O universitário latino quer ser levado a sério

É pela observação de acadêmicos universitários a que se chega em conclusões óbvias. Um estudante de economia que desconhece a Escola Austríaca não pode sequer ser considerado um intelectual e teórico mediano, ainda que por vista seja dependente do ensino econômico dialético da Escola de Frankfurt. Isso significa dois fatos incontestes, pelos quais temos o nivelamento básico do ensino tupiniquim: 1. a cognição coletiva é fator essencial ao academicismo, proporcionando uma real paridade para com o ensino universitário latino; 2. o individualismo, enquanto observação da cognição estritamente individual, afastada das ações do bando, deve ser esquecido para que haja a devida superpopulação intelectual dentro de teses consideradas insuperáveis e caminho estreito ao igualitarismo econômico.

Intrigantemente, o acadêmico então observa seus pares, todos eles submetidos a uma única premissa teórica, e não esforçadamente considera-se prontamente alguém apto a entender a complexidade acadêmica internacional; considera-se, em outras palavras, um intelectual completo, acabado, já que submergido na tese que “domina as relações cognitivas da civilização ocidental”.

O fenômeno não se limita aos estudos econômicos. De juristas a psicólogos, da filosofia ao antropologismo, o esquecimento das relações individuais e a sobrevalorização do “inconsciente coletivo” traceja o universitário latino: aquele que, pensando no todo, é intelectualmente debilitado na solução de questões individuais, transformando-as antes no antagonismo coletivo que “claramente pensa na sociedade ante a depravação individual”. Economistas que “pensam na sociedade” para a formulação de suas teses basilares equiparam-se aos juristas que abandonam a percepção individualista de Justiça para teorizar, finalmente, como a luz sobre o profeta, que “toda injustiça paira nas desigualdades sociais”.

Se o latino como um todo é visto como um imbecil intelectual – por consequência de suas teses em geral inócuas, irrelevantes -, essa constatação não afasta a ansiedade do mesmo em persistir no erro coletivista da solução imediatista e utópica dos males que assolam suas sociedades.

Tal qual o adolescente esbaforido, o universitário latino antecipa-se em soluções e teses definitivas pelas vias da simplicidade e amadorismo dialéticos. O economista conhece tão somente a Escolha de Frankfurt e o jurista conhece tão somente Foucault, e querem ainda ser levados a sério.