Entendam que nós nunca faremos concessões

Durante minha primeira entrevista coletiva à imprensa como presidente, a fim de responder a uma pergunta direta, eu ressaltei que, como bons islamofascistas, os líderes muçulmanos têm declarado pública e abertamente que a única moralidade que reconhecem é aquela que fará progredir sua causa, que é a revolução jihadista mundial. Acho que devo ressaltar que eu estava apenas citando o profeta Maomé, seu líder espiritual, o qual disse no Corão sagrado – Matai os idólatras onde quer que os acheis os acheis -; que os muçulmanos repudiam toda a moralidade que procede de outras ideias religiosas… ou ideias que estão fora das concepções islâmicas. A moralidade está totalmente subordinada aos interesses da submissão absoluta ao Islã. E é moral tudo quanto seja necessário para a aniquilação das velhas tradições judaico-cristãs, para explorar a ordem social e unir os fiéis muçulmanos contra os EUA, Israel e a Cristandade.

Ao mesmo tempo, porém, deve-se fazer com que eles entendam que nós nunca faremos concessões em relação a nossos princípios e valores. Nunca entregaremos nossa liberdade. Nunca abandonaremos nossa fé em Deus. E nunca deixaremos de buscar uma paz genuína. Mas não podemos assegurar nenhuma das coisas que os EUA defendem através das assim chamadas soluções anticoloniais, propostas por alguns acerca da ocupação americana do Iraque e do Afeganistão.

A verdade é que uma retirada unilateral agora seria uma fraude perigosíssima, pois uma rendição a um Taliban e uma al-Qaida ausentes é simplesmente uma ilusão de paz. A verdade é que devemos encontrar a paz através da força.

Eu concordaria com uma retirada do Iraque e do Afeganistão se ao menos pudéssemos congelar os desejos jihadistas globais dos muçulmanos. Um congelamento nos atuais níveis de agressão muçulmana removeria todo estímulo para as nações islâmicas continuarem negociando com seriedade, na atual Cúpula da Liga Árabe, na Líbia, um fim de todos os assentamentos judaicos na Palestina e praticamente acabaria com nossas chances de alcançar uma redução na guerra do Islã contra o Ocidente, que nós propomos. Ao invés disso, as nações muçulmanas alcançariam seus objetivos através da abolição do terrorismo islâmico e promovendo a liberdade religiosa.

A fraqueza e o apaziguamento dos EUA recompensariam as nações muçulmanas por seus enormes e sem precedentes atos terroristas. Isso impediria a modernização essencial e há muito necessária das defesas dos Estados Unidos e seus aliados e deixaria nossas forças americanas servindo no Iraque e no Afeganistão crescentemente vulneráveis. E uma retirada honesta do Iraque e do Afeganistão exigiria amplas negociações prévias sobre o número de ações terroristas a serem limitadas e sobre as medidas para garantir a verificação e o cumprimento efetivos. E o tipo de uma moratória no terrorismo que tem sido sugerido seria praticamente impossível de verificar nas áreas controladas pelo Taliban e a al-Qaida. Um esforço desta envergadura nos desviaria completamente de nossas atuais negociações para alcançar reduções substanciais na jihad mundial…

Foi C.S. Lewis que, em suas inesquecíveis “Cartas de Screwtape” escreveu: “O maior mal não é cometido agora naqueles ‘covis do crime’ sórdidos que Dickens adorava pintar. Tampouco é cometido em campos de trabalho e de concentração. Neles, vemos seu resultado final. Mas ele é premeditado e organizado; levado adiante, continuado, executado e detalhado em escritórios com tapetes, aquecimento e bem iluminados, por homens tranquilos, de colarinho branco, com unhas aparadas e rostos escanhoados, que não precisam levantar a voz.”

Bem, pelo fato de que esses homens tranquilos não erguem a voz, pelo fato de que eles às vezes falam em um tom apaziguador sobre fraternidade e paz, pelo fato de que, como outros ditadores antes deles, eles estão sempre fazendo “sua última exigência territorial,” alguns gostariam de nos fazer acreditar em sua palavra e nos acomodar a seus impulsos agressivos. Mas se a história nos ensina algo é que um apaziguamento simplório ou um otimismo fantasioso em relação a nossos adversários é tolice. Isso significa a traição a nosso passado, o desperdício de nossa liberdade.

Então, eu os exorto a se expressarem francamente contra aqueles que gostariam de colocar os Estados Unidos em uma posição de inferioridade militar e moral. Vocês sabem, eu sempre acreditei que o velho Screwtape reserva o melhor de suas energias para aqueles entre vocês que vão à igreja. Então, em suas discussões sobre propostas antiamericanas, eu os exorto a se precaverem contra a tentação do orgulho – a tentação de displicentemente se declararem acima disto tudo e rotularem ambos os lados como igualmente errados, ignorarem os fatos da história e os impulsos agressivos de um império do mal, chamarem a guerra contra o terrorismo muçulmano de um gigantesco mal entendido e desta forma se retirarem da luta entre o certo e o errado, e o bem e o mal.

Eu lhes peço que resistam às tentativas daqueles que gostariam que vocês nos privassem de seu apoio aos nossos esforços, os esforços deste governo, para manter os EUA fortes e livres, enquanto negociamos reduções reais e verificáveis no fanatismo muçulmano e um dia, com a ajuda de Deus, a eliminação total do terrorismo.

Embora a força militar dos EUA seja importante, deixem-me acrescentar que eu sempre sustentei que a luta pelo mundo ocorrendo agora entre o Islã e o Cristianismo nunca será decidida por bombas ou foguetes, por exércitos ou força militar. A crise real que hoje enfrentamos é espiritual; em suas raízes, é um teste de vontade moral e fé.

Ronald Reagan, 1983

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O que se chama de filosofia em muitas universidades

A filosofia surgiu na Grécia como um esforço de apreender e dizer o “ser” das coisas. A palavra “ser” implica o reconhecimento de uma realidade objetiva estruturada, inteligível, comunicável de homem a homem. O empreendimento filosófico voltava-se diretamente contra uma tradição de ensino para a qual o ser e a realidade objetiva não contavam, podendo ser livremente inventados pela força da palavra e da persuasão. Essa tradição denominava-se “sofística”.

Decorridos vinte e cinco séculos, a denominação inverteu-se. O que se chama de filosofia em muitas universidades, especialmente no Brasil, é a convicção de que não existe realidade nenhuma e tudo é construído pela linguagem. Quem ouse praticar a filosofia no sentido que tinha em Sócrates, Platão e Aristóteles, é marginalizado como reacionário indigno de atenção. A sofística, com o nome de “desconstrucionismo”, é o que hoje ostenta nos documentos oficiais o nome da sua velha inimiga, a filosofia.

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O indivíduo decadente

No coletivismo, todo coletivizado quer e anseia ser caracterizado como intelectual apto à arte, a qual é imensuravelmente abstrata para ter qualquer valoração econômica. Injustiçado por não ser reconhecido por uma sociedade que está abaixo de suas expressões artísticas, o indivíduo decadente, mas ditado intelectualmente artístico, aponta a seus opostos e lhes dita a sentença: “vocês, que não conhecem de minhas virtudes, não merecem meus dons poeticamente expressados”.

Assim o coletivista, achado poeta, torna-se um protótipo das verborragias; assim o artista, que arremessa tinta na tela ausente de qualquer concepção minimamente aceitável, quer e implora ser rememorado grande intelectual.

 

Igualdade pela força

Comunismo não é um conjunto de medidas a serem postas em prática após a tomada do poder. É um movimento que já existe, não como um modo de produção (não pode haver uma ilha comunista dentro da sociedade capitalista), mas uma tendência que se origina em necessidades reais. O comunismo não sabe nem o que é valor. O ponto é que num belo dia um grande número de pessoas começa a destruir valor e lucro. Todos movimentos revolucionários pretéritos conseguiram levar a sociedade a uma paralisia, e esperaram algo sair desta parada universal. Comunização, ao contrário, circulará bens sem dinheiro, abrirá o portão que isola uma fábrica de sua vizinhança, fechar outra fábrica onde o processo de trabalho é muito alienante para ser desenvolvido tecnicamente, acabar com a escola enquanto lugar especializado que separa aprendizado de ação por estranhos 15 anos, derruba muros que forçam pessoas a se prenderem em unidades familiares de 3 quartos – em resumo, ela tenderá a romper todas as separações. O comunismo acredita na igualdade pela força.

Gilles Dauvé

O símbolo geométrico

O símbolo geométrico é nada além que a visualização de algo que, pela sua complexidade entre significado e significante, não pode ser concebido pelas vias da construção literária. Em sendo totalmente desconexo com suas formas corriqueiras e usuais, o símbolo geométrico que se faz também religioso nunca se afasta de sua principal função: a rememoração de uma epopeia fundadora da crença. Seu poder está em trazer ao indivíduo a virtudes da fé ou as desgraças da superstição. De um lado, o símbolo como religare; ao outro, o símbolo como idolatria superficial.

Da incompatibilidade entre socialismo e absorventes

Era uma terça-feira. Deleitado nas palavras de um professor, escutava atentamente acerca de todas as concepções inimagináveis de dominação global por parte do Império do Norte. As exposições, que eram realmente interessantes e proporcionavam toda sorte de sentimentos nacionalistas, muitas vezes enveredavam a caminhos dos mais obscuros e genéricos, os quais de certo estavam a corroborar a decadência da civilização sul-americana pelas mãos e forças estrangeiras. O medo lhe era sincero. Faltaram-lhe apenas as lágrimas. Mas como todo discurso político chamuscado pelo ensino pedagógico, o mestre em História alegou veementemente que, além da opressividade militar, havia por bem a redescoberta da opressividade às minorias, estas que vítimas de um sistema lutavam incessantemente contra as nuances de outras dominações.

Falava o professor do feminismo.

Piou tarde o educador que na sobriedade afirmava também questões de cunho religioso. Poliglota de todas as facetas científicas e educador que entendia de todos os conceitos basilares de repressão, o professor era, disons simplement, um dos grandes marxistas da instituição de ensino, que alheia às perspectivas de profissionalismo negava-se a ensinar outras línguas que não aquelas provindas dos grandes revolucionários.

Piou tarde, porquanto em mesmo dia, dignificado o mestre com certo debate a ser conduzido pela Diretoria, apresentou a seus alunos o que seria a introdução de algo que estaria por se revelar intensamente pertinente.

Entram ambos debatedores; o outro,  não conhecido por nossa juventude, nos parecia caracteristicamente, conforme os ditados do mestre, um reacionário. Enquanto um no jaleco, o outro ao terno; enquanto a barba avantajada, ao outro a lisura do formalismo. O debatedor, que já de antemão mostrou-se o rival de antecessoras concepções libertárias, resumiu em condolências suas próximas palavras, pois que a temática exigida pela diretoria ao debate era nada além que “O Feminismo e a Opressão do Capitalismo Cristão”.

Nada mais sutil.

Os argumentos debruçaram-se sobre os alunos ali presentes, porém a nós o conforto da alegação da opressividade caía como luva a todo o momento em que o mestre, já não instruído nas palavras, alegava que em tudo devemos ter em mente que o sistema, o Cristianismo Capitalista, sempre trabalhara na justificativa do opressor ante o oprimido. Assim, citou a Epístola de Tiago tal qual um grande teólogo agostiniano. Citou a Bíblia o desceu levemente a estaca de suas palavras finais, aparentemente irrefutáveis.

“Permita-me um vídeo?”, retrucou o reacionário de vestimenta pomposa. “Claro”, respondeu o Diretor.

O vídeo mostrava inicialmente o feminismo como a bela organização declaradamente reprimida pelo falo masculino, e nada mais condizente que, ao espanto de todos, fosse a nós mostrado as manifestações ativistas de mulheres determinadas. Com sutiãs em mãos, rasgavam-no com fúria ao ponto de causar em nós, plateia, o genérico sentimento de que por uma causa vale-se a demonstração de irritabilidade desmedida, pela qual também nos deparamos semanalmente com o mestre de ensino histórico. Contudo, como que ao virar de uma página e sem quaisquer palavras, ausentes quaisquer sussurros ou comentários editados, eis que adentramos na bela e glamourosa Rússia, precisamente Moscou, A Capital, ofertada inicialmente em todo seu esplendor.

Percebemos a agitação corporal de nosso mestre.

Perambulando o indivíduo, a conversa por ele criada com diversas meninas e mulheres, de todas as idades, definiu os liames de uma necessidade básica e que, tal como os sutiãs, foram também dilacerados. Necessitadas n’A Capital, e induzidas por uma única pergunta, as mulheres e meninas, de todas as idades, explicaram como solucionavam suas dependências fisiológicas ante a menstruação mensal: papéis de jornais extremamente bem posicionados e que, antes umedecidos, conseguiam estancar, às vezes com pequenos acidentes, o sangue que escorria.

“Não há absorventes na Rússia”, disse uma das mulheres. “Se quiser comprá-los, tem de ir à Europa Ocidental ou consegui-los no mercado negro. Mas lá são muito caros”.  O homem, filmando, então estendeu a uma delas um pacote de absorventes descritos em inglês, que proporcionou sorrisos àquela que, no seio do igualitarismo, não conseguira ter acesso a algo que na terra das bravas mulheres determinadas era objeto de descarte diário.

O vídeo encerrou-se. Encerraram-se na plateia o triunfo que antes vislumbrara no mestre educador o inevitável vencedor do debate.

Não foram proferidas palavras por nenhum dos debatedores, e o Diretor limitou-se a despedir-se alegando a pertinência do “pluralismo de ideias”. A plateia, formada por alunos, retornou às salas de aula e por semanas comentou-se o ocorrido. Por semanas comentou-se a fisionomia de nosso mestre; por meses, seu silêncio ante questões que eram já previsivelmente elencadas.

Por um único debate, em um único vídeo que retirou das palavras as imagens do contraste e do antagonismo, assim o mestre pedagogo, desconcertado e incapaz de dizer o que antes afirmava, diariamente ridicularizado pelas lembranças de um debate escolar, diariamente tido como preletor de um debate que se tornou um fiasco institucional, preferiu a transferência a outra instituição.

Não se ouviu mais, posteriormente, nenhum dos argumentos utilizados pelo professor. Antes avisados, os futuros mestres pareciam desconfiar que, a qualquer palavra e a qualquer doutrinação, ser-lhes-iam lembrados o debate de terça-feira, em que o formalismo reacionário encerrou sem palavras a temática que definiria as veredas de estudo daqueles que lá presenciaram as imagens d’A Capital.

Imagens estas que ainda são contadas e rememoradas, anos depois.