O movimento de pretensos teólogos

Se o discurso poético preza pela estreita afinidade entre subjetivismo e relativismo, fazendo do poeta aquele que externa na pena as sutilezas da realidade, o discurso teológico pauta-se no objetivismo e fundamentos essenciais à sua caracterização religiosa, que afasta consequentemente quaisquer estilos literários que venham a corroborar confusões conceituais e irrelevâncias teóricas.

A poesia é dispensável, mas nunca irrelevante: seu discurso é utilitarista e baseia-se em uma relação direta entre a mensagem e o interlocutor. Do contrário, a teologia é analítica e proveniente da sistematização de estudos anteriormente refutados e/ou corroborados na mínima aceitação religiosa, que há de alicerçar e reafirmar a validade do estudo. Ora, não se argumenta sobre Deus utilizando-se de premissas esotéricas, porque totalmente antagônicas.

O movimento de pretensos teólogos que “fazem teologia” – que é nada além que o desconstrucionismo sofismático do discurso teológico -, tem perdido força e se relegado ao escárnio não somente pela sua apoteose de grande limitação teórica, mas também porque o discurso teológico anda em oposição ao relativismo.

Não existe Teologia no “decair das flores da manhã no preâmbulo da vida”, sequer nas “borboletas que serpenteiam entre as rosáceas do jardim terreno”; o que há, em tais casos, é tão somente o discurso poético divinizado, ainda que constituído de fraca poesia. Ao observar o pretenso poeta dizer-se teólogo por acreditar que faz Teologia, é ínsita sua ingenuidade ou, senão, sua dissimulação cínica.

Mas para todo palco há plateia. Os tais não são chamados “teólogos” por uma massa minúscula de ignorantes e palpiteiros de bar; são chamados assim por aqueles que, após o estudo devido, relativizam-no por meio do desconstrucionismo sofismático característico da irresponsabilidade intelectual.

Assim como toda Universidade deve afastar o estudante não produtivo, que traz vergonha e decadência meritocrática à Instituição, os seminários teológicos devem afastar o pretenso teólogo que distorce o estudo teológico, submetendo-o aos níveis mais rupestres e animalescos do discurso sistemático. Não se fala aqui de discursos teológicos antagônicos e supostamente heréticos, pois que ainda assim são resultado do estudo teológico; fala-se, além, dos discursos que causam a incapacitação intelectual da Teologia, transformando-a em uma vereda de toda de sorte de aberrações relativistas que sempre abraçam causas político-ideológicas.

A observação do indivíduo que insiste na desconstrução teológica é um dos fatores que evitam a decadência da Teologia e seu descrédito perante a comunidade religiosa. Tal ato significa que os reais teólogos observam as células cancerosas e delimitam sua esfera de atuação. Ultrapassado o limite da responsabilização intelectual, medidas de exclusão são irrefutáveis e justificadas.