Pensamentos latinos

A melhor forma de suplantar o desenvolvimento filosófico através da reafirmação constante de chavões niilistas é citar Nietzsche em uma revista filosófica. Se houve a tendência em engrandecer o filósofo como “aquele que destruiu o pietismo”, na atualidade tupiniquim, nas fronteiras onde o filósofo professor universitário é sustentado pelo Estado, nos recônditos da defasagem vergonhosa perante a universalidade estrangeira temos Nietzsche como aquele que “promove o igualitarismo, a justiça, a denúncia da religiosidade da burguesia elitista”.

Reunidos e humilhados pela derrocada da causa relativista como padrão metodológico intelectual, os pensamentos latinos que se denominam filosóficos – dentre os quais se apresentam humildemente sociólogos, psicólogos, juristas e teólogos -, submetem-se e restringem-se a teorizações meramente casuísticas, de cunho medianamente previsível e que tende a aspirações politicamente corretas.

Você não verá, caro leitor, a análise econômica da obras de Ludwig von Mises, sequer ponderações filosóficas dos aspectos anticoletivistas de Milton Friedman ou considerações acerca de Ayn Rand; o que ser-lhe-á ofertado, caro leitor, é a análise e tão somente a análise da “aberração astrológica de Aristóteles” ou, além, a “função libertadora do sadomasoquismo como instrução à repressão sexual conservadora”.