A loucura ameninada de Slavoj Zizek

Lembro-me quando adolescente tive meu primeiro contato com Slavoj Zizek. Apresentado por um professor como “o maior filósofo da atualidade”, era certo que seu valor era equivalente, por exemplo, ao seu nervosismo fabricado ao melhor estilo “néscio marxista”. Era comum a caracterização da loucura como um traço marcante naqueles que tentam – com sucesso ou não – desmistificar os fundamentos do moralismo individual. O professor o imitava.

Obviamente que não se trata de uma maldição traiçoeira que assola tais sujeitos. Trata-se, de certo, daquela pompa do bom intelectual que vê na loucura, no crime, na perversão humana a maximização de “virtudes oprimidas por meio de sistemas familiares”. Meu palpite sobre Zizek em sua demência fake são as origens nietzschianas da deturpação de sua filosofia, quando já debilitado concebia-se o consumo de sua mente pela sífilis. Louco pela doença, Nietzsche então inspirou a demência ameninada de marxistas contemporâneos emocionalmente submetidos a nervosismos e debilidades motoras. Os gestos de Zizek consumam suas palavras, porque ainda que grandes besteiras sejam proferidas, é em sua expressão teatral pela qual o interlocutor é cativado diante de um grande pensador. O resultado é óbvio: as palavras desconexas e absurdas não são assimiladas pelo público, fascinado com o louco que, como louco, diz o que diz.  Mas como em todo artifício teatral, é na literatura que Zizek perde sua credibilidade. Pois em palavras existem somente demência de ideias, e não de expressões. Zizek é aquele que fala de assuntos previsíveis dentro da esfera coletivista, e com isso somente se maravilha quem desconhece minimamente tal discurso.

Se sua obra escrita é irrelevante, inócua do ponto de vista filosófico, óbvio que suas palestradas, enquanto belamente encenadas, tem grande repercussão acadêmica. Porém esse fenômeno já começa a se revelar, e dia após dia, ano após ano, o discurso de Slavoj Zizek afunda na padronização intelectual; algo que ele loucamente rejeita.