Che, Mao, Hitler

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No que capitalistas e socialistas concordam

Se há um consenso que reúne e fundamenta toda e qualquer teoria econômica desde o século XVI, impelindo reformas político-econômicas, perfazendo a imaginação de um mundo imaculado onde seus habitantes estariam subjugados à perfeição moral e igualitária, construindo a mentalidade do Progresso Eterno, é aquele que exclui ou penaliza o indivíduo que, podendo, não produz; e, apto ao trabalho, implora por regalias permanentes de ordem financeira.

A censura a tal comportamento, degradante em suas premissas filosóficas e impensável no âmbito econômico, é de tamanha pertinência sociológica que sequer nos regimes de insistência anti-meritocrática, estancados na mera objetivação da força de trabalho, as regalias econômicas eram vistas como de saudável sustentabilidade e submersas no brocardo marxista da paridade entre trabalho e produto, labor e obtenção inafastável de seus resultados, ainda que destituídos da concepção do lucro e investimento capitalistas.

Se no Capitalismo “não há almoço grátis”, no Socialismo “não há comida para quem não trabalha” no que se refere às rações alimentares rateadas àqueles que participavam do “processo revolucionário industrial”. Se no Capitalismo o trabalhador é visto como partícipe na construção econômica de geração de riqueza, no Socialismo o “proletário“ é agente atuante na manutenção perpétua do progresso igualitarista, no qual são escamoteadas as condições que viabilizam o crescimento do processo revolucionário.

Tal realidade de regalias pagas por seus concidadãos se concebe em tamanha destrutividade social que sequer o indigente, como indivíduo que geralmente está mergulhado em decadências pessoais e vícios de toda sorte, é definido em paridade para com aquele que tem os meios de sustento próprio, mas que não o faz por saber que outrem, impelido pelo Estado, prover-lhe-á subsistência. A mendigagem, do contrário, é geralmente tida como decorrente de fatores externos que retiram do inapto qualquer chance de labor e subsistência, porque o mesmo se encontra incapaz de coadunar sua atual condição produtiva com as condições minimamente exigidas pelo mercado.

O desprezo inevitável ao viciado considera, antes, a performance de hábitos socialmente reprováveis e que são, à sociedade, exemplos a não serem perseguidos; quando menos, indivíduos a serem amparados por atividades caridosas individuais. O indigente, ainda que menosprezado, dificilmente será tratado como agente que se submete às rédeas do Estado para auferir benefícios esparsos, pois que, do contrário, é ele ignorado até mesmo nas concepções essenciais do estatismo assistencialista. O indigente é economicamente inócuo, e basta a provisão de meios que estejam relativos à sua capacidade produtiva para que, como em um relance de virtude, superados os vícios, a mendigagem seja imediatamente abandonada e tida como passado de vergonha a nunca mais ser vivenciada.

Opostamente, o indivíduo que se beneficia do assistencialismo estatal é antes menosprezado não por sua real incapacidade de manutenção de subsistência, mas pelo real entendimento de que, não laborando, ter-se-á em mãos as verbas providenciadas pelo sujeito produtivo, que fora anteriormente coagido pelo Estado a transferir de seus rendimentos valores ao beneficiado. Este, observado pela sociedade como um edema, faz-se constantemente a célula do processo cancerígeno que perpetua na sociedade toda sorte de discrepâncias não somente políticas, mas também de cunho moral.

O desprezo pelo beneficiado por programas de assistência estatal não é em vão: ele há de ser socialmente execrado e naturalmente julgado por seus próximos tal qual aquele que vergonhosamente usufrui das benesses do labor alheio, visualizado como a decadência personificada que com cinismo particular exige respectivos direitos ausentes de deveres. Esse processo, que está em sua fase originária e que ainda não encontrou ressonância na opinião majoritária, começa somente agora a se alastrar para o que parece ser um dos poucos pontos possíveis de reunião de movimentos anti-coletivistas, os quais se antes eram sequer rememorados, atualmente estão em expansão exponencial.

Tesouros do pensamento mundial

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Todo militante ou simpatizante comunista é cúmplice moral de genocídio, tem as mãos tão sujas quanto as de qualquer nazista, deve ser denunciado em público e excluído da convivência com pessoas decentes. A alegação de ignorância, com que ainda podem tentar se eximir de culpas, é tão aceitável da parte deles quanto o foi da parte dos réus de Nuremberg. É uma vergonha para a humanidade inteira que crimes desse porte não tenham jamais sido julgados, que seus perpetradores continuem posando no cenário internacional como honrados defensores dos direitos humanos, que partidos comunistas continuem atuando livremente, que as idéias marxistas continuem sendo ensinadas como tesouros do pensamento mundial e não como as aberrações psicóticas que indiscutivelmente são. É uma vergonha que intelectuais, empresários e políticos liberais, conservadores, protestantes, católicos e judeus vivam aos afagos com essa gente, às vezes até rebaixando-se ao ponto de fazer contribuições em dinheiro para suas organizações.

Origens “burgueso-judaicas”

O elemento novo mais dramático desse último expurgo planejado por Stálin, nos últimos anos de sua vida, foi uma importante mudança de ideologia: a introdução de uma conspiração mundial judaica. Durante anos, os fundamentos para essa mudança haviam sido cuidadosamente elaborados numa série de julgamentos nos países satélites – o julgamento de Rajk na Hungria, o caso Ana Pauker na Romênia e, em 1952, o julgamento de Slansky na Tchecoslováquia. Nessas medidas preparatórias, altos funcionários do partido foram escolhidos por suas origens “burgueso-judaicas” e acusados de sionismo; aos poucos, essa acusação foi alterada para implicar agências notoriamente não-sionistas (especialmente o Comitê Judaico-Americano – JOINT), insinuando que todos os judeus era sionistas e que todos os grupos sionistas eram “assalariados do imperialismo norte-americano”. Naturalmente, nada havia de novo no “crime” do sionismo; mas, à medida que a campanha progredia e começava a concentrar-se nos judeus da União Soviética, outra mudança importante ocorreu: os judeus eram agora acusados de “cosmopolitismo” e não de sionismo, e o tipo de acusação que derivava desse slogan seguia cada vez mais de perto o modelo nazista de uma conspiração mundial judaica ao estilo dos sábios de Sião. Ficou surpreendentemente claro como fora profunda a impressão que esse fundamento de ideologia nazista deve ter causado a Stálin; a primeira indicação disso tornara-se evidente desde o pacto Hitler-Stálin.

É verdade que, em parte, isso se devia ao seu óbvio valor propagandístico na Rússia, bem como em todos os países satélites, onde o sentimento antijudaico era corrente e a propaganda antijudaica sempre fora popular, mas também em parte porque esse tipo de conspiração mundial fictícia era um pano de fundo ideologicamente mais adequado às pretensões totalitárias de domínio mundial do que Wall Street, capitalismo e imperialismo. A adoação franca e despudorada do que se havia tornado para o mundo inteiro o sinal mais evidente do nazismo foi a última homenagem que Stálin prestou ao seu falecido colega e rival no domínio total, com que, muito a contragosto, não pudera chegar a um acordo duradouro.

Stálin, assim como Hitler, morreu sem terminar o horror que havia planejado.

Hannah Arendt em “As origens do totalitarismo”

“Não há almoço grátis”

“Não há almoço grátis”, é a afirmação ditada por Milton Friedman, mas não por ele criada. Tal expressão está muito além de sua concepção original, consideradas as atuais circunstâncias políticas de favorecimento e perpetuação do assistencialismo, pois que a principal tese dos principais economistas do séculos XIX e XX era a da não proliferação da esperança assistencialista governamental: sabendo o cidadão que nasceria ausente de qualquer amparo estatal, e sabido que, se não pela família, estaria ao relento do descaso social, é de sua e exclusiva competência ajustar-se aos fenômenos inevitáveis de incapacidade laborativa, como a aposentadoria e invalidez.

Os economistas dos séculos XIX e XX falavam do “laissez faire”, que pressupõe a responsabilização do indivíduo em cada decisão tomada, ainda que dela se sobressaia a desgraça financeira e a ruína profissional, ainda que no trajeto da vida o indivíduo seja, após a glória, devastado pelos frutos da incompetência na gestão de sua fortuna.

Ocorre que, como em qualquer Era que ressalta o relativismo intelectual, a responsabilização do indivíduo é fator que gera o caos social em uma sociedade que preza pela ausência da competitividade em detrimento dos favorecimentos retributivos. Estes, promovendo o ócio e a falsa percepção meritocrática, acabam por colocar no próximo as responsabilidades pela decadência estritamente pessoal; porque a sociedade é devedora para com aquele que não conseguiu exercer suas virtudes artísticas, ainda que totalmente inócuas do ponto de vista econômico.