueles que prestam um desserviço. Minha tese é de que eles são assim, endeusados, por simplesmente terem o emprego garantido. Ora, em qualquer outro país o funcionário público pode ser exonerado a qualquer momento; no Brasil, o cargo é eterno ainda que inútil à sociedade já que na verdade é peixada de burocratas que na iniciativa privada não saberiam sequer em como lavar pratos”.

Uma mensagem otimista à democracia

Afloram as discussões sobre a capacidade do povo em definir e se deixar levar pela política através do voto universalizado. É claro que, pensando em um contexto onde voto é sinônimo de participação democrática na constituição política, qualquer crítica aos inaptos, bárbaros e incivilizados pode ser considerada um ode ao totalitarismo e uma submissão à moderna mentalidade aristocrática. É assim que o retorno ao mérito e à capacidade real de voto (em contradição à capacidade ideologicamente imputada ao indivíduo) têm sido discutido e, agora, amplamente divulgado. São as vantagens do radicalismo coletivista: ao universalizar o voto, o debate sobre quem não deveria pousar os dedos nas urnas se torna mais saboroso.

De um lado há a explicação mais simplista, mas nem por isso menos válida: todo aquele que não declara impostos sobre sua renda não teria motivos na participação eletiva. Quem tem propriedade, vota; e por propriedade entenda “patrimônio”. Em outras palavras, um beneficiário do assistencialismo estatal equipara-se a uma criança que, se improdutiva, estaria então destituída de tamanha responsabilidade, já que não há interesse efetivo na manutenção política saudável. Do contrário, o beneficiário do assistencialismo estatal estaria contaminado por toda sorte de favorecimentos estatais, silente em questões mais importantes, mas revolucionário naquilo que lhe provém sustento. Esse beneficiário, em suma, quer a mesada garantida. Nada mais.

De outro lado há a explicação mais abrangente e que inspirou a criação dos colégios eleitorais: o afastamento dos incultos e da massa ignara da seleção direta daqueles que representam os princípios máximos da moral política. Porquanto característica que se alastra nas repúblicas, o barbarismo e a ridicularização da moral política são facetas evidentes da população em geral, esta que em nações intelectualmente subdesenvolvidas, como o Brasil, constitui a regra. A degradação dos métodos democráticos é então questão de tempo, adiando-se somente seus efeitos deletérios e que influenciariam no agigantamento do Estado.

Ouso afirmar que a relevância de ambos os argumentos depende de um único fator ainda inalcançável: o esclarecimento de que esse bárbaro é também aquele que promove, aceita e prolifera o imoralismo político. Como edema que antes absorveu a degradação moral sexual, familiar e religiosa, tal sujeito, por estultícia assumida e ignorância deliberada, faz da política o estorvo de seus anseios diminutos, contanto que sua rotina não seja abalada. É que a barbaridade, como a plebe de outros séculos, é a escala da felicidade e da ausência de preocupações mais relevantes. É por ela que governos e déspotas são mantidos, sustentados e removidos; é pela incivilização, pelo imoralismo e relativismo de todas as virtudes que se torna aceitável um pedófilo eleger aquele que mais lhe agrada, segundo critérios que não precisam ser explicados.

Ocorre que essa separação de inaptos e aptos também define esclarecidamente, sem rodeios e meias palavras, perante a sociedade, os liames de ter para si as virtudes da civilização. E não há xingamento mais insuportável que ser impedido de votar por um único, simples e legível motivo: sua inteira incapacidade moral para tal.

Igualdade e incentivo à pobreza

Mais aqui.

NC: Qual, portanto, deveria ser o objetivo de uma política tributária? Redistribuição? Igualdade? Redução da pobreza?

Hoppe:

Se imposto é roubo, então, do ponto de vista da justiça, não deveriam existir impostos e nem qualquer política tributária. Toda e qualquer discussão sobre os objetivos de uma política tributária e sobre reforma tributária é apenas uma discussão entre ladrões e defensores do roubo, pessoas que não se importam com justiça. Eles se importam apenas em aprimorar a espoliação da propriedade alheia. Há debates e divergências entre eles a respeito do que deve ser tributado, em qual nível e o que deve ser feito com os impostos, isto é, quem deveria ficar com qual fatia do esbulho. Porém, todos os ladrões e todos os beneficiários do roubo tendem a concordar em um ponto: quanto maior a quantia espoliada, e quanto menor o custo do roubo, melhor fica a situação deles. Em verdade, é isso que todas as democracias ocidentais praticam hoje: escolher alíquotas e formas de tributação que maximizem as receitas tributárias.

Todas as atuais discussões sobre reforma tributária, seja na França, na Alemanha, nos EUA ou em qualquer outro país, são apenas isso: discussões sobre como aumentar a pilhagem dos cidadãos. Para tal, discute-se se o imposto sobre a herança deve ser introduzido ou repelido, se a renda deve ser tributada progressivamente ou proporcionalmente, se os ganhos de capital devem ser tributados como renda ou não, se os impostos indiretos — como o imposto sobre valor agregado — devem ou não ser substituídos por impostos diretos e se as alíquotas desses impostos devem ser elevadas ou reduzidas. Eles nunca discutem sobre a justiça de tais atos. Eles não estão motivados por nenhuma oposição a impostos baseada em princípios, mas sim pelo desejo de tornar a tributação mais eficiente, isto é, de maximizar as receitas tributárias. Toda reforma tributária que não seja, no mínimo, “neutra em termos de receita” é considerada um fracasso. Apenas reformas que aumentam as receitas são consideradas um “sucesso”.

Com isso, devo perguntar de novo: como pode alguém considerar que isso seja “justo”? É claro que, do ponto de vista dos consumidores de impostos, tudo isso é “bom”. Porém, do ponto de vista dos produtores de impostos — isto é, daqueles que realmente pagam impostos —, isso certamente não é “bom”, mas sim “pior do que ruim”.

Uma última consideração sobre os efeitos econômicos da tributação: todo imposto representa efetivamente uma redistribuição de riqueza e renda. Riqueza e renda são forçosamente tomadas de seus proprietários e de seus produtores e transferidas para pessoas que não são proprietárias dessa riqueza e que não produziram essa renda. A acumulação futura de riqueza e a produção de renda serão, desta forma, desestimuladas, e o confisco e consumo da riqueza existente serão estimulados. Como resultado, a sociedade ficará mais pobre em relação ao seu potencial de riqueza.

E quanto ao efeito da eternamente popular proposta igualitária de se tributar os “ricos” para dar aos “pobres”, uma consideração adicional: tal esquema não reduz ou alivia a pobreza; ao contrário, ela aumenta a pobreza. Ela reduz os incentivos para se enriquecer e ser produtivo, e aumenta os incentivos para se manter pobre e ser improdutivo.

Sobre a festa da civilização e a festa dos bárbaros

O carnaval é uma festa popular e não nego. Mas o populismo que determina toda festividade não significa uma automática aceitação das caracterizações animalescas do público festivo. Em outras palavras, o carnaval tupiniquim é essencialmente bárbaro, servindo de amuleto turístico a chacotas no exterior. Mario Vargas Llosa disse certa vez que, se o Brasil quer ser levado a sério, que elimine então o carnaval. Escândalo. Como eliminar a festa que cativa anualmente a ralé ao pão e circo? Impossível. Llosa não conhece a complexidade da civilização brasileira. Em outro norte uma jornalista afirma que o Carnaval não é originalmente brasileiro e que se tornou, ao fim, um gasto estatal dispensável. Escândalo. A jornalista revela o óbvio mas paga o preço por retirar do povo feliz sua felicidade anual.

As consequências podem ser mais graves. A mera constatação de que o carnaval vienense exige etiqueta, cultura, reverências e cortejos nobres já imputa ao carnaval brasileiro certa subjugação intelectual, porque não se compara a rudeza do carnaval daqui com o formalismo histórico e civilizado de lá. São dois mundos distintos, água e óleo que definem belamente o abismo que há entre a festa da civilização e a festa dos bárbaros.

Os noticiários também não perdoam. Em Portugal, o carnaval brasileiro é “um misto de propagação de toda sorte de doenças e exploração governamental do populismo da festa”; na Espanha, limitam-se a afirmar que “as fantasias são realmente belas, mas contrastam com a destruição anual do meio urbano”; na França, uma comparação entre “o antes e o depois dos carnavais europeu e brasileiro”. No primeiro não se via sujeira, e os banheiros públicos limpos como dantes; no segundo, a degradação tal qual o nível intelectual daqueles que lá colaboravam.

São as consequências da comparação cultural, algo que define por séculos os limites intransponíveis que submetem uns a outros, dos quais são geradas as hierarquias da civilização. Existe quem diga não haver culturas superiores: em época de carnaval, tais humanistas silenciam-se ou pela vergonha, ou por estarem ocupados.

Nietzsche comenta Bruna Surfistinha

Costumo dizer que toda prostituta, uma vez alcançado o glamour do sucesso e da aptidão publicitária, tem para si o dever de ensinar a nós, mortais oprimidos, as virtudes da moral. Após toda sorte de degradação pessoal, a vítima tem a muleta da vivência perversa, que hoje justifica e santifica todo aquele que está disposto a se redimir perante determinado público. Tal qual um ex-bêbado que hoje se utiliza de sua condição pregressa como virtude de novos conceitos espirituais, a prostituta tem em si o escopo da imoralidade que bem conhecida tende a justificar palavras de conforto moral. É a autoridade que imagina ter aquele que vivenciou situações de extrema decadência.

Bruna Surfistinha – vítima oprimida – nos ensina que os pais que reprimem suas filhas são preconceituosos, por não aceitarem a livre escolha de uma menina inocente que pretende vender o próprio corpo. Segundo a sábia “ex-prostituta”, e traduzindo sua ideia ao campo do alfabetismo, a aceitação de uma condição decadente de total imoralidade não concerne aos educadores, mas tão somente ao indivíduo que pratica tais atos.

Não discordo. O discurso é válido se contado, por exemplo, a pessoas que compartilham de uma mesma concepção moral. Mas a falha desse tipo de argumento se mostra mais elucidativa quando se afirma, com todas as palavras, que toda mulher que vende o próprio corpo é prostituta. E vagabunda. A adjetivação, apesar de parecer rude, não é menos estranha ao fato de que Bruna Surfistinha, vítima, considera-se hoje apta a definir os liames da moral sem transparecer, em um único momento, que seus atos decorreram não somente de circunstâncias externas, mas de uma livre escolha que fazem dela espécie socialmente desprezível. Surfistinha está para além do bem e do mal, visualizando no pedestal das virtudes que a repressão familiar à prostituição “é coisa do passado”. Ela, então, representaria aquele que superou esses detalhes pequenos do homem civilizado.

Surfistinha mostra a que veio, e como celebridade diz o que diz sem remorsos. Se eu fosse mau diria que “ex-prostituta” é aquela que reprova os atos anteriormente praticados; se os reafirma, mantém-se prostituta (com todos os adjetivos que a acompanham).

Mas deixo a sentença às conversas de bar.