“Não há almoço grátis”

“Não há almoço grátis”, é a afirmação ditada por Milton Friedman, mas não por ele criada. Tal expressão está muito além de sua concepção original, consideradas as atuais circunstâncias políticas de favorecimento e perpetuação do assistencialismo, pois que a principal tese dos principais economistas do séculos XIX e XX era a da não proliferação da esperança assistencialista governamental: sabendo o cidadão que nasceria ausente de qualquer amparo estatal, e sabido que, se não pela família, estaria ao relento do descaso social, é de sua e exclusiva competência ajustar-se aos fenômenos inevitáveis de incapacidade laborativa, como a aposentadoria e invalidez.

Os economistas dos séculos XIX e XX falavam do “laissez faire”, que pressupõe a responsabilização do indivíduo em cada decisão tomada, ainda que dela se sobressaia a desgraça financeira e a ruína profissional, ainda que no trajeto da vida o indivíduo seja, após a glória, devastado pelos frutos da incompetência na gestão de sua fortuna.

Ocorre que, como em qualquer Era que ressalta o relativismo intelectual, a responsabilização do indivíduo é fator que gera o caos social em uma sociedade que preza pela ausência da competitividade em detrimento dos favorecimentos retributivos. Estes, promovendo o ócio e a falsa percepção meritocrática, acabam por colocar no próximo as responsabilidades pela decadência estritamente pessoal; porque a sociedade é devedora para com aquele que não conseguiu exercer suas virtudes artísticas, ainda que totalmente inócuas do ponto de vista econômico.